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Música para o final de semana
Roberta Flack:
Killing me softly
Para ouvir clique no link ao lado
Escrito por Ernâni Motta às 18h51
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Fim de semana
Trabalho! A maioria das pessoas que conheço diz que gosta de trabalhar. Por que, então, quando chega a sexta-feira essas mesmas pessoas mostram-se excitadas com a expectativa de mais um fim de semana? Seria mais uma das incongruências da vida?
Talvez, não. Afinal, todos nós, os que gostam ou não de trabalhar, temos o sagrado direito ao lazer. É o instante de recarregar as baterias, olhar para frente e rir do passado. E como ainda não inventaram nada melhor do que rir!...
Então, que todos tenham um fim de semana bem risonho!
Escrito por Ernâni Motta às 18h19
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Uma semana para pensar
E a semana que se encerra foi, politicamente, marcante. Chegamos ao trabalho, na segunda-feira, sabendo que um ícone da corrupção no País estava preso. Paulo Maluf e o filho estão completando hoje seis dias atrás das grades.
Por 313 votos a 156, Roberto Jefferson foi cassado na quarta-feira. Ele, que tentou mostrar-se o bastião da probidade, enredou-se em sua própria teia. Que vá com Deus! Outros serão defenestrados, mesmo que recorram à ação da Justiça e consigam liminares, elas irão somente esticar seus sofrimentos. E nos próximos finais de semana, teremos novos nomes para listar.
A semana também viu cair o manto que acobertava o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcante, com o seu corruptor mostrando um cheque no valor de R$ 7,500 reais como prova da sua ganância por uma propina.
São acontecimentos que compensam o desgaste do trabalhador que levanta às 04:00h da manhã para, ao final do mês, receber um mísero salário, que mal lhe chega às mãos, os mesmos, que usurparam do seu sacrifício, já vêm lhe tomar numa fila de supermercado ou coisa parecida.
Vimos, ainda nesta semana, o Comitê de Política Monetária – COPOM – reduzir em reles 0,25% a taxa Selic. Temos ainda a mais alta taxa de juros real do mundo aos 14,03 pontos percentuais.
O governo orgulha-se da façanha e o presidente, mudo para a crise política que o país atravessa, levanta o mais alto que pode a voz para proclamar que o Brasil vive uma maravilha, com sua política econômica. Mas, a alegada, em campanha, criação de 10 milhões de empregos ninguém sabem, ninguém viu. Pelo contrário, o que se lê nos jornais é: empresa tal anuncia demissão de mais trabalhadores; empresários abandonam os investimentos, por não suportarem os juros escorchantes; e manchetes semelhantes. Enquanto isso é anunciado: bancos têm a maior lucratividade desde a criação do Real.
Pelo quarto mês consecutivo os índices medidores da inflação acumulam taxas negativas, mas, os membros do COPOM não vêem margem para baixar os juros. Nos anos 80, o Japão viveu um ciclo de deflação e o resultado foi o mais danoso possível. Parece que os nossos economistas não tomaram conhecimento disso, talvez pelo fato de o Japão ser do outro lado do mundo.
Escrito por Ernâni Motta às 18h18
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Eleições no PT
Neste domingo, o Partido dos Trabalhadores elege seus novos mandatários, em eleição que promete ser dividida entre o Campo Majoritário que agrega a atual cúpula diretora e as esquerdas do partido.
O Campo Majoritário é o grupo de Zé Dirceu e companhia, enquanto nas esquerdas o nome mais significativo é o do candidato a presidente Plínio de Arruda Sampaio.
Plínio recebeu nos últimos dias duas fortes adesões, do dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST – e do senador Eduardo Suplicy afastado do Campo Majoritário, por ter votado pela instalação da CPI dos Correios.
Escrito por Ernâni Motta às 18h14
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Cai lei que protegia ex-autoridades
O Supremo Tribunal Federal derrubou ontem a lei que dava for privilegiado a ex-autoridades. Assim, mesmo que o processo se refira a um fato ocorrido enquanto o denunciado ocupava cargo público, o caso dever ser investigado e julgado pela primeira instância do Judiciário.
