ANGELINA JOLIE FAZ MASTECTOMIA COMO PREVENÇÃO AO CÂNCER DE MAMA
O assunto desta terça-feira foi a revelação da atriz Angelina Jolie, em artigo publicado no jornal “The New York Times”, de que teria se submetido à uma mastectomia dupla preventiva, com o objetivo de reduzir o risco dela contrair um câncer de mama.
Jolie, casada com o ator Brad Pitt, está com 37 anos, mãe de três filhos biológicos e de mais três adotados, decidiu-se pela cirurgia, devido possuir uma mutação genética, que lhe leva a ter 87% de possibilidade de contrair um câncer de mama e 50% de ovários. Ela diz ainda que sua mãe morreu aos 56 anos, vítima do mal.
"Posso dizer a meus filhos que não devem ter medo de me perder por culpa de um câncer de mama", escreveu a atriz em seu comunicado.
A decisão de Angelina Jolie suscitou um debate no mundo todo, tendo em vista o procedimento, considerado radical por alguns médicos, que afirmam haver tratamentos menos agressivos do que a mastectomia. Há, por outro, lado que defenda a decisão da artista, caso da ganhadora do Grammy, Sheryl Crow que publicou no Twitter: "Elogio Angelina Jolie por sua coragem e consideração ao compartilhar hoje sua história referente à mastectomia. Que valente!", conforme publicou o portal Terra.
É um assunto polêmico e, no meu entender, um desafio à medicina, quando se pensa que o risco chegava a 87%, ou seja, havia uma margem para que a doença não se manifestasse. Mas, se ao contrário disso, o problema aparecesse, haveria tratamento que garantisse 100% de cura? Os médicos dizem que o câncer de mama, quando detectado no início, tem elevados percentuais de cura, mas não afirma que se trata de 100% de cura.
Enquanto a discussão se prolonga, espera-se que Angelina Jolie tenha feito a opção certa e que ela tenha saúde por longos anos para a alegria de seus fãs, de sua família e da medicina.
A imprensa divulgou há pouco, o resultado da 11ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), no Rio de Janeiro, nesta terça-feira, que obteve uma arrecadação de R$ 2,823 bilhões em bônus, com 11 bacias leiloadas, superando os US$ 2,1 bilhões conseguidos na 9ª Rodada, em 2007.
O que eu não entendi foi a declaração festiva de que o estado do Maranhão será o grande beneficiado, com a exploração do óleo e o gás, haja vista, o anuncio dizer que as maiores reservas concentram-se na costa do Amapá.
Então, explora-se o gás e o óleo, no Amapá, levam-nos para o Maranhão, que se dá bem com o negócio e os amapaenses ficam com os riscos, conhecidos pelo mundo inteiro, que a exploração petrolífera, no mar, pode causar. E o pior, pelas notícias que me chegaram não havia um parlamentar amapaense na tal rodada, nem da situação nem da oposição. Ao que parece, estão todos satisfeitos com a situação.
Ou eu sou muito desinformado, ou os políticos amapaenses não sabem o que é compromisso com o povo e seu estado ou o povo precisa, e muito, aprender a votar!
A FOLHA DE S. PAULO publica, hoje, que “A Comissão Nacional da Verdade vai convocar para prestar depoimentos públicos – além dos militares suspeitos de mortes, torturas e desaparecimentos – os empresários que teriam contribuído para financiar a repressão política executada pela ditadura militar (1964-1985).”
Diz a Folha mais adiante: “A historiografia sobre o período descreve a participação de diversos empresários na repressão, em especial no financiamento da Oban (Operação Bandeirante), um grupo de integrantes das Forças Armadas e das polícias estaduais, criado no fim dos anos 1960 com o fim de acabar com a resistência ao regime”.
Se a Comissão, realmente busca a verdade, precisa convocar muito mais gente, pois, o início da tal revolução se deu com o apoio de muito mais gente, inclusive da Igreja. O jornalista Hélio Gaspari, em seus livros sobre a ditadura, mostra com todas as letras isso, cita, inclusive, o presidente da Volkswagen no Brasil, morto esse ano, que teria distribuído automóveis aos opressores para as suas ações. Banqueiros, também, sustentaram o regime. Nada disso está escondido. Basta à Comissão fazer uma averiguação, até sem muitos detalhamentos, que encontrará aquelas pessoas.
E não me venham falar em revanchismo, por favor! Aliás, a primeira pessoa de quem ouvi a expressão foi o coronel Jarbas Passarinho, ele mesmo que mandou às favas os escrúpulos para assinar o famigerado Ato Institucional nº 5, que mergulhou o país nas trevas. Mas, tenho uma pergunta comigo há mais de 30 anos, desde que se começou a falar em anistia, por que Jarbas Passarinho tinha medo do revanchismo? Porquanto, as armas já estavam caladas e a discussão propunha-se acontecer no campo da Justiça e das ideias.
O Brasil não pode esquecer esse período que é uma verdadeira mancha na Democracia, para que outros episódios não venham acontecer.
As grandes cidades brasileiras têm convivido, nos últimos meses, com uma situação assustadora, inúmeros assassinatos têm acontecido, em decorrência de assaltos e, quando a Polícia vai apurar, o principal acusado é sempre um menor.
Para mim, a situação é assustadora porque esses supostos menores, daqui a no máximo três anos, estarão de volta às ruas para delinquir, roubar, matar, enfim, mais bem preparados pela escola do crime, cometerem suas atrocidades sem a menor consciência do que seja uma vida.
Eles estão, hoje, em todos os cantos, nas ruas, nas escolas, nas praças públicas, nos locais de lazer, enfim, onde houver gente, com a mísera possibilidade de lhes serem vítimas, lá eles estão também.
Sempre se alegou que, aos jovens infratores, faltavam oportunidades, ocupação, lazer e, sobretudo, Educação. Acontece que, segundo o governo, o país está prestes a ultrapassar a linha da pobreza, que uma nova classe média, com renda melhor, surgiu nos últimos anos, que os recursos destinados à Educação são, a cada ano, maiores... Então, o que tem provocado nos nossos jovens essa obstinação pelo crime? Por favor, não me venham com a história de que são os exemplos mostrados pela TV, que a mim isso não convence.
