Ernâni Motta


Poesia

Como prometido, aqui está a terceira parte do poema O Dia da Criação, de Vinicius de Moraes. Acho que vale à pena uma reflexão.

O DIA DA CRIAÇÃO

 

(Vinicius de Moraes)

 

Parte III

 

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do

                Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.

De fato, depois da Ouverture do Fiat e da

                divisão de luzes e trevas

E depois da separação das águas, e depois, da

                fecundação da terra.

E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos

                animais da terra

Melhor forma que o Senhor das Esferas tivesse

                descansado.

Na verdade, o homem não era necessário

Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo,

                que queres como as plantas, imovelmente

                e nunca saciada

Tu que carregas no meio de ti o vórtice

                supremo da paixão.

Mal procedeu o Senhor em não descansar

                durante os dois últimos dias



Escrito por Ernâni Motta às 12h56
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O Dia da Criação, continuação:

Trinta séculos lutos a humanidade pela semana

                inglesa

Descansasse o Senhor e simplesmente não

                existiríamos

Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos

                de partículas cósmicas em queda invisível

                na terra.

Não viveríamos da degola dos animais e da

                asfixia dos peixes

Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o

                pão nosso de cada dia

Não sofreríamos males de amor nem

                desejaríamos a mulher do próximo

Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil,

                imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.

Seria a indizível beleza e harmonia do plano

                verde das terras e das águas em núpcias

A paz e o poder maior das plantas e dos astros

                em colóquio

A pureza maior do instinto dos peixes, das aves

                e dos animais em cópula.

Ao revés, precisamos ser lógicos,

                freqüentemente dogmáticos

Precisamos encarar o problema das colocações

                morais e estéticas

Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e

                até praticar amor sem vontade

Tudo isso porque o Senhor cismou em não

                descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo

E para não ficar com as vastas mãos abanando

Resolveu fazer o homem à sua imagem e

                semelhança

Possivelmente, isto é, muito provavelmente

Porque era sábado.

Escrito por Ernâni Motta às 12h54
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Atentado à liberdade

            As denúncias de corrupção e tráfego de influência no governo do PT fez com que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovasse, às presas, um novo Projeto de Lei Eleitoral, que se não sofrer alterações, na Câmara Federal, e for promulgada antes do final do próximo mês, já valerá para as eleições de 2006.

            O problema é que, em nome da moralidade, incluiu-se no projeto a proibição da manifestação de outras pessoas, que não o candidato, durante os programas eleitorais, no rádio e TV, também, fica proibida a divulgação de resultados de pesquisas 15 dias antes do pleito e cria teto para doações de pessoas física e jurídica às campanhas.

            Proibir é sempre uma expressão perigosa e atentatória à Democracia. Ouve-se sempre queixas contra alguns artistas, por não declararem suas idéias políticas, e agora quer se calar os que o fazem? Será que a presença de outras pessoas, que não o candidato, nos programas, de fato, deturparia os programas dos partidos? Só os candidatos são, realmente, capazes de falar por eles próprios e pelos partidos? Não sei...

Quanto à divulgação de pesquisas, leiam o que disse o ministro Carlos Velloso, presidente do TSE: - Isto sem dúvida é polêmico. A proibição pode ser acoimada de inconstitucional. Cai no direito constitucional de informação. O eleitor tem o direito de conhecer o candidato que está na frente. Para mim, isto basta.

E, por fim, teto para inibir o caixa dois é piada. Evidentemente que aqueles que o quiserem, reformularam seus métodos, com o objetivo de dificultar a ação da justiça, ou seja, o caixa dois não será, por isso, extirpado dos meios políticos.

Em nome de uma melhor qualificação das campanhas eleitorais, do jeito que o projeto foi apresentado, tenho minhas desconfianças se não caminhamos para um retrocesso. Voltaríamos aos tempos da Lei Falcão, o que só em pensar, chego a ter arrepios. Os desmandos de um governo não podem servir de base para um atentado à liberdade.



Escrito por Ernâni Motta às 12h49
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Denuncismo

            O depoimento do advogado Rogério Buratti ao Ministério Público foi interrompido pelo promotor Sebastião Sérgio da Silva para divulgar aos jornalistas o que ouvira do depoente contra o ministro Antonio Palocci. Disse o promotor que Buratti teria acusado o ministro de receber, mensalmente, R$ 50 mil, como propina, quando era prefeito de Ribeirão Preto-SP, que seriam repassados ao PT.