O primeiro a sofrer as conseqüências do ato é Paulo Maluf, que está preso na carceragem da PF, em São Paulo. Aliás, o ilustre detento reclamou da refeição servida, dizendo que aquilo nem cachorro come. Quando ele foi governador de São Paulo, será que, nos presídios paulistas, eram servidas refeições dignas de gente?
A decisão foi tomada no julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público contra a Lei 10.628, sancionada ao final do ano de 2002, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
FHC sancionou a lei, pressionado pelo PSDB, que temia uma possível retaliação do PT, que chegaria a presidência no início do ano seguinte.
Escrito por Ernâni Motta às 18h12
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Coisa fina
Esta eu li, quinta-feira, na coluna Gente Boa, de Joaquim Ferreira dos Santos, em O Globo:
Uma dose da vodca polonesa Belvedere está custando R$ 54 no Gero, o restaurante chique de Ipanema. É um sucesso de vendas.
Por esse preço pode-se comprar uma garrafa da russa Wiborowa (R$ 46,80) ou dois litros de Smirnoff (R$ 26 cada litro).
Desse jeito, não há mensalão que agüente!
Escrito por Ernâni Motta às 18h04
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Grupo de parlamentares ou de estudantes?
Esta foto apareceu na capa dos principais jornais do país na quarta-feira. São deputados dirigindo-se ao Conselho de Ética da Câmara para apresentarem a representação contra Severino Cavalcante. E ainda querem que eu acredite que este País é serio. É um grupo de parlamentares ou de estudantes na saída do grêmio estudantil? Fracamente!...
foto: Roberto Stucker Filho

Escrito por Ernâni Motta às 17h59
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O depoimento do China
Visitando o blog Repiquete no Meio do Mundo (http://alcilene.zip.net), lembrei do depoimento do Gushiken, ontem, à CPI do Correios. Mostrou-se firme, sério e sem o medo dos que têm “rabo preso”, desculpe pela expressão. Que fique bem claro, no entanto, não estou diminuindo as denúncias que pesam sobre ele, que se comprovadas devem ser motivo da ação da Justiça.
A contundência da sua resposta ao deputado Önix Lorenzony (PFL-RS) foi simbólica. Disse ele: “Espanta-me a leviandade com que trata o governo. Para me acusar de formador de quadrilha, apresente provas! Não se esconda sob seu mandato para fazer acusações levianas!”.
Alguém já disse que os parlamentares, numa CPI, estão investidos do cargo de magistrados. A ser verdade, é bom que se diga, um Juiz precisa de serenidade, equilíbrio e imparcialidade para o bom exercício de seu oficio. Coisa que, às escancaras, percebe-se falta no deputado Lorenzony e alguns de seus pares.
Escrito por Ernâni Motta às 18h17
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Cassação de Jefferson e os meus sonhos
A Câmara dos Deputados cassou o mandato de Roberto Jefferson, ontem, por 313 votos, quando seriam necessários para tanto apenas 257. Outros, por certo, haverão de embarcar nessa nau dos insensatos, que tanto escarneceram de nossos eleitores, que tanto tripudiaram dos nossos votos, crédulos que fomos de fazíamos uma escolha correta, ao os escolhermos como nossos representantes.
A esperança que renasce dentro de mim é a de que se expurgue, mesmo que paulatinamente, os estelionatários que se beneficiam com os nossos votos. Que aos poucos, mês a mês, eles debandem do Congresso brasileiro, para que um dia as nossas reivindicações sejam atendidas, que as nossas reclamações tenham eco, que sejamos respeitados por aqueles em quem votamos.
Disse o Caetano: “Eu via a mulher preparando/ Outra pessoa”, do mesmo modo, quero ver o povo brasileiro gestando um futuro de menos injustiças, de mais oportunidades, de trabalho, de alimento à mesa de todos, de uma professora a esperar por seus alunos numa sala de aula, de saúde, de prosperidades, onde crianças não morram de abandono, onde os velhos não sejam esquecidos e desqualificados, onde o jovem não precise entregar-se aos braços de traficantes, onde a mulher exerça seu ofício com dignidade, onde, enfim, o Homem seja isto, um Homem. Que sonho, meu Deus!