Pense que a TV influencia, positivamente, isso sim essa garotada, tal qual a internet e outros meios de Comunicação. O acúmulo de informação que um rapaz e uma moça, hoje, aos 16, 17 anos possuem dá-lhes conhecimento suficiente para saberem o que o certo e o que é o errado. Há ainda o fato de que um jovem nessa idade, tem uma compleição avantajada que um simples solavanco proferido por um deles, em qualquer pessoa, é o suficiente para ferir, machucar e, por vezes, matar.
Onde quero chegar? No convite para que a sociedade comece a refletir na possiblidade de se reduzir a maioridade. Ok! Sei que não será a solução, mas seria uma entre as demais que psicólogos, sociólogos, juristas, e tantas outras autoridades no assunto têm para contribuir.
Ficarmos “sentados no meio da sala, com a boca escancarada, esperando a morte chegar” é que não podemos.
E a MP dos Portos? Que balaio de gatos! Há partido da base aliada, que não é tão aliado... Há alteração que não agrada ao Planalto, mas, também, não alegra a oposição... E por aí vai! Caraca!...
Sempre defendi aqui que o povo amapaense tem uma urbanidade própria, é alegre, cortês, ordeiro e possui um respeito por sua gente e sua História que o diferencia, para melhor, sem querer diminuir qualquer outro. E faço esse discurso mesmo depois de quase quatro décadas fora de Macapá, onde cresci, estudei, casei e consegui um trabalho que me daria dignidade por toda a minha vida. E mais, o emprego que conquistei foi, naturalmente, fruto da minha dedicação, mas, os ensinamentos que meus professores tanto do Ginásio de Macapá, quanto do Colégio Amapaense me ministraram, também, foram preponderantes para a minha formação.
Ontem, entretanto, fui surpreendido com a notícia de que o governador do Estado, Camilo Capiberibe (PSB), foi recebido, em uma solenidade pública, com ovos e pedras, o que desmente as minhas palavras iniciais. Ainda assim, mantenho a minha crença de que o povo amapaense é, sim, educado, acima de tudo. E não tenho qualquer resquício de dúvida de que as ações desrespeitosas para com o governador foram protagonizadas por meia de dúzia de baderneiros, que não aprenderam o que é democracia e, se dela ouviram falar, não sabem como exercê-la.
As informações que me chegaram foram a de que os protestos originaram-se com o descontentamento da diretoria do sindicato dos professores, porque o governador resolveu incorporar aos salários da categoria uma gratificação, conhecida como “regência”. Gratificação que vinha sendo paga desde o governo anterior. Esses protestos teriam fundamento, todavia, se a incorporação da “regência” diminuísse o salário dos professores, o que, segundo ainda as informações que me foram passadas, é, exatamente, o contrário, quando se pensa que os salários, quando da aposentadoria dos profissionais, se não incorporada à gratificação ou à “regência”, como queiram, são, aí sim, diminuídos.
A acusação de que o governador não é disposto ao diálogo é, antes de tudo, perversa, a se considerar que a diretoria do sindicato dos professores também agiu de costas ao entendimento, feito com a serenidade de uma boa conversa. Há sempre, seguramente, formas e meios políticos de se encontrar o diálogo. As ações dos sindicalistas assustam a qualquer pessoa, minimamente, sensata, quando se pensa que os protestos partiram de professores, que têm por ofício a formação de jovens e adolescentes. Mas, infelizmente, há indivíduos que se entrincheiram nos sindicatos, por anos a fio, e esquecem primeiro os seus ofícios e depois, receosos de perderem as benesses a que estão habituados, empregam os mais absurdos métodos em defesa de suas prerrogativas. A indisposição ao diálogo, pela intolerância demonstrada, ao que parece, não é “privilégio” do governador. Há, por certo, meios civilizados para ir-se à busca do entendimento. Se os sindicalistas preferiram a agressão gratuita é porque são mais afeitos às práticas violentas do que ao diálogo, vestem a camisa de um programa político arcaico e se mostram distantes das novas formas de realização da política, exigência deste novo século, que já segue em sua segunda década.
Não estou, de modo algum, defendendo o governador Camilo, pois, por não ser eleitor do Amapá, nele não votei. Pelo contrário, acho até que ele tem a sua parcela de culpa quanto à violência praticada, pois, acredito que lhe faltou habilidade para deixar bem claro aos professores que a incorporação da “regência” era um benefício para eles. Depois, onde estava o serviço de inteligência do governo que não se antecipou à ação dos baderneiros?
Eu espero que depois dessa descabida e incivilizada demonstração de intolerância, o governador e o Sindicato consigam conviver em paz, cada um, com suas competências, trabalhando em prol de uma Educação que de fato favoreça ao povo amapaense, que forme cidadãs e cidadãos dignos e capacitados a enfrentarem com aprofundados conhecimentos as exigências que esses novos tempos.
Amanhã, 1º de maio, é o Dia do Trabalho. Melhor seria se fosse o dia do trabalhador, afinal, a viga mestra dessa coisa chamada progresso são as mãos calejadas do homem, lembrado somente no momento da elaboração dos discursos.
A toda trabalhadora e a todo trabalhador, desse país, as homenagens do blog! E que mais do que se conceder um feriado, se conceda ao trabalhador salário digno, boas condições de trabalho, que os governos tomem doses de coragem para por fim à exploração do homem pelo homem.
A música para este final de semana é de uma talentosa banda surgida no Recife no início dos anos 1970, não reconhecida, lamentavelmente, pela chamada grande mídias, aliás, como não é reconhecido todo grande talento, nesse país. As vozes se juntam de forma tão brilhante, que dá vontade de ficar ouvindo por horas a fio. Senhoras e senhores, a música para este final de semana é “Telha Nua”, com a Banda de Pau e Corda.