            A atitude do promotor fez o dólar disparar, a bolsa cair e o risco país dar um salto, ou seja, a economia brasileira, que já é, por si só de uma fragilidade sem tamanho, ganhou uma contribuição a mais para mostrar aos investidores que ainda estamos muito longe da tão sonhada estabilidade.

            Se a intenção do promotor era a de desmontar a política econômica brasileira quase ele conseguiu. Governistas e oposição pediram uma manifestação urgente do ministro, quanto às acusações, o que, após sua divulgação, acalmou um pouco o mercado.

            A onda de denuncismo, com a tal da “delação premiada”, tem ganhado proporções preocupantes. Tudo, absolutamente tudo, deve ser investigado, apurado com o rigor que se fizer necessário, mas, sair alardeando informações que ainda carecem de aprofundamento das investigações em nada contribui. A fala do promotor foi, no mínimo, precipitada ou será que ele tinha alguma coisa particular contra o ministro?

Escrito por Ernâni Motta às 12h46
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O PAPO É...

Samba! 

                                       foto: Felipe Kbritto

                 Claudinho Guimarães, Dona Gina e Ernâni

 

Nesta semana, a família e os amigos reuniram-se para comemorar o aniversário de Claudinho Guimarães. Foi a mais autêntica roda de samba, numa conceituada reunião de bambas. Estavam lá Evandro Sete Cordas, Helinho do Cavaco, Paulinho Mocidade e uma penca de gente que faz e canta samba, porque sabe.

            .Foi, em meio a esta festa, que rolou um papo pra lá de agradável, interrompido dezenas de vezes, por motivos óbvios, com este flamenguista de Mal. Hermes, morador de Campo Grande há seis anos e fã incondicional de Zeca Pagodinho.

Claudinho Guimarães é músico, compositor, arranjador, professor de cavaquinho e filho da dona Gina – uma cantora da noite, como tantas que vivem correndo atrás de uma oportunidade neste Brasil.

- Como minha mãe cantava na noite, acredito que descobri o samba, quando ainda estava dentro dela – diz o bem-humorado Claudinho. Mas, a carreira de sambista iria aguardar um pouco, porque antes ele iria tentar mostrar também que sabia fazer gols. E foi treinar no time do Botafogo, cujo campo de treinamento, à época, ficava lá em Marechal. Para sorte do samba, uma contusão selou a carreira do “futuro craque”.

Entediado, já que a carreira de jogador foi interrompida, um dia, convidou o amigo que morava em frente à sua casa para aprenderem tocar algum instrumento e teve como resposta: - Meu pai tem um cavaquinho, se você quiser lhe empresto. Assim, começava o encontro de Claudinho com a música para nunca mais se separarem.

Hoje, com mais de 70 composições catalogadas, Claudinho Guimarães já acompanhou os mais diversos deuses da música popular brasileira, como, Luis Carlos da Vila, Serginho Meriti, Monarco, Alcione, Walter Alfaiate, Dona Ivone Lara, e seu ídolo Zeca Pagodinho. Aliás, a idolatria é tanta, que quando lhe perguntei, quem você acha que canta, mesmo? Ele sem hesitar respondeu-me: - Zeca Pagodinho.

Dona Gina chega e o nosso papo começa a se encher de recordações. Ela conta que canta na noite há muitos anos, que, inicialmente, deixava o filho em casa, enquanto ia à luta. Depois, resolveu levá-lo para os locais, em que iria se apresentar... Claudinho, em meio a risos, interrompe a mãe para dizer: - Foi aí que o samba começou a bater dentro de mim. Dona Gina, então, sem esconder a emoção, me diz: - Para mim, a maior felicidade, foi o primeiro dia em que cantei, com meu filho me acompanhando.



Escrito por Ernâni Motta às 10h02
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continuação...

                                                 foto: Felipe Kbritto      

                  Claudinho Guimaraes, Godinho e amigos

 

Perguntei-lhe, Claudinho de onde vem a inspiração?

Ele, então, começa a cantarolar e fala em seguida: - Do samba de João Nogueira. É o “Poder da Criação” – diz, referindo-se ao título da música que cantarolou, lembrando do mestre, com uma certa dose de saudade, nas palavras.

Argumento com Claudinho que se sua mãe era cantora da noite e que se ele acredita que isto tenha sido a razão maior de ter optado pela música, por que o samba? Pois, quem canta na noite, tem de fazer de tudo, desde o mais rasgado bolero ao mais animado pagode. Ele me responde: - Ernâni, tudo é samba. Um bolero é samba... Diante do meu olhar de quem não estava entendendo nada, ele começa a cantar “Risque” de Ari Barroso, a bater no peito, fazendo a marcação, e repete: - Tudo é samba. Percebeu? É só você acelerar mais o ritmo e tudo vira samba, para soltar uma boa gargalhada. E continua: - O Samba já veio dentro de mim, está comigo, dentro de mim. Para mim, tudo é samba.

Como o vi, antes, tocando pandeiro, provoquei-lhe: - Claudinho, por que o cavaquinho e não o pandeiro? A resposta foi uma aula, encerrada com seguinte frase: - Quem toca pandeiro é sambista. O pandeiro é a divisão e o surdo é a marcação. Eu: - Entendi! E ele completou: - Toco cavaquinho, mas, também, toco pandeiro. Não precisa dizer que ele estava me afirmando que é um sambista.

E foi esse sambista que, em parceria com Serginho Meriti, compôs “Umas e Outras”, que integra o CD de Alcione, a ser lançado mês que vem, o que foi mais um motivo para aumentar a festa. Disse ele, modestamente, referindo-se ao fato do seu samba ser gravado pela Marrom: - Deu zebra! “Lá Vai Marola” está no DVD acústico, que Zeca Pagodinho lançou mês passado, também, é mais uma das composições de Claudinho Guimarães com Serginho Meriti.

A nossa conversa encerrou, com ele filosofando: - Todo leonino quando está vivendo uma grande dificuldade – Claudinho nasceu dia 17 de agosto – dá sempre um jeito de encontrar o caminho da vitória.                                              



Escrito por Ernâni Motta às 09h49
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Show

            Nilze Carvalho faz show de lançamento de seu último CD, amanhã, na Lona Cultura Elza Osborne, em Campo Grande, partir de 21 horas, acompanhada de sua banda. 

            Para quem está fora do Rio, semana que vem, conto como foi. E para quem está por aqui, vale à pena ir lá para conferir.

 



Escrito por Ernâni Motta às 09h08
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Teatro

            Neste sábado, a Rio de Janeiro Produções e Eventos, do meu amigo, Godinho, apresenta no Teatro de Itaguaí, “As Bondosas”, peça de Ueliton Rocon, a partir da 21 horas.

            Três carpideiras, Prudência, Angústia e Astúcia, velam o corpo de uma mulher, tida como pecadora e descobrem que estão prestes, na verdade, a sepultar os seus desejos mais íntimos, suas carências, sensualidade e, sobretudo, sua feminilidade. A repressão e a solidão, no universo feminino, formam o fio condutor da peça, que tem a direção de Cláudio Freyre e é protagonizada por Vilma Camarate que tem experiência também no cinema, Priscilla Angra e Bentaci Benac. 



Escrito por Ernâni Motta às 09h00
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Debate em O GLOBO

           Terça-feira, 16/08, O Globo promoveu o debate “Bastidores de Grandes Reportagens”, como parte das comemorações, pela passagem de seus 80 anos, com a participação de Angelina Nunes (subeditora da Editoria Rio), Antonio Werneck (repórter da Editoria Rio), Chico Otávio (repórter da Editoria O País), todos ganhadores de Prêmio Esso, por trabalhos realizados para o jornal, e Pedro Bial (apresentador do Fantástico, da Rede Globo), tendo como mediador Ascânio Seleme, editor executivo e também ganhador do Prêmio Esso, pela série “Riocentro”.

            Os debatedores por uma hora expuseram como são feitas as grandes reportagens, falaram das dificuldades encontradas e o que fazer para superá-las e acentuaram que para o sucesso de uma grande matéria fazem-se necessárias duas premissas: espírito de equipe, entre repórteres e editores envolvidos e a manutenção do segredo.

            Antonio Werneck, premiado pela matéria “Traficantes nos Quartéis”, entre outros destaques, falou do roubo de armas, por soldados e oficiais das Três Armas e repassadas aos criminosos. E como caso pitoresco, contou que o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, quando se encontrava escondido na Colômbia, ligou para a redação do Globo, pedindo para falar com o repórter, utilizando um telefone, com ligação via satélite. Disse ele: - Fiquei surpreso com a atitude do traficante e só depois descobri que ele usou um equipamento, que eu só tinha visto em Moçambique.

Angelina destacou que durante o preparo de “Homens de bens da Alerj”, que lhe valeu o Prêmio Esso, foram analisados cerca de 800 documentos que indicavam o aumento do patrimônio de 113 deputados estaduais. – Cruzamos centenas de informações, até descobrirmos que 27 deputados conseguiram aumentar o patrimônio pessoal em mais de 100%, entre 1996 e 2001 – afirmou.

O repórter da editoria O País, Chico Otávio, é ganhador em três oportunidades do Prêmio Esso, por “Sentenças suspeitas”, em que foi denunciada a participação de juizes e desembargadores na emissão de benefícios legais a condenados e suspeitos de ilícitos, “LBV, o Império da Boa Vontade” que mostrou que os executivos da Legião da Boa Vontade desviavam os donativos recebidos para viverem nababescamente, e, finalmente, “Riocentro” que contou o caso das bombas que explodiram no centro de convenções carioca, matando um sargento e ferindo um oficial do Exército, nos festejos do Dia do Trabalhador, há alguns anos.

Apresentador do Fantástico, Pedro Bial, encerrou os depoimentos, falando da sua experiência como correspondente da TV Globo, no exterior, quando teve a oportunidade de acompanhar a queda do muro de Berlim, o colapso do comunismo na Europa oriental, a partir da ascensão do sindicato Solidariedade, na Polônia, a Guerra do Golfo e a Guerra na Bósnia. Neste caso, contou que, em Sarajevo, após a morte de diversos jornalistas, as equipes de TV reuniram-se e decidiram trabalhar conjuntamente, a fim de evitar a morte de outros colegas. Isto sem a orientação das emissoras, que só depois foram informadas do acordo.

Na segunda hora do debate, foram respondidas perguntas da platéia, quando Angelina Nunes disse que a “paranóia” causada pela necessidade de não haver erros levou a equipe a dormir muito pouco e que, quando conseguiam dormir, tinham pesadelos. Werneck afirmou que o perfil dos criminosos no Rio mudou nos últimos 20 anos. Chico Otávio destacou sua experiência na cobertura da CPMI dos Correios, em Brasília. – A rapidez das novas tecnologias de comunicação tem alterado o trabalho dos repórteres, que são obrigados a atualizar constantemente as informações para preparar o jornal do dia seguinte – observou. E completou: - Hoje, o furo jornalístico não dura mais que cinco minutos. Pedro Bial, respondendo a um espectador sobre o medo de trabalhar numa zona conflagrada, disse: - É justamente esse sentimento que ajuda o jornalista a saber seus limites.

Os debatedores recordaram ainda do jornalista Tim Lopes, morto em 2002, por traficantes num morro, no Rio de Janeiro, quando fazia uma reportagem sobre a venda de drogas e a exploração de menores em bailes funk.

Escrito por Ernâni Motta às 13h29
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No mínimo...

Essas são do Tutty Vasques, no site NO MÍNIMO:

Boato
Michael Jackson não fez qualquer doação ao ‘Criança Esperança’.

Oportunidade
A TV Globo estuda nova versão de ‘Armação Ilimitada’ com a dupla Duda e Lula.


Multimídia
O pessoal que criticou Fernanda Karina na época em que a ex-secretária de Marcos Valério queria porque queria posar nua deve estar arrependido. Ela cismou agora de escrever um livro.



Escrito por Ernâni Motta às 10h03
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Debate em O Globo

            O jornal O GLOBO promove, hoje, com início previsto para as 19 horas, o debate Bastidores de Grandes Reportagens, em que jornalistas discutem os bastidores de reportagens no Brasil e no exterior, revelam histórias por trás da busca pela informação exclusiva, falam sobre o trabalho de apuração e comentam as diferentes reações após a edição final da matéria.

            Angelina Nunes (subeditora da Editoria Rio e Prêmio Esso por “Homens de bens da Alerj”), Antonio Werneck (repórter da Editoria Rio e Prêmio Esso por ”Traficantes nos quartéis“), Chico Otávio (repórter da Editoria O País e Prêmios Esso por ”Sentenças suspeitas“, “LBV, o Império da Boa Vontade” e ”Riocentro“) e Pedro Bial (apresentador do Fantástico e correspondente da TV Globo na queda do muro de Berlim e na Guerra do Golfo) são os debatedores e o mediador: Ascânio Seleme (editor-executivo e Prêmio Esso pela série ”Riocentro“).

            O debate será realizado no Auditório do Globo, Rua Irineu Marinho 35 – 4º andar – Cidade Nova – Rio de Janeiro (RJ).

Escrito por Ernâni Motta às 12h15
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Reajuste do salário mínimo e as Cpis

            Quando se especulava a instalação da CPMI dos Correios, escrevi que uma comissão parlamentar é uma demonstração do exercício da democracia e que, portanto, serviria para se averiguar, encontrar os culpados e encaminhá-los à Justiça. Sobretudo, quando pensamos as razões que se tinha para a CPMI dos Correios. Entretanto, disse ainda, tinha minhas preocupações com o viés politiqueiro que pudesse contaminá-la.

            O passar dos dias está mostrando que não estava de todo errado. Não vou me referir, agora, aos debates PT x PSDB que temos assistido. A CPMI, como previsto, enfraqueceu o governo junto ao Congresso, então, toda sorte de desmando é possível. Assim foi que na quarta-feira passada, o Senado, aproveitando-se dessa fragilidade política do governo, aprovou uma emenda à MP que reajustava o salário mínimo a R$ 300, apresentada pelo senador Antonio Carlos Magalhães, elevando este valor para R$ 384,29.

            Entendo que R$ 300 são, de fato, irrisórios para que uma pessoa possa sustentar-se, quanto mais para uma família, não vejo com bons olhos a política econômica brasileira, comandada por Antonio Palocci, mesmo assim, tenho que considerar que o valor não passa de uma “traquinagem” dos senhores senadores.

            A revista Veja, desta semana, mostra uma foto em que se vê o ar de criança que terminou de fazer uma peraltice, em parlamentares dos mais distintos matizes políticos, desde ACM (PFL-BA) a Heloisa Helena (P-SOL-AL), passando por José Agripino Maia (PFL-RN) e Papaléo Paes (PMDB-AP), entre outros.

            As pessoas minimamente esclarecidas sabem que as prefeituras, em estado pré-falimentar, espalhadas por todo o Brasil, não suportariam um reajuste desta monta. A iniciativa privada, por certo, faria uma verdadeira avalanche de demissões, além da previdência oficial que veria seu déficit ir a estratosfera. E dizer que a previdência precisa de outras medidas para acabar com seu “poço sem fundo” e que não é o valor do salário mínimo o seu causador é um argumento pífio, enquanto não forem, concretamente, tomadas as tais medidas.

            Esta é uma das razões que me fazem desacreditar na seriedade das Cpis.

Escrito por Ernâni Motta às 11h51
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A música de hoje:

As Vitrines

 

(Chico Buarque)

 

Eu te vejo sair por aí
Te avisei que a cidade era um vão
-Dá tua mão
-Olha pra mim
-Não faz assim
-Não vai lá não

Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir

Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar

Na galeria
Cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão.


Escrito por Ernâni Motta às 11h46
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Uma segunda feira preguiçosamente alegre!

            Segunda-feira é um dia que eu, por muito tempo, tento entender, é que vejo nela um contraste inexplicável. Penso que tudo que significa renovação há de nos provocar uma sensação de bem estar e alegria. Mas, o ar das pessoas, nos escritórios, nas repartições públicas, nos bancos, ao volante dos carros... Enfim, por todos os cantos, é sempre de um visível mau-humor, de um desagrado com a vida.

            A segunda-feira deveria, por ser um eterno recomeço, fazer com que nossas melhores risadas fizessem-se presentes, que nos enchessem de entusiasmo com nossas obrigações, que nos enchesse de coragem para enfrentarmos os desmandos políticos, a infindável falta de dinheiro, as incertezas que nos provocam medo e, paradoxalmente, vontade de vencê-las.

            É possível que eu esteja errado e seja o único que vê a segunda-feira dessa forma, quem sabe? Será que somente a mim a segunda-feira causa esse espectro?

            Estive visitando, há pouco, o site do Corrêa Neto e encontrei uma poesia da Vânia Beatriz, que fala de Macapá dos tempos idos...

            Vânia, quanta lembrança você me trouxe. O Gato Azul e o Urca Bar dos primeiros porres, o Camarão Frito que tinha sempre uma pedra para jogar na molecada, o raspa-raspa que aplacava nossa sede, embaixo daquele Sol de 40 graus... Você sabe que cheguei a ouvir a viola e o cantar do cego cantando na porta de casa? E o Carnet Social, na voz do Amazonas Tapajós? A cada aniversário de 15 anos de uma “menina-moça”, já sabia, a música dedicada seria a valsa “O Danúbio Azul”. Aliás, uma prova do bom gosto musical de nossa gente, você não concorda? Que viagem, meu Deus!

            Esta segunda-feira provocava-me uma certa melancolia, porém, não tive como conter o riso com as boas lembranças que “Macapá da Minha Infância”, que é o título da poesia da Vânia, me trouxe.

Escrito por Ernâni Motta às 11h43
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Então, vamos rir...

O Papa veio para Brasil e uma Mercedes com motorista ia levá-lo de Viracopos para São Paulo.

O motorista andava pela Bandeirantes muito devagar, quando o Papa pediu que ele corresse mais. Mas ele respondeu que não podia, pois tinham muitos guardas naquela estrada.

Então, o Papa mandou que ele parasse o carro e falou que agora ele dirigiria, mandando o "negão" para o banco de trás.

Quando estavam a 180km/h a polícia fez sinal para que parassem.

Um guarda foi até o carro pedir os documentos pro motorista.

Ao ler os documentos, ele foi até o seu superior que estava na viatura, e disse:

- Chefe, o homem é muito importante, é dos graúdos.

O chefe falou:

- É o governador? Pode multar.

- Não. É mais que isso - respondeu o guarda.

- Então é o presidente? Pode multar também que não tem perdão.

 - Não, disse o guarda.  Acho que é bem mais do que isto, chefe. Para falar a verdade, acho que é São Benedito, pois só para o senhor ter uma idéia, o motorista dele é o Papa!!!



Escrito por Ernâni Motta às 11h35
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DIA DOS PAIS

Eu queria ser o melhor pai do mundo, então, descobri que os meus filhos só queriam que eu fosse o pai deles. Lembrei, por isso, que sempre via meu pai como herói, até que, pelas nossas conversas, vi que ele era um Homem.

O melhor do mundo, assim como, heróis não existem, simplesmente, porque nós, Homens, somos seres transformados e transformadores, com o passar do tempo. Conscientes, por vezes, inconscientes em outras, mas, em todas, com uma enorme vontade de aprender para crescer.

Ao meu pai, com quem quase tudo aprendi, a minha homenagem, hoje e sempre! Aos meus filhos, que sejam, acima de tudo e antes de serem pais, seres capazes de exercerem seus papéis de cidadãos transformadores.

A todos os pais, um viva a vida!



Escrito por Ernâni Motta às 10h24
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Aula de democracia

“Não se pode conceber a democracia como caracterizada pela existência de três poderes distantes do povo, sobretudo numa sociedade em rápida mutação como a nossa. São necessários instrumentos que assegurem uma interligação constante entre os poderes constituídos e a população. Caso contrário, o que se chamará de democracia não passará de um corpo de elite reinando sobre a massa desorganizada e impotente”.

 

Miguel Arraes de Alencar, três vezes governador de Pernambuco, último grande líder popular da segunda metade do século XX, morto ontem, no Recife, aos 88 anos.



Escrito por Ernâni Motta às 10h22
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PT e os protestos

“Arraes, velho maluco. Pinochet de Pernambuco”.

 

Palavras de ordem, gritadas por manifestantes do PT, na porta do Palácio das Princesas, sede do governo pernambucano, contra Arraes, no decorrer de seu primeiro mandato de governador, após a volta do exílio.



Escrito por Ernâni Motta às 10h21
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