Escrito por Ernâni Motta às 13h05
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Novo paladino da moral
Ontem, circulou a informação de que o empresário Sebastião Buani, que acusa Severino Cavalcante de beneficiário do “mensalinho”, teria sido convidado para filiar-se por um partido político. A dedução lógica é que seria um partido da oposição, por isso, PSDB, PFL e PDT apressaram-se em divulgar notas que não foram eles autores do convite. Tendo o deputado Alceu Colares (PDT-RS) declarado que não há corrupto sem corruptor. E que, portanto, não havia espaço para Buani no PDT. Também, era só o que faltava, Buani, o arrependido, ser levado ao Congresso como um pilar da moralidade.
Escrito por Ernâni Motta às 13h03
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Será que é só quando a Polícia quer?
Hoje, acordei com o rádio anunciando que a polícia havia matado, na madrugada, Pedro Lomba Neto, conhecido como Pedro Dom, assaltante de prédio de classe alta, no Rio de Janeiro.
Procurado pela polícia desde o ano passado, Pedro Dom pertencia a uma família de classe média, mas encontrava-se escondido na favela da Rocinha.
Perseguido pela polícia, quando seguia de uma favela na Zona Norte da cidade para a Rocinha, na garupa de uma motocicleta, reagiu atirando uma granada nos policiais. Três PMs ficaram feridos.
De tanto ouvirmos certas frases, elas tornam-se verdadeiras, e uma delas é: "a polícia quando quer pega mesmo!" Será que foi isso que aconteceu? Esperemos que não, afinal, o Rio de Janeiro precisa tanto que a Polícia queira sempre.
Escrito por Ernâni Motta às 13h01
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Soninha* para a revista TPM
Todo mundo quer ver sangue; todo mundo adora um escândalo. Dizer que as pessoas ficam indignadas com a crise política é um pouco otimista, infelizmente.
Muitos ficam tão horrorizados com as notícias de Brasília quanto com a baixaria na TV de modo geral. Talvez peçam “mais programação cultural” ao serem entrevistados por um pesquisador, enquanto dão ibope para os piores lixos – para se “indignarem”, talvez, ou apenas para se divertir.
De modo semelhante, quem sai por aí dizendo “eu sabia, político nenhum presta, são todos uns salafrários e a gente é quem paga o salário deles” tem grandes chances de ser quem vota nos piores. Nos que prometem absurdos, se envolvem em um rolo mal explicado atrás do outro ou são orgulhosamente “espertos” na administração de seus negócios e mandatos. Talvez os mais revoltados sejam os que mais aplaudem o Roberto Jefferson – o que “rouba, mas fala”, como a Folha teme que ele venha a ser conhecido.
A crise deflagrada nas últimas semanas atinge o fígado do PT e do governo do PT. Mas joga sombras sobre vários outros partidos; é impressionante como não se anuncia “o fim” deles (PTB, PL, PP...). Por quê? Por que há muito tempo não se pode apontá-los como instituições para valer, com um programa, princípios, ideologia e base popular? O fato de não serem tidos como “partidos de verdade” (em vez de aglomerados disformes, agrupados em torno de três ou quatro caciques) os exime de maiores cobranças?
Não acho que dizer “todo mundo faz” possa ser usado como argumento para justificar práticas escusas. Mas não posso aceitar a cara de espanto de quem quer nos fazer crer que nunca usou expediente parecido, idêntico ou pior. De quem quer nos convencer de que nunca imaginou que parlamentares pudessem pedir ou aceitar dinheiro para decidir votar contra ou a favor do governo, ou que houvesse um caixa dois em campanhas eleitorais.
O PT, inegavelmente, deu motivos para ser levado ao cadafalso. Mas em nenhum outro caso os erros de um integrante do partido – prefeito, governador, deputado, senador, “dono” – levaram ao questionamento do partido todo. Não vi comentários sobre “o ocaso do PFL” quando ACM renunciou ao mandato depois de ter fraudado uma votação no Senado... Como o PT defende a ética, deve deixar de existir quando integrantes da legenda agem de maneira desonesta? Não! Que tal exigir a famosa coerência e a aplicação de mecanismos rigorosos de punição para quem descumpriu o estatuto do partido (e a lei!)? Se, ao fim do processo, nada for feito nesse sentido, aí, sim, se pode dizer “o PT não cumpre o que diz”.
Anunciar, pedir ou comemorar o fim do PT é um absurdo. Partidos, empresas, ONGs, igrejas, movimentos sociais, todos estão sujeitos aos erros e delírios humanos. Decretar a inviabilidade de uma instituição por causa das faltas dos seus membros é incorreto e injusto. Nessa linha de raciocínio que repilo (ops), é fácil anunciar o fim dos partidos políticos, da esquerda, do Parlamento, da democracia, da raça humana... Dizer: “Não deu certo, extingue”. Calma lá! Vamos continuar tentando fazer funcionar, seguindo o caminho difícil das regras, do debate, sabendo que sempre vai haver quem prefira o jeito mais fácil de resolver as coisas – na base do dinheiro, da chantagem ou da porrada.
*Soninha é colunista da Folha de S. Paulo de apresentadora da ESPN Brasil.
Escrito por Ernâni Motta às 13h00
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DEMOCRACIA I
A DEMOCRACIA BRASILEIRA EXISTE, É FATO!
Escrito por Ernâni Motta às 20h27
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DEMOCRACIA II
ROBERTO JEFFERSON É CASSADO!
Escrito por Ernâni Motta às 20h26
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Buani apresenta cheque
O empresário Sebastião Buani apresentou, nesta manhã, uma cópia micro-filmada de um cheque no valor de R$ 7.500 sacado contra o Banco Bradesco, em 30 de julho de 2002 e endossado, por Gabriela Quênia S.S. Martins, secretária particular do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcante, que serviria para pagar parte da propina exigida por Severino, à época, primeiro secretário da Câmara para garantir a renovação do contrato de concessão do restaurante.
- Isso mostra que o mensalinho começou em 2002 – afirmou o empresário.
Buani disse à Rádio CBN, esta manhã, estar com a consciência tranqüila, pois, está contando uma história verdadeira. E continuou: - Eles (a defesa de Severino) não conseguiram desmontar nada, desmentir nada. A única estratégia que Severino tem é tentar dizer que eu sou mentiroso. Agora, quero ver quem é que vai dizer que aqueles documentos são falsos. Quero que um perito sério, uma pessoa competente diga isso.
Na última quinta-feira, declarou ter pagado aproximadamente R$ 128 mil, entre 2002 e 2003, como propina em troca da prorrogação do contrato da sua rede de restaurantes com a Câmara.
A secretária não foi encontrada desde ontem para comentar o assunto, desde a hora em que vazaram as primeiras informações sobre o cheque.
E agora, Severino?
Escrito por Ernâni Motta às 11h02
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Dia da caça e do caçador
Hoje, Brasília ferve! A Câmara se cassa o mandato de Roberto Jefferson. Neste instante, o empresário Sebastião Buani apresenta, numa coletiva, o cheque que teria servido para pagar o “mensalinho”, assinado pela secretária de Severino, vários deputados, segundo os jornais, anunciam a renúncia de seus mandatos, com o objetivo de fugir da cassação e Gushiken depõe na CPI dos Correios. O COPOM anuncia a nova taxa de juros. Será que haverá nova taxa?
O dia, como se vê, promete!
Escrito por Ernâni Motta às 10h32
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Se Esse For o Começar de Novo...
Meus amigos, sou assinante da lista do Portal Brasileiro de Filosofia, onde se discute sobre política, arte, cotidiano, enfim, de tudo sob a ótica, claro, da filosofia. E, hoje, o Julio Zabatiero que é filósofo, entre outras especialidades, escreveu o texto abaixo, e solicitei a autorização dele para dividir com os que visitam este blog. Acho que vale como uma boa reflexão:
Colegas,
Após várias viagens e cursos, estou por aqui de novo...
Só para dar uns palpites:
Já não vejo graça nenhuma no uso das expressões "crise" e "começar de novo"/"recomeçar", aplicadas à conjuntura do aparato estatal brasileiro. Ambas me parecem uma mania brasileira de reinventar a metafísica a cada instante da história da nação. Não estamos vivendo uma "crise" - corrupção, bandalheