Ernâni Motta


OS VERBOS DE UMA AVENIDA CHAMADA BRASIL

Mais ou menos duzentos mil carros/dia, esta é a quantidade estimada dos que passam pela Avenida Brasil. O principal eixo de ligação entre as zonas norte e sul, corredor natural dos veículos que entram na cidade do Rio de Janeiro.

A Avenida Brasil é vida, é onde de tudo acontece. A criança nasce, o homem morre, o carro passa, o corpo adormece. A avenida Brasil vibra, ferve, estremece, provoca, corre, compra, vende. Enfim, conjuga todos os verbos transitivos e intransitivos, porque nela a vida pulsa, comanda, manda, inicia e finda.

A Avenida Brasil é desumana, carente, desestimulante, palco do inconsolável, refúgio dos desassistidos e da miséria. Mas, nela rolam os super carros a transportar aqueles que deveriam fazer dela mais humana e menos cruel. Nela a soberba sobrepõe-se com o que há de mais esnobe e prepotente.

Pistas centrais e laterais dividem oportunidades, carências, ganâncias, humilhações, arrogâncias, ingenuidades. Mas, acima de tudo, a Avenida Brasil tem gente. Rica, pobre, gorda, magra, alta, baixa. Há os truculentos que se irritam com um simples sorriso do passageiro do ônibus ao lado, há os portadores de uma paciência oriental, capazes de sorrir a mais estúpida das atitudes humanas. Na Avenida Brasil tem gente que compartilha, acredita, trabalha, cresce, produz e ama.

Pois é, a alma especial dessa “serpente” tomou conta dos meus pensamentos e terminei por esquecer do que eu queria contar. Vamos lá, vocês sabem que a Avenida Brasil tem, ao longo de seus quilômetros e quilômetros, passarelas por onde milhares de pessoas cruzam de um lado para outro. Atravessar por sobre uma passarela daquelas é uma aventura, a velocidade dos carros embaixo é assustadora, a altura aumenta mais o medo, o negócio é olhar para frente. E foi assim, que dia desses passei por uma. As pernas tremem até hoje, só de lembrar. De repente, o universo se miniatura e sobre a passarela de tudo tem e acontece.

Subir a escadaria já é um exercício e tanto e entre um lance e outro a gente encontra vendedores das mais diversas mercadorias, um homem que cola o resultado do jogo do bicho, pedinte... O sobe e desce é estonteante. Mas, isso não é nada, quando se chega a passarela propriamente dita, tem-se um encontro com uma cidade portadora das mais variadas atividades. Se a velocidade dos carros assusta, não se pode negar a imponência da avenida, com uma beleza própria que a pressa das pessoas não lhes dá a chance de observar.

Ali há quem exerça seu ofício honesto e sacrificante: o guarda de trânsito, um moço que é uma espécie de controlador de tráfego, vendedores homens e mulheres, anunciantes, mensageiros e sabe Deus o que mais. Isso em meio a um vai-e-vem que parece uma fila de formigas. Só passando por uma para se perceber como é, de fato, uma passarela sobre a Avenida Brasil.   

E lá vou eu, misto de surpreso, admirado, incrédulo. A sensação é inusitada, não há como explicar. E o formigueiro segue em seu frenesi e eu já compulsoriamente fazendo parte dele. Um pouco mais à frente surge uma figura que só ali eu encontraria, de uma estrutura – digamos – avantajada que tomava conta quase que totalmente da ruela, dentro de um vestido preto, colado ao corpo, que ela insistia em tentar baixar, e com bastante dificuldade de caminhar, era o que se percebia com seus passos lentos e arrastados. Imaginem! Agora, o mais interessante, nesse mundo globalizado, ela vai com um celular colado ao ouvido, conversando não interessa com quem... Forcem um pouco mais a imaginação.