Nesta semana, comemorou-se o “Dia da Ex”, o que me chamou a atenção, pelo inusitado da coisa. Ao menos, inusitado para mim. A ideia surgiu na Inglaterra, com o objetivo de ajudar uma instituição chamada Exército da Salvação e para isso foi lançada uma campanha intitulada “Que pena que acabou, mas já que acabou, doe”. Consiste em as pessoas doarem os presentes recebidos de suas ex-namoradas ou ex-namorados para ser distribuído entre as necessitados. Há um componente humanitário na campanha, há de se reconhecer.
Mas, independente, dos objetivos da campanha, ficou uma pergunta na minha cabeça: haverá quem guarde presentes dados por ex-namoradas, ex-amantes, ex alguma coisa? Para mim, que sou de outros tempos, guardar essas coisas, me parece, ser vontade de sofrer por algo que já chegou ao fim. E se chegou ao fim para que se dar ao sofrimento?
As questões do amor se forem bem resolvidas, ótimo. Se não, o melhor é começar a resolver, a fim de evitar que se perca tempo, saúde e disposição com coisas infrutíferas. Se bem que pelo que tenho observado, ninguém mais sofre por amor, como nos velhos e bons filmes mexicanos. A juventude, hoje, vê os relacionamentos pelo verbo “ficar”, que não necessariamente é movido por algum sentimento. Logo, não sei se haverá um ou uma “ex” e mais se haverá algum presente para ser descartado. Se estiver escrevendo besteira, os jovens que me desculpem.
Agora, voltando à campanha, é uma forma de ajudar nos dois sentidos, não há dúvida, de um lado ajuda alguém se desapegar de algo irremediável, de outro, oferece conforto a um necessitado, e como os temos nesse mundo. Acredito que seja, portanto, uma campanha beneficente, solidária, humanitária. Mas, não espere o “Dia da Ex” para se livrar dessas “tralhas”, que é o que vira presente que nada mais representa. Só não vale dar retratos 3x3, bilhetes em páginas de agenda, essas coisas... (risos).
E você o que acha das comemorações do “Dia da Ex”? Seja como for, eu desejo que o seu fim de semana seja olhando para o futuro, ao lado o seu amor, que, como escreveu Vinicius, “Seja eterno, enquanto dure!”
O Brasil ainda vive reminiscências de um período autoritário, quando sevícias eram aplicadas aos menos favorecidos, como demonstração de poder. O maior exemplo foi o trote aplicado aos calouros do curso de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – no início desse mês, conforme publicou hoje o jornal O Globo.
O absurdo, para piorar, foi praticado com o patrocínio de uma marca de cerveja, dentro do campus na Ilha do Fundão. Para a realização do fato, foi contrata a empresa TGF eventos, segundo informa o jornal, que, após os maus tratos aos jovens, publicou em sua página no Facebook fotos que mostram alunos carregando placas do mais profundo mau gosto, com inscrições do tipo: “viadinho tatuado”, “chifruda”, “filha do demo” e outras impublicáveis.
A empresa, em resposta a O Globo, informou ter fornecido apenas camisetas, canecas e passado contatos de possíveis patrocinadores. A Faculdade de Medicina disse que abriu sindicância para identificar os responsáveis, a fim de tomar providências de acordo com o Código Disciplinar da UFRJ.
É, não dúvida, uma barbárie! E deixo a pergunta, como esses futuros médicos cuidarão de vidas humanas, se têm o espírito da tirania?
A prefeitura proibiu que moradores do Jardim Pernambuco, lugar de bacanas na Zona Sul carioca, usem cones nas ruas onde moram para reservar as vagas de seus carrões.
Parece que li mal, não sei. Afinal, se os caras são bacanas, possuem carrões e os deixam na rua, é para se pensar que os suntuosos edifícios, onde eles moram, não tem garagem. É isso? Se for, acho que esses bacanas andam meio decadentes.
Essa semana, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) publicou no Twitter que ele havia visto uma rede de supermercados anunciar o preço do tomate a um pouco mais de R$ 2, e perguntava se as revistas iriam por na capa a noticia.
Segundo eu aprendi, no meu curso de jornalismo, “o cachorro morder o homem não é notícia e, sim, o homem morder o cachorro”. Pois é, o estratosférico preço a que chegou o tomate foi notícia e das mais alarmantes, porém, a redução, por mais significativa que venha a ser, não é notícia.
Acho que um dos assessores de comunicação do deputado deveria alertá-lo sobre isso.
E o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano, agora, diz que só renuncia se o Partido dos Trabalhadores tirar da Comissão de Constituição e Justiça, também, da Câmara, os seus representantes, José Genuíno e João Paulo Cunha, que forma condenados pelo STF, por participarem do esquema do mensalão.
Sou contra a presença de Marco Feliciano na presidência da CDH, mas se é para se moralizar a Casa, tenho de admitir, ele está certo. Que se tire Genuíno e João Paulo da CCJ, pois, se é um acinte Marco Feliciano presidindo a CDH, a presença dos dois representantes do PT paulista na CCJ tem o mesmo significado.
A pérola que compartilho com vocês, hoje, está publicada, originalmente, no blog “Ana Elisa Poesias” (link ao lado), da minha amiga Ana Elisa, a quem deixo aqui os meus agradecimentos, pela generosidade com que ela sempre me trata. Vá visitar a minha amiga, ela tem uma criatividade incrível, seguramente, você vai gostar.
A música para este final de semana foi uma das últimas gravadas pelo Rei do Baião, a se considerar que Chico Mendes foi morto em dezembro de 1988 e ele, em agosto de 1989. Pela letra, pode-se observar que a preocupação com o meio ambiente não é tão recente, quanto, de repente, se possa pensar. A música para este final de semana é um xote que chama a atenção para o que poderá acontecer com o Homem e o que está em volta dele, se é que já não está acontecendo. Senhoras e senhores, a música para este final de semana é “Xote Ecológico”, com Luiz Gonzaga.
Não posso respirar, não posso mais nadar A terra está morrendo, não dá mais pra plantar E se plantar não nasce, se nascer não dá Até pinga da boa é difícil de encontrar.