O barulho é ensurdecedor, mas e daí? O tempo urge e ela precisa passar sua mensagem, o que fazer?  Atrás o engarrafamento começa aumentar e os impropérios a serem ouvidos, e vamos nós. Ela se tinha pressa, aquela sua forma de caminhar era o mais rápido que podia desenvolver, ao pessoal de trás só restava acompanhar. Eu não disse que a passarela era uma cidade? Congestionamento de tráfego lá, também, acontece. A conversa segue, afinal telefone celular foi criado para facilitar e agilizar, então, que ela faça bom uso do seu, em qualquer lugar, inclusive, na passarela sobre a Avenida Brasil.

Não sei quantos minutos depois chego à escada do outro lado, vou descer, o que encontro? Tudo de novo que havia encontrado na subida.

Finalmente, estou pisando em terra firme, na Avenida Brasil – ufa! Nos meus ouvidos ressoam o barulho dos carros, os gritos dos ambulantes, a ira dos que tinham pressa. Dos meus olhos recusam-se a se apagar as imagens, que meu espírito burguês sequer imaginara. E meus pensamentos são dos mais diversos questionamentos sobre tudo o que vi.

Oxalá aquela passarela, um dia, sirva para que o homem, que dela faz uso, realize a travessia para uma vida com menos desigualdades e mais oportunidades.

Por: Ernâni Motta

Setembro/2000



Escrito por Ernâni Motta às 18h22
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O Dia da Independência

            Eis que chega mais um fim de semana. Fim de uma semana, em que comemoramos o 183º aniversário da nossa Independência política. Embora, ainda sejamos dependentes em algumas outras, como a Financeira e a Moral.

            A Independência política custou muitos sacrifícios e algumas vidas e nos deixou amarrados financeiramente, e com uma herança moral que não nos causa o menor orgulho. O custo da Independência política foi uma dívida impagável à banca estrangeira, mas, não fosse a herança moral que nos foi deixada, provavelmente, já poderíamos ter proclamado, também, a financeira.

            E assim, de crise em crise, estamos nos aproximando dos 200 anos da nossa Independência. Começamos a nos distanciar da nossa independência moral, quando fomos separados do País colonizador, por um príncipe, que se tornou imperador, imoral pela própria natureza. Logo em seguida, resolveu ir brigar pelo reino de Portugal e deixou-nos nas mãos de um filho menor de idade, e aí... Haja corrupção!

            Portanto, o que vemos hoje, nada mais é do que uma maldita tradição. Não, não foi o PT nem o governo do PT quem inventou a corrupção, apesar das bravatas do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto. Ele mesmo um dos herdeiros de um “capitão-do-mato” da nossa política, que por anos vem se dando bem às custas do sacrifício do povo.

            Isto, se me indigna, não me esmorece! Se não vou ter a felicidade de viver num país independente – na mais completa acepção da expressão – estou certo de que meus filhos e netos haverão de desfrutá-la.

            Eu acredito que as improbidades, as mentiras, as imoralidades que, hoje, vêm à tona estão passando por um processo de decantação ética e o Brasil se sairá melhor. Mas, a minha crença é maior, é a de que nós nos determinaremos a extirpar, pelo nosso voto, os quistos fétidos que infestam os nossos meios político e social.

            Acredite, aquela piada em que se diz que Deus ao criar o mundo teria dito, em reposta a um dos anjos, que O questionava por sermos um país sem terremotos e outros sinistros: “mas, veja o povinho que vou por lá”, é de muito mau gosto. Nós ainda vamos dar a volta por cima, mesmo, depois da desesperança que parte do PT tentou impregnar os nossos corações.



Escrito por Ernâni Motta às 13h47
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Quem bebe, dorme...

            Vocês já devem conhecer esta história, mas, vou repetir, quem bebe, dorme; quem dorme, não peca e quem não peca vai pro Céu. Por isso, acho que minha vaga já está garantida, lá, junto do Papai do Céu. Mas, não era bem isto que queria comentar. Vocês viram o Severino dormindo, ontem, na platéia da ONU? Eu acho que ele parodiou a historia e pensou: “quem ganha um mensalinho, dorme; quem dorme...”.



Escrito por Ernâni Motta às 13h46
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Alô, Tio Glauco!

            Novela! Há quem não goste de novela, é uma questão de gosto. Eu sou um noveleiro empedernido, às 21h, estou lá, frente à TV. Começa que sou pobre e como disse o Joãozinho Trinta: “pobre gosta de luxo, quem gosta de lixo é rico”. Então, o Tio Glauco, com sua ninfeta Lurdinha, está com o maior Ibope comigo. Mas, ontem, durante a entrevista do concessionário do restaurante da Câmara dos Deputados, Sebastião Buani, descobri que o Tio Glauco não é coisa de novela, ele existe... Caraca! Vocês viram a gatinha do cara, hein?



Escrito por Ernâni Motta às 13h45
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Saúde do Rio deve sair do UTI

            Parece que o impasse sobre a saúde pública, nesta nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, começa a ter fim. Eu repito sempre o nome da cidade antecedido pelo nome do nosso padroeiro, porque é preciso muita reza para enfrentar o caos a que fomos condenados, pela nossa governadora Rosinha e o nosso prefeito blogueiro. Um parêntesis, por favor, Jornaleiro, desse blogueiro não há como não falar mal, viu? Mas, voltando ao assunto, o ministro da Saúde, Saraiva Guerreiro, e o prefeito blogueiro, César Maia, assinaram a formalização de um acordo para o governo federal receber de volta os hospitais da Lagoa, do Andaraí, de Ipanema e de Jacarepaguá e efetuar o repasse de R$ 135 milhões, à prefeitura do Rio para a reposição de custos com a substituição de servidores federais afastados entre 1999 e 2004, em seis unidades então municipalizadas. A prefeitura, por se lado, compromete-se a incrementar, na cidade, o Programa de Saúde Família.



Escrito por Ernâni Motta às 13h43
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Blogueiros do Amapá

            Alô, blogueiros do Amapá, no Amapá ou em qualquer lugar, o Paulozab criou uma lista no Yahoo!, e avisa que quem quiser aderir é só enviar um e-mail para: subscribe-blogamapa@yahoogrupos.com.br.

            A lista serve para se promover debates mais profundos sobre os mais diversos temas, coisa que os blogs, por falta de espaço, não permitem. Como faço parte de duas outras listas, posso dizer que vale à pena. É a oportunidade que se tem de se esclarecer idéias, somar conhecimentos e dividir experiências. Então, vá lá e faça sua inscrição.



Escrito por Ernâni Motta às 18h56
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O "beicinho" do ministro

            Caraca!... Não agüento mais tanta incompetência. O governo prepara uma proposta de Orçamento para 2006, e nela acaba com a alíquota de 27,5% do Imposto de Renda retido na fonte, passando para 25%. Na verdade, o que se poderia pensar em redução não passa de uma simples decisão de não prorrogar a vigência dos 27,5%, que vinha acontecendo desde 1998. E mais o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, segundo a Folha de S. Paulo, foi informado de última hora, o que provocou uma “saia-justa” no governo. Hoje, divulga-se nota informando que não se pode reduzir a alíquota porque já existe uma Lei criando a de 27,5% e que só o Presidente da República poderia alterá-la.

            Será? Ou será que o “meia-volta-volver” não foi ordenado pelo ministro, de “beicinho”, por ter sido esquecido pelos técnicos da Receita? Lula, Lula, abre o olho!



Escrito por Ernâni Motta às 18h29
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Vamos ter um Brasil melhor

Os Monólogos da Vagina*

 

O professor Marco Aurélio Nogueira, em artigo para o JB, diz que há críticos dos intelectuais que querem ficar em silêncio. Ele parece discordar desses críticos. Diz que os intelectuais nunca falaram tanto quanto antes. Creio que é verdade. A Marilena Chauí acusou todos que falam de “ideólogos tagarelas”. Ela se esqueceu do tempo em que foi a principal “ideóloga tagarela” do PT. E na sua acusação, falou tanto quanto antes. Falso silêncio. José Arthur Giannotti, quando viu que o PT havia entrado em colapso, saiu gritando “eu me sinto vingado, eu disse que tudo isso ia ocorrer”. Continua sendo aquilo que o proprietário da Folha de S. Paulo disse dele, há alguns anos: “papagaio de pirata de FHC”. Falou pelos cotovelos. Renato Janine Ribeiro, uma vez no governo, escreveu no “Mais!” um artigo enorme sobre ética, sem citar qualquer fato relativo ao PT. Foi mais uma forma de ficar quieto falando.

Eu estava voltando para casa de ônibus circular, na cidade de S. Paulo. Dois jovens estudantes estavam conversando sobre o assunto o “silêncio dos intelectuais”. Eles falavam razoavelmente alto de modo que eu não pude deixar de ouvir a conversa. Reproduzo aqui o diálogo:

- Putz, a Marilena falou um monte e não falou nada, e ela é PT roxa. Ela é PT. Ela não vai deixar a razão dela funcionar agora. É PT e pronto.

- Cara, também achei estranho. Ela tá amarrada.

- Ela tá amarrada? Ta fud ... Ele é o Giannotti de ontem cara!

Percebi que, então, aquilo que eu escrevi há dias é, também, o que a juventude pensa. Talvez as pessoas percebam que não vão precisar mais ouvir esses intelectuais. É uma forma de libertação. Talvez o fim com as amarras da “Ditadura da Geração 68”. A juventude vai sair melhor disso, e o país vai ter gente mais livre, mais crítica, melhor.

Como o ônibus que peguei para um pouco longe de casa, tive de pegar um táxi para continuar. No carro, o motorista me provocou:

- Dr, acalmou a coisa em Brasília?

- Que nada, agora sobrou para o Severino.

- Sim, Dr, ele vai ter de se explicar, ele já achava que era o homem, hein?

- Sim, ele achava que ia escapar.

- Mas olha, Dr, estou contente mesmo com tudo isso, pois estou aprendendo muito. Vi que no Congresso não tem gente safada não. Tem bandido, mas tem muito cara lá querendo fazer o serviço correto. A CPI na TV é uma lição de democracia.

-Também acho, eu mesmo não tinha visto uma CPI funcionar.

- É, Dr, tem uns caras lá que são ponta firme – aquela juíza, o Pedro Simon. Olha, o Jéferson fala bem, mas vai ser pego também – isso é certo.

Desci do táxi convencido de que as pessoas saem melhor das crises da democracia. Vamos ter um Brasil melhor. Um Brasil que vai poder aprender a viver sob democracia. Zé Dirceu, Lula, Maluf e talvez até mesmo FHC e os intelectuais não sabiam que o Brasil conseguiu três coisas novas, com as quais eles não estavam acostumados: Internet, celular e democracia. Com essas três coisas, tudo aquilo que eles aprenderam com os Generais Presidentes do ciclo 64-85, não vale. As maracutaias, com essas coisas, aparecem. E as falas das pessoas comuns, com essas três coisas, começam a ficar mais importantes que a dos intelectuais e dos governantes. Sim, vamos ter um Brasil melhor, mais livre.


Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, autor de Caminhos da filosofia (DPA, 2005).

www.ghiraldelli.pro.br - Site Pessoal

 

* título de uma peça de teatro, com texto da americana Eve Ansler.



Escrito por Ernâni Motta às 13h50
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História da Ditadura

            Morreu, ontem, o general Octávio Aguiar de Medeiros, um dos criadores do Serviço Nacional de Informações – SNI. Dirigiu o “monstro que criou” desde 1975, no então governo Geisel até 1985, com fim do governo Figueiredo e da ditadura.

            E, por falar em ditadura, lembrei da história narrada por Ronaldo Costa Couto, às fls. 67, de seu livro “História Indiscreta da Ditadura e da Abertura”, ed Record, 1999. Leia a seguir:

            Houve muita arbitrariedade e despreparo. Um exemplo pitoresco é a invasão da casa do poeta Ferreira Gullar no início de 1965, no Rio de Janeiro. Militares fortemente armados vasculharam tudo à procura de indícios e provas de militância comunista. De repente, o oficial-comandante descobriu uma pasta recheada de textos novos, em cuja capa estava escrito à mão: “Do cubismo à arte neoconcreta”. Chama um soldado: “Vamos levar isto”. Perplexo, o poeta explica que os textos tratam exclusivamente de arte contemporânea. Nada a ver com política. Mas o oficial, ar superior, encerra o assunto: “Pensa que me enrola, não é?” Além de indignado, Gullar ficou intrigado. Mas depois matou a charada. Lógico: para o militar, “cubismo” só podia ser coisa de Cuba

Escrito por Ernâni Motta às 20h01
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ANCELMO GOIS

            As dúvidas do Brasil

            Lula sabia do mensalão? Quem Carlos Alberto Parreira vai tirar do ataque?



Escrito por Ernâni Motta às 17h38
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Plantão da Crise

            Aconteceu nesta segunda-feira, o último debate da série Plantão da Crise, promovido pela Universidade Candido Mendes – UCAM –, em conjunto com o Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, o IUPERJ e o Jornal do Brasil. Foram quatro encontros, em que políticos, cientistas políticos, professores e militantes do Partido dos Trabalhadores discutiram a crise política que assola o país há mais de três de meses, no Teatro João Teotônio, da UCAM.

            Ontem, os debatedores foram os deputados federais: Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), Chico Alencar (PT-RJ) e Jandira Feghali (PC do B-RJ), o deputado estadual Alessandro Molon (PT-RJ), o economista Paulo Nogueira Batista Jr e a vereadora Aspásia Camargo (PV-RJ), sendo o mediador o professor Cândido Mendes. O tema debatido foi “O País de Lula: e agora? Esperança e Projeto Brasileiro”.

            O professor Cândido Mendes abriu os trabalhos, discutindo com a platéia o resultado da pesquisa realizada entre os participantes do último encontro, quando foram respondidas as questões abaixo, com os respectivos resultados:

            1 – O PT deve realizar o expurgo de seus corruptos? Sim 92%, não 8%.

            2 – Ou esperar a manifestação do Congresso? Sim 90%, não 9%.

            3 – Deve o PT aceitar, ou não, a convicção de que o “caixa 2” é correntio? Sim 14%, não 85%.

            4 – É certa a conduta política e tolerada pela ética corrente, e de que, como confirma a Comissão da Câmara, “não há até agora provas materiais do ‘mensalão’”? Sim 35%, não 53%.

            5 – A corrupção contaminou o partido como todo situacionismo brasileiro? Sim 66% e não 31%.

            6 – Mas a diferença do PT é manter a integridade da legenda acima de tudo, para responder à tarefa de dar voz ao “outro Brasil”? Sim 74%, não 22%.

            7 – A participação de Delúbio Soares no esquema Valério deveu-se a um estrito deslumbramento com a máquina estabelecida de controle eleitoral? Sim 42%, não 55%.

 

            Minha opinião: - A platéia era composta em sua quase totalidade de militantes petistas, mas, por ser aberto, havia pessoas de outros segmentos da sociedade e a pesquisa foi efetuada entre todos os participantes. De qualquer modo, chamou-me a atenção os resultados, que destaco: questão três: houve um significativo percentual de respostas admitindo como habitual o uso do “caixa 2”, na política. Na questão quatro, fiquei com a dúvida, os militantes do PT, pelo menos os que presentes ao debate, são esperançosos de que as CPMIs concluam que o seus representantes são inocentes nas acusações, que lhes são imputadas, ou se são coniventes com a prática do “mensalão”. Por fim, na questão cinco, percebo um descrédito na classe política, o que de certa forma, contraria a idéia de conivência da questão quatro, com 66% dos pesquisados respondendo sim. Que cada um faça a sua análise.

            Abaixo, as idéias dos debatedores.



Escrito por Ernâni Motta às 17h25
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Os debates

            O primeiro debatedor foi o professor Chico Alencar que entende que a crise política, vivida pelo país, não é do seu partido e sim do Brasil. Porquanto, o Partido dos Trabalhadores galvanizou a esperança do povo brasileiro, por uma nova era. O que não aconteceu e o Capital financeiro mais uma vez ganhou o debate. Para ele, o modelo econômico utilizado pelo PT repetiu os governos anteriores. E para combater esse pragmatismo, acredita o deputado, é necessário recuperar o socialismo, que não significa repetir a sua política à exaustão. Por isso, a crise tem outras causas, como a falta de ousadia do governo Lula, a quem chamou de: - “governo midiático”, o que dá no Jornal Nacional é a consciência da verdade. E indagou: - Qual foi o momento que o governo topou o confronto?

            Ao fazer referência ao presidente da Câmara, Severino Cavalcante, disse que o pedido de seu afastamento não foi pela oposição e sim pelo que classificou como “situação da Câmara”, pois, foram PSDB e PFL que o elegeram.

            Por fim, mencionou o documentário do cineasta João Salles – Entreatos – para dizer que ainda prefere o Lula produto do processo sindicalista.

            A deputada Jandira Feghali iniciou dizendo que se preocupa com a generalização de que todos os políticos são corruptos e que sente a população apática e descrente. Disse que o PC do B não é o PT, mas que não fará o jogo do PFL. Afirmou que não acredita numa conspiração americana, como tentam segmentos políticos fazer o povo acreditar, e sim que houve uma implosão por dentro.

            - Lula foi cooptado pelo Capital, ao assinar a Carta aos Brasileiros e não desfez o casamento com o capitalismo – declarou a deputada. Entretanto, ela vê ministérios com políticas positivas. E entende que os 53 milhões de votos obtidos pelo presidente davam-lhe moral para ir a mídia pedir ao povo que pressionasse o Congresso aprovar benefícios historicamente reclamados.

            Quanto à crise, ela diz: - Não é do PT, é das esquerdas. O PT, maior partido da esquerda, por seu simbolismo, o seu fracasso representa o fracasso das esquerdas.

            O deputado Antonio Carlos Biscaia começou explicando porque, depois que deixou o Ministério Público, filiou-se ao PT, pois, as pessoas que o encontram sempre lhe repetem a pergunta: - Por que o PT? Ao que ele responde: - Tenho uma vinculação ideológica, com o PT. Mas que isto tem lhe causado algum constrangimento, após as denúncias feitas contra o partido. E classificou os fatos que vêm sendo denunciados de uma “ruptura de princípios”. Emocionado afirmou: - Lula não tem projeto de governo, tem projeto de poder. E completou: - Estamos esperando um gesto de indignação do presidente, com tudo o que está sendo denunciado.

            Disse que perplexo viu o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, fazendo lobby no Congresso, contra a proposta do Governo, no caso da transgenia. Além de presenciar justificativas para o “caixa 2” feitas por parlamentares. O que lhe foi uma surpresa, pois, no MP acreditava como certa as prestações de contas apresentadas, pelos políticos.

            E encerrou dizendo: - O pior é a perplexidade da juventude!



Escrito por Ernâni Motta às 17h24
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Últimos debatedores

            Alexandre Molon, deputado estadual carioca, inicialmente, afirmou que a crise é um retrocesso e uma humilhação para os militantes de seu partido. E apresentou o dado de uma pesquisa realizada com jovens de 14 a 20 anos, onde 92% não confiam no Congresso Nacional. A crise, entretanto, acredita o deputado, tem hora para acabar, é o dia 18 próximo, quando o PT fará eleições para escolher um novo comando. E, num momento de campanha, afirmou que a escolha de Plínio de Arruda Sampaio para a presidência do PT mudará as relações do partido com o governo.

            Enumerou três aspectos para vencer a crise:

            1 – Punição a todos os culpados,

            2 – Disputar as eleições para a nova direção do PT, com militantes que representem o PT original, e

            3 – Mudar a relação do PT com o governo.

            O economista Paulo N Batista Jr abriu o seu debate afirmando que a crise eliminou o contra-ponto que existia dentro do governo à política econômica, que era o ex-ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu. E afirmou: Mesmo a saída de Palocci não altera a política econômica. Como forma de se proteger, Lula reforçaria seu compromisso com ela.

            E prosseguiu: - A preservação de Lula é mantida porque a cúpula do Capital não quer nem pensar em José Alencar. E lembrou as repetidas manifestações do vice-presidente com a manutenção dos juros altos.

            Mais à frente, mencionou um discurso do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), em que acusa o governo de ter abandonado a ALCA e diz que os Estados Unidos estão realizando acordos país a país e que quando o Brasil acordar estará no sozinho. O economista manifestou sua discordância às palavras de Alckmin e lembrou que os Estados Unidos desejam que os demais países façam, em relação a ALCA, um contrato de adesão e não negociação. Portanto, estaria o governador paulista equivocado, em seu pronunciamento.

            A última debatedora, Aspásia Camargo, entende que a crise traduz a nossa incapacidade em criar governos estáveis. Repetiu que a crise deve-se à relação do governo com o partido.

            A vereadora vê, ainda, o esgotamento de um sistema. E, que se faz necessário uma urgente renovação de idéias.

Escrito por Ernâni Motta às 17h23
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Dia da Raça

         Segunda-feira, 5 de setembro, há anos, comemorava-se nesta data o Dia da Raça. Sinceramente, não lembro de quem foi a idéia, que, ao que me parece, anda meio esquecida. Se bem que acho que essas coisas ufanistas devem ser esquecidas, mesmo.

         O povo brasileiro já é uma raça em si, pela nossa miscigenação, por nosso espírito festivo, pela nossa própria maneira de encarar a vida. Há uns poucos babacas que vivem ostentando preconceito, mas, esses eu entrego-os a Deus. O que nós devemos buscar é o encurtamento das distâncias sociais, que, lamentavelmente, no nosso país tem ares de flagelo.

         No Brasil, como no resto do mundo, a distância entre os homens não se dá pela cor ou pela local de nascimento, penso eu, mas, sim, pelo poder financeiro. Se se tem recursos para ostentar, portas são abertas, se não, dane-se... Quer a pele seja negra, branca ou amarela, quer os olhos sejam azuis, verdes ou caramelos, quer sejam os cabelos loiros, lisos ou pixaím, faltou ao sujeito disponibilidades financeiras, o desrespeito e todos os tipos de preconceitos são impingidos ao cidadão, aliás, cidadania é a primeira coisa que lhe é negada.



Escrito por Ernâni Motta às 13h05
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A MÚSICA DO DIA

A Estrada e o Violeiro

 

(Sidney Miller)

 

Nara Leão e Sidney Miller


Sou violeiro caminhando só, por uma estrada caminhando só
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Parece um cordão sem ponta pelo chão desenrolado
Rasgando tudo que encontra a terra de lado a lado
Estrada de sul a norte eu que passo, penso e peço
Notícias de toda sorte de dias que eu não alcanço
De noites que eu desconheço de amor, de vida e de morte
Eu que já corri o mundo cavalgando a terra nua
Tenho o peito mais profundo e a visão maior que a sua
Muitas coisas tenho visto nos lugares onde eu passo
Mas cantando agora insisto neste aviso que ora faço
Não existe um só compasso pra contar o que eu assisto
Trago comigo uma viola só, para dizer uma palavra só
Para cantar o meu caminho só, porque sozinho vou a pé e pó
Guarde sempre na lembrança que esta estrada não é sua
Sua vista pouco alcança mas a terra continua
Segue em frente violeiro, que eu lhe dou a garantia
De que alguém passou primeiro na procura de alegria
Pois quem anda noite e dia sempre encontra um companheiro
Minha estrada, meu caminho, me responda de repente
Se eu aqui não vou sozinho, quem vai lá na minha frente
Tanta gente tão ligeiro que eu até perdi a conta
Mas lhe afirmo, violeiro, fora a dor, que a dor não conta
Fora a morte quando encontra, vai na frente um povo inteiro
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Se meu destino é ter um rumo só, choro em meu pranto é pau, é pedra, é pó
Se esse rumo assim foi feito sem aprumo e sem destino
Saio fora desse leito, desafio e desafino
Mudo a sorte do meu canto, mudo o norte dessa estrada
Em meu povo não há santo, não há força e não há forte
Não há morte, não há nada que me faça sofrer tanto
Vai, violeiro, me leva pra outro lugar
Que eu também quero um dia poder levar
Toda gente que virá
Caminhando, procurando

Na certeza de encontrar.

 

Para ouvir, click no nome da música ao lado



Escrito por Ernâni Motta às 13h04
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