Cadê a flor que estava aqui? Poluição comeu. E o peixe que é do mar? Poluição comeu E o verde onde é que está? Poluição comeu Nem o Chico Mendes sobreviveu
Li, no Facebook, essa semana, uma frase, que não me recordo quem colocou por lá, bem interessante, ao menos, eu achei. Dizia mais ou menos o seguinte: “Há sempre uma música para acalentar o meu estado de espírito, como quer que ele esteja”. Gostei dessa declaração, porque também sou assim, há sempre uma música para embalar o meu astral, que nem sempre está nas alturas.
Por exemplo, quando começo escrever, preciso de música. Mas, aí, tem de ser orquestrada, senão a letra me tira a concentração e viajo para ilhas diferentes e o assunto, que era o meu objetivo, se perde em altas ondas de um mar revolto. Assim, a música orquestrada serve de para ninar as minhas ideias, que fazem a viagem do meu cérebro para as pontas dos dedos, com mais rapidez.
A música é uma companheira que viaja comigo, sem preconceitos, sem predileções. Por isso, tenho uma dificuldade enorme para escolher uma que me sirva de trilha sonora a algum momento especial. Aliás, não costumo escolher uma música para nada, elas é que se escolhem para me fazer companhia. A música para o final de semana, por exemplo, sempre penso em uma e termino por postar outra. É a vontade delas se impondo! Resta-me somente aceitar a decisão.
Não me lembro de quando comecei a ter contato com a música, acho, mesmo, que foi quando ainda estava na barriga da minha mãe, pois, meu pai gostava de cantar, ainda que ele não fosse um cantor. Mas, me recordo de como ele gostava de nos embalar o final da tarde, início da noite, com suas músicas. Acho que foi daí que veio a minha paixão por ela, pela música.
Há um detalhe, porém, nessa minha paixão pela música. Sou o sujeito mais desafinado que Deus mandou pra cá. Se bem que pensando melhor, o fato de não saber cantar me fez um ouvinte mais atento, mais apaixonado e sem os preconceitos a que me referi há pouco.
Lembro-me ainda que, na minha juventude, os cinemas de Macapá exibiam com certa frequência musicais, que me ficaram nos pensamentos para sempre. Faz um bom tempo que não vou ao cinema, por preguiça, comodismo ou medo de sair de casa, sei lá... Por isso, não sei se os cinemas ainda exibem musicais, mas, como eu gostava! “Dançando na chuva” e “Noviça Rebelde”, acho que são os que mais me marcaram. O certo é que música e cinema fazem uma dupla extasiante.
A música faz par invejável com um bom bocado de outras situações, acontecimentos e ideias. A sempre uma para embalar o nosso ânimo, como foi escrita a frase, publicada no Facebook. E todas, em todos os momentos, mexem com o que há de mais recôndito nos nosso pensamentos e com os escaninhos do coração.
E você tem preferência por alguma música? Seja como for, eu desejo que o seu fim de semana seja um verdadeiro musical, no qual você possa exibir as suas qualidades de um bom cantor ou de um bom dançarino, tanto faz.
Sinceramente, não gosto de repercutir insensatez, mas, como ela se agiganta de tal forma que assusta, me vejo obrigado a voltar ao assunto. E a insensatez que me assusta atende pelo nome de deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que, aliás, não sei se é mais pastor do que deputado ou mais deputado do que pastor. O certo é que as atitudes do nada nobre presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados não se coadunam com comissão que ele preside.
Na semana passada, ele desancou seus antecessores, na dita comissão, chamando-os de “satanás”, para depois sua assessoria emitir nota dizendo que ele falou como pastor e não como deputado. Acontece que é preciso dizer ao deputado e seus assessores que, quando alguém é eleito para algum cargo, ele assim o é pelas 24 horas do dia, pelos sete dias da semana. Portanto, mesmo no púlpito de algum templo, o senhor Marco Feliciano continua a ser deputado, eleito pelo povo de São Paulo.
Outra atitude insensata do deputado foi a proibição da presença de populares nas audiências da Comissão de Direitos Humanos. A Câmara dos Deputados é a Casa do Povo e o deputado Marco Feliciano não pode se arvorar o direito de proibir quem quer seja nas dependências daquela Casa. É um franco e acintoso desrespeito com o povo brasileiro, que precisa ser banido pela Presidência da Câmara.
Esse negócio de dividir as pessoas em discípulas de Cristo e seguidoras do satanás é a mais categórica demonstração de exacerbação religiosa. E o “fundamentalismo”, que é a que leva essa exacerbação, tem se mostrado, mundo a fora, um emblemático difusor do ódio e da intolerância, que é radicalmente contra a pregação verdadeira de qualquer religião, que são o amor e a compreensão.
O deputado Marco Feliciano, repito, é o homem errado, no lugar errado!
ÔNIBUS DESPENCA DE VIADUTO E MATA SETE PASSAGEIROS
Por mais de uma vez, já comentei aqui sobre a precariedade do transporte coletivo, na cidade do Rio de Janeiro. São ônibus velhos, mal conservados, sujos, com poltronas incômodas, enfim, um rosário de maus serviços. Dirigidos, o que é pior, por condutores mal treinados, intolerantes, mal-educados, desrespeitosos. Era, portanto, de se esperar que esse conjunto de desqualificações levasse ao que aconteceu na terça-feira, com o ônibus da linha 328 (Bananal – Castelo).
Segundo passageiros, ouvidos pela imprensa, como o motorista não parou em ponto solicitado por um passageiro, teve uma discussão entre os dois, que terminou com a agressão pelo passageiro ao motorista, o que levou o ônibus ficar desgovernado, precipitando-se de altura calculada em 10 metros, matando sete pessoas e ferindo mais de uma dezena de outras.
Resumo da ópera, a falta de treinamento e de educação do motorista levaram à morte pessoas que não tinham nada a ver com o entrevero entre ele e o passageiro. Se poderia ser evitado o desastre? Não há dúvida que sim, bastava ao motorista, inicialmente, ter parado no ponto que o passageiro pediu e se lá não podia, que, ao vê-lo ensandecido, parasse imediatamente, deixasse o rapaz descer e anotasse a ocorrência, pedindo o auxílio dos demais passageiros, como seus testemunhas ou algo semelhante, nesse sentido. O problema está, também, na intolerância da empresa proprietária do veículo e da autoridade policial que não aceitam qualquer justificativa para que o coletivo seja parado fora dos pontos determinados. Aí, dá no que deu!
Nos dias seguintes, o Sindicato que representa as empresas emitiu nota, segundo jornais, para dizer que os motoristas receberão treinamento necessário para evitar que o nefasto acontecimento venha se repetir. Deus permita que as mortes dos sete passageiros sirva, ao menos, para que as empresas se conscientizem de que há uma enorme necessidade de se ter condutores devidamente treinados e orientados para o melhor serviço possível. Afinal, o povo paga pelas passagens e paga bem, a se considerar os benefícios que elas recebem.
O empresariado brasileiro, eu não sei se é mau caráter ou mal intencionado, a verdade é que, por longos anos, ele reclamou dos altos impostos que encareciam os automóveis. O governo, desde o ano passado, reduziu e muito o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – que era o motivo de maior reclamação da categoria, no entanto, o preço dos carros não foram reduzidos nas mesmas proporções e, pelo contrário, nos últimos meses, foram aumentados em quase 4%.
O preço dos carros continua a subir sem que ninguém dê ao consumidor a menor explicação do que leva a esse verdadeiro vilipêndio. E é para se considerar que o preço do carro brasileiro é altíssimo, o que descarta a possibilidade da chamada “nova classe média” ter condições de adquirir um, mesmo os propalados “populares”.
Pois é, o governo brasileiro desonerou os automóveis, que não é coisa de classe média, mas concedeu aumento aos remédios em até 6,31%. Como pode? Remédio, esse, sim, é coisa da chamada “nova classe média”, que convive com pressão alta, problemas de triglicérides, colesterol e diabetes, além de outras mazelas.
Eu me recordo que, durante os anos da ditadura, havia uma montadora que todo semestre anunciava prejuízo, entretanto, nunca abandonou o país. Anos depois, porém, com a abertura dos porões, soube-se que o presidente da tal montadora financiava a polícia do estado, com a doação de automóveis e transferência de lucros à matriz, com esquemas sub-reptícios. Não, eu não inventei essa história. Ela foi publicada nos grandes jornais e nas principais revistas do país.
Ah! Eu tenho um carro novo, é verdade. Mas, comprei com financiamento do Banco do Brasil e é um modelo sem luxo, de baixa cilindrada, mas, com um preço bem salgado.
Elza Fraga Preferia ser alto mar, não água mansa da costa batendo na areia,
em bravatas lambendo rochedos.
Só uma onda perdida no meio do oceano,
sem medo, sem planos, sem enredo.
Só o ir e vir constante beijando o sono dos navios
espalhando a lua cheia.
A pérola acima foi publicada, hoje, pela autora, a minha amiga Elza Fraga, em sua página no Facebook. À Elza, o meu muitíssimo obrigado, pela compreensão e pelo carinho de sempre. A Elza publica ainda os seus versos, em seu blog, cujo link está ao lado.
A música para este fim de semana é um passeio nos anos 1960, quando os grandes boleros faziam fundo musical às declarações amorosas, levavam os casais a dançarem agarradinhos e com um mínimo de movimento... Boleros que provocavam suspiros e viagens às nuvens! O intérprete do bolero escolhido para ser a música para este final de semana enfrentou a “jovem guarda”, as baldas internacionais que tomavam conta das rádios à época e, mesmo assim, impôs a sua música, com uma voz peculiar e de rara beleza. Senhoras e senhores, a música para este final de semana é “Que Queres Tu de Mim”, com Altemar Dutra.
Na quarta-feira, minha filha fez aniversário, então, um monte de coisas me passou pelo pensamento. Desde a lembrança de quando ela era apenas um bebê, minhas andanças por esse Brasil, os amigos que fiz e deixei por vários cantos e por aí vai... E como isso é bom! Faz a gente se convencer de que tem história vivida e para contar.
Pensando nisso, vem a pergunta, por que cada um de nós não tem um livro escrito, desde o primeiro dia de vida até o seu final? Evidentemente, escrito por nós mesmo para que não houvesse suposições, especulações, concessões. Seriam as versões oficiais, sem direito a exageros ou omissões, escritas de forma simples, assim como, simples é a vida.
Deveríamos para isso ter o direito de receber, ao nascermos, o material necessário da melhor qualidade, para que esse livro pudesse ser perene, mas, ao mesmo tempo, fosse escancaradamente aberto, a fim de que todos tivessem a possibilidade lê-lo quantas vezes quisessem.
Sei que muita gente discordará desse meu desejo, sobretudo, alguns políticos que vivem buscando os cantos escuros para agir. Mas, como os livros deles não poderiam ser apagados e estariam permanentemente abertos, iríamos encontrar páginas em branco, borradas ou manchadas de vermelho-sangue.
Quem, algum dia, não gostaria de rever a sua própria história? Seguramente, muito orgulho isso nos causaria, embora, é, muito possível, algumas páginas nos matassem de vergonha, por nossas omissões, nosso apego à matéria, nossa falta de generosidade, nosso distanciamento do Criador.
O legal seria que ao lermos os livros dos outros, muito aumentaríamos a nossa sabedoria, pois, a cola, nesse caso, seria permitida. E outra coisa, a principal operação aritmética que aprenderíamos seria a divisão, tão complicada, certas horas, à cabeça de alguns.
Dei asas à minha imaginação e quase esqueci o que me fez começar essa conversa, o aniversário da minha filha. Então, que Deus permita que ela seja sempre uma pessoa alegre, estudiosa, positiva, serena e possuidora de tantas outras virtudes, que tem mostrado a cada dia.
Mas, essa história do livro, para escrevermos a nossa própria, continua a me martelar as ideias. E você o que acha de haver um livro assim? Seja como for, eu espero que o seu fim de semana seja de muitas histórias alegres. E que você possa viver a verdadeira Páscoa da Ressurreição.
Chegou ao fim mais uma edição do programa “Big Brother Brasil”, transmitido pela Rede Globo, nos três primeiros meses dos últimos 13 anos, com a participação de anônimos, que viram celebridades do dia para a noite.
A ideia de expor pessoas à admiração ou execração pública, como queiram, cada um, entender, foi baseada no livro “1984”, de George Orwell, que mostra um país coberto de câmeras, o que faz com que o presidente, chamado de o Grande Irmão (Big Brother) possa ver o que se passa no interior da casa de todos, o tempo todo. Há quem discuta, entretanto, a relação do programa com o livro.
Mas, o Big Brother, como todo programa de televisão, gera debates, até acalorados, o que, no meu entender, é o exercício escrachado da Democracia. Diz-se o que se acha, elogia-se, critica-se... Afinal, ideias podem até ser convergentes, jamais iguais.
Agora, me parece, um pouco de masoquismo de parte algumas pessoas, quando se dispõem a assistir ao programa para depois saírem esbravejando contra ele. Não que o debate não seja bom, pelo contrário, acho até bastante saudável. Mas, se não me agrada, por que assisti-lo?
Parece exagero, mas ouvi gente falando que o programa só ensina coisas ruins, que contraria todo e qualquer princípio do que seja família e outras sandices...
É fundamental lembrar que assistir a qualquer programa é uma escolha livre e inalienável de qualquer cidadão. Entretanto, ao que parece, as pessoas ainda não adquiriram o hábito de usar o bendito “controle remoto”. Seu uso é rápido, fácil e não engorda, desde que usado com moderação.
O PASTOR E A COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA CÂMARA
O pastor/deputado Marco Feliciano (PSC-SP) tem comido do pão que o diabo amassou, desde que assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, devido as afirmações que fez, em relação à comunidade LGBT, aos negros e às mulheres.
As palavras do deputado mostram a sua intolerância, pelo que se pode dizer que ele é o homem errado no lugar errado. Todavia, ele não se auto- entronizou na presidência da CDHM, nem se proclamou deputado federal, pelo estado de São Paulo. Primeiro, ele foi eleito democraticamente (às vezes, isso me assusta) deputado e como tal foi escolhido para presidir a Comissão (mais uma vez, democraticamente. Ai, meu Deus!).
Essa semana, pude assistir ao pastor, ou melhor, ao deputado mostrar a sua intolerância ao mandar a Polícia da Câmara prender um cidadão, por tê-lo chamado de “racista”. Disse o deputado que sua determinação respaldava-se em artigo do Código Penal e que o cidadão teria de provar a acusação que fez.
Muito bem! Consideremos que o deputado/pastor esteja certo. Mas, em sendo assim, cabe a questão, por que, então, ele está solto, depois de ter proferido as escatologias, contra aqueles que a Comissão, que ele preside, tem por objetivo, conforme denúncias nos mais diversos meios? Na verdade, o deputado Marco Feliciano, assim como, uma pá de seus pares, se abriga sob a discutível imunidade parlamentar para despejar sobre o eleitor a sua arrogância, prepotência, o seu desrespeito ao semelhante, para ficar no mínimo. E o pior, invocando o nome de Deus, como ele fez, quando mandou prender o rapaz que realizava o protesto, na sala da Comissão.
Definitivamente, o deputado Marco Feliciano não pode ser a pessoa dignamente indicada para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minoria, da Câmara dos Deputados, não por ele, mas, pelos objetivos que a Comissão encerra.
Diante das polêmicas criadas pelo deputado Marco Feliciano (PSC-SP) e a divulgação de que igrejas estão criando, dentro do Congresso, uma “bancada evangélica”, o que muito me preocupa, procurei saber o quer dizer “Estado Laico”. Pois, se a nossa Constituição diz que o país não tem uma religião oficial, a criação da tal “bancada evangélica” pode vir a ser uma tentativa de os fundamentalistas, de alguma forma, tomarem conta do Estado brasileiro. O que seria um retrocesso ímpar, depois de a promulgação da Constituição, em 1988, que ficou conhecida como “cidadã”.
E, como resposta à minha pergunta, encontrei o texto abaixo, publicado pelo Observatório da Laicidade do Estado – “OLÉ”, que integra o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos – NEPP-DH -, do Centro de Filosofia e Ciências Humanas – CFCH, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. E para quem se interessar por mais informações, o endereço na internet é o seguinte: www.nepp-dh.ufrj.br/ole.
O ESTADO BRASILEIRO É LAICO?
É difícil responder à pergunta em termos de "sim" ou "não". A laicidade não existia no tempo do Império, já foi maior no início do período republicano, pelo menos na educação pública, e é hoje maior do que naquela época na legislação sobre a família. É como a democracia. O Estado brasileiro é hoje mais democrático do que foi em qualquer momento do passado, mas há muito, muito mesmo a fazer para ampliar a democracia. Já houve recuos, mas os avanços prevalecem.
Em suma: o Estado brasileiro não é totalmente laico, mas passa por um processo de laicização.
Na sua formação, o Estado brasileiro nada tinha de laico. A Constituição do Império (1824) foi promulgada por Pedro I "em nome da Santíssima Trindade". O catolicismo era religião oficial e dominante. As outras religiões, quando toleradas, eram proibidas de promoverem cultos públicos, apenas reuniões em lugares fechados, sem a forma exterior de templo. As práticas religiosas de origem africana eram proibidas, consideradas nada mais do que um caso de polícia, como até há pouco tempo. O clero católico recebia salários do governo, como se fosse formado de funcionários públicos. O Código Penal proibia a divulgação de doutrinas contrárias às "verdades fundamentais da existência de Deus e da imortalidade da alma". Os professores das instituições públicas eram obrigados a jurarem fidelidade à religião oficial, que fazia parte do currículo das escolas públicas primárias e secundárias. Só os filhos de casamentos realizados na Igreja Católica eram legítimos, todos os outros eram "filhos naturais". Nos cemitérios públicos, só os católicos podiam ser enterrados. Os outros tinham de se fingir católicos ou procurarem cemitérios particulares, como o "dos ingleses" (evangélicos), no Rio de Janeiro.
A situação de hoje é bem diferente daquela, mas ainda está longe de caracterizar um Estado laico. As sociedades religiosas não pagam impostos (renda, IPTU, ISS, etc) e recebem subsídios financeiros para suas instituições de ensino e assistência social. O ensino religioso faz parte do currículo das escolas públicas, que privilegia o Cristianismo e discrimina outras religiões, assim como discrimina todos os não crentes. Em alguns estados, os professores de ensino religioso são funcionários públicos e recebem salários, configurando apoio financeiro do Estado a sociedades religiosas, que, aliás, são as credenciadoras do magistério dessa disciplina. Certas sociedades religiosas exercem pressão sobre o Congresso Nacional, dificultando a promulgação de leis no que respeita à pesquisa científica, aos direitos sexuais e reprodutivos. A chantagem religiosa não é incomum nessa área, como a ameaça de excomunhão. Há símbolos religiosos nas repartições públicas, inclusive nos tribunais.
A expressão Estado laico não consta da constituição de 1988, mas parte de seu conteúdo pode ser encontrado nela: entre as interdições à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, está a de
"Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-las, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público."
Assim formulado, o texto constitucional permite associações entre o Estado e instituições religiosas que, se não interdita consciência e crença, privilegia uns credos em detrimento de outros, e, mais ainda, privilegia os crentes diante dos não crentes em matéria religiosa.
O Estado brasileiro tem tratados com o Vaticano, ente estatal da Igreja Católica, em matérias como a capelania militar, além de concordatas implícitas, como a que mantém o laudêmio. Este é um resquício do direito medieval, que persiste até hoje no Brasil. Ele consiste numa taxa que o proprietário de um imóvel tem de pagar anualmente (foro). Além disso, cada vez que o imóvel sujeito ao laudêmio é vendido, tem-se de pagar uma taxa calculada à base de 2,5% a 5,5% do valor da transação - chega a ser maior do que o imposto de transmissão devido à Prefeitura Municipal. Além da família imperial, dioceses da Igreja Católica e irmandades religiosas beneficiam-se do laudêmio nas áreas centrais das cidades mais antigas do país. Se as Igrejas Evangélicas não recebem recursos do laudêmio, beneficiam-se de outros privilégios, como as concessões de emissoras de rádio e televisão, além de acesso a recursos públicos para atividades assistenciais e educacionais. O art. 150 da Constituição proíbe a criação de impostos federais, estaduais e municipais sobre "templos de qualquer culto".
Durante a preparação da visita do papa Bento XVI, em maio de 2007, o Vaticano pressionou o governo brasileiro a assinar um pacto para consolidar os privilégios da Igreja Católica, assim como para estabelecer outros, como o livre acesso às terras indígenas, para ação religiosa. Naquela ocasião, denúncias de entidades laicas e matérias na imprensa, de que um acordo secreto estava sendo elaborado, frustraram a iniciativa, que, aliás, recebeu a rejeição do Presidente da República, que afirmou ser "o Brasil um Estado laico". No entanto, os entendimentos continuaram, secretamente, e culminaram na assinatura da Concordata, em Roma, em novembro de 2008. O texto encontra-se no Congresso Nacional para ser homologado ou rejeitado.
Nesse processo de construção do Estado laico, há avanços e recuos. Aqui vão dois exemplos. Primeiro, dois exemplos de avanço seguido de recuo. A Constituição Republicana de 1891 determinava que fosse laico o ensino ministrado nas escolas públicas, mas a aliança do Governo Vargas com a Igreja Católica fez com que o ensino religioso voltasse às escolas públicas, mediante decreto, em 1931, e por determinação constitucional, em 1934. Desde então, todas as constituições prevêem o ensino religioso nas escolas públicas, um retrocesso. Vamos a outro. As duas Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961 e 1996) foram promulgadas com uma cláusula que proibia o uso de recursos públicos para o ensino religioso nas escolas públicas - um avanço na direção da laicidade do Estado. Mas, essa cláusula foi retirada das duas leis, pelo mesmo Congresso que as promulgara, por causa da pressão da Igreja Católica - outro recuo na laicidade. Agora, um exemplo de avanço da laicidade do Estado, este bem consolidado. Apesar da longa e sistemática oposição do clero da Igreja Católica contra a possibilidade legal de dissolução da sociedade conjugal, o divórcio foi instituído, por lei do Congresso Nacional, em 1977. Neste caso, a moral coletiva foi retirada da tutela religiosa, portanto, houve um avanço no processo de laicização do Estado que refletiu a secularização da Sociedade.
O Senado Federal aprovou na terça-feira, 26, a Proposta de Emenda à Constituição que garante aos trabalhadores domésticos os mesmo benefícios dados aos trabalhadores urbanos e rurais.
As novas regras estabelecidas garantem, entre outras coisas, jornada de 44 horas semanais, pagamento de horas extras e adicional noturno. O recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS – ainda precisa ser regulamentado, mas outro benefício concedido à categoria.
As empregadas domésticas, sobretudo as que dormem no emprego, precisavam dessa regulamentação, a fim de que fossem protegidas das “patroas” exploradoras. Há exemplos de mães que acordam as babás, na madrugada, para cuidar dos bebês, o que era uma afronta à cidadania. Agora, essas mamães “folgadas” terão de ou pagar adicional noturno às empregadas ou levantar e ir cuidar de seus filhinhos.
Mas, há um dado interessante, no entanto, quanto ao fato. É que representantes da categoria têm se mostrado preocupados com o possível alto índice de desemprego, que a medida poderá provocar. Haja vista, patroas verem-se obrigadas a demitir empregadas, por não poderem arcar com as despesas que os benefícios irão provocar.
É um problema social, não dúvida, que merece uma boa conversa entre patrões e empregados, porquanto o trabalho doméstico, no meu entender, não se trata de uma relação de capital e trabalho, como qualquer outra. Há a questão afetiva, os “favores” concedidos, os acertos entre as partes que vão além de uma mera prestação de serviço. Quantas patroas pagam colégio de filhos de empregados, por exemplo? E esse é um fato repetido pelo país a fora, que merece alguma reflexão.
De qualquer modo, nem tudo eram flores nessa relação, e a regulamentação do serviço dos trabalhadores domésticos fará bem aos patrões, aos empregados, em particular, e ao país.
As chuvas em Petrópolis-RJ, nos últimos dias, voltaram a deixar vítimas fatais, pessoas desabrigadas e desalojadas, comércio tomado pelas águas, enfim, um enorme rastro de prejuízos. E junto com as chuvas, voltaram as promessas dos governos, as campanhas por ajuda aos flagelados, as ações de afogadilhos, que quase nada resolvem.
O volume de dinheiro, prometido pelo governo federal, nas duas últimas décadas, dá para construir uma nova cidade, com a construção de moradias para todos os atingidos, obras de contenção de encostas, indenização aos comercio e à indústria e um monte de outras ações de prevenção às enchentes.
Infelizmente, a quantia trombeteada, pelos ministros e presidentes, se chegaram aos cofres do estado e da prefeitura, ninguém sabe, ninguém viu. O que se sabe e o que se vê é a repetição da tragédia todo ano. Por isso, a população de Petrópolis tinha a mais absoluta razão, quando, em seu protesto, afirmava que não precisava das orações dos governantes e, sim, de suas ações.
PORTO EM SANTANA, NO AMAPÁ, VAI PARA O FUNDO DO RIO
O Brasil é um despreparado, ponto! As tragédias, muitas delas passíveis de serem evitadas, repetem-se de Norte a Sul, sob as mais esfarrapadas desculpas.
Na noite de quarta-feira para quinta-feira, dessa semana, o atracadouro que recebe navios para o embarque de minérios em Santana, a 20 km, de Macapá, foi literalmente para o fundo, levando junto equipamentos e presumíveis seis pessoas.
foto: Ney Pantaleão
As primeiras informações dadas pelo porta-voz da empresa Anglous Ferrous, que usa o porto, foram a de que um pequeno tsunami, com ondas de até três metros, teria atingido a cidade, provocando o acidente.
O píer flutuante, cabe salientar, foi construído na década de 1950, pela ICOMI, a empresa que explorava as minas de manganês de Serra do Navio, hoje, um município do estado, e exportava para alguns países. Daí que há uma pergunta que carece de uma resposta concreta: ao longo desse período de quase seis décadas, foram feitas obras de manutenção do píer? Sinceramente, não acredito. Depois, tsunami em Macapá é a mais pura fantasia, ainda mais que, segundo informações que tive, a maré estava baixa e as ondas não atingiram outras partes da região. E para encerrar a comédia de erros, ao final da tarde de ontem, a Anglous Ferrous, ao se dar conta de que a história do tsunami era uma falácia, não prestou mais nenhuma informação, deixando a imprensa à míngua de qualquer informação, conforme divulgavam as rádios que podiam ser sintonizadas, via internet.
O governador do Amapá, Camilo Capiberibe (PSB), em nota, ontem, disse que cobrará apuração rigorosa do acontecido. O governador pode até cobrar, mas se elas serão realizadas é outra história. Enquanto isso, a família das vítimas que se danem!...
Aprendi a andar no mundo. Às vezes falado. Às vezes mudo.
Aprendi a cantar sem rumo. A andar sem prumo. A ver sem olhar... A enxergar.
Ver o mar. Enxergar sereias a cantar. Mesmo que não estejam lá. Mesmo que não acreditem nelas Minhas certezas não são cegas.
Na imagem que trago a mente Deixo germinar a semente Da imaginação que não acaba. Das verdades que as afaga.
Peço a meu próprio eu. Que não destrua o que é meu. Me faça crer que existo. Na mente de quem sinto. No sinto de quem sente. No sentido de quem não mente No crer no existente. De um lugar para andar.
Num sondar de memorias antigas. No fazer as lembranças presentes, No versar de fortes correntes... De ar.
No suspirar. No dançar de retinas a acompanhar As colinas de corpos... A bailar Um ballet sem fim.
Mas com um fim. O de sempre andar, Amar, Cantar as belezas de outrora. As franquezas de agora.
Que dizem...
Não demora! A chegar a bendita aurora, Do pensar. Sem pesar.
E cultivar O bem dizer. De palavras que sem sentido julgam hoje E enxergarão o sentimento amanhã.
Não me encaixo em um só lugar. Em todos devo estar. Não onipresente como um Deus Mas na memória de quem beijou os lábios meus.
O poema de hoje está publicado, originalmente, na página “Brasil, Poesias, Poetas e Escritores”, no Facebook. E o poeta Tadeu Alves, autor da pérola, tem várias obras publicadas na página, o que é uma demonstração da sua incansável criatividade. Ao Tadeu Alves, o meu mais sincero agradecimento.
A música para este final de semana, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, é a soma da inspiração de compositores da “velha guarda”, com a delicadeza de uma jovem voz. Aliás, cabe um comentário sobre um dos compositores, nascido na Glória, bairro colado da Lapa, no Rio de Janeiro, começou a compor para blocos carnavalescos ainda na infância. Nos anos 1940, conheceu Zé Keti, outro nome emblemático da música brasileira, anos depois estava na Portela e em seguida tornou-se frequentador do bar “Zicartola”, fundado por Cartola e sua mulher dona Zica, na Rua da Carioca, no Centro do Rio. Suas composições, quer feitas por ele sozinho quer com parceiros, são incontáveis, tornaram-se sucessos e foram gravados por inúmeros intérpretes. A música para este final de semana é uma homenagem às mulheres, feita com versos que cantam os sentimentos de um homem à espera de sua parceira, aqui interpretada por uma Mulher da nova geração, que brilha com o seu cantar. Senhoras e senhores, a música para este final de semana é: “Pressentimento”, com Roberta Sá, de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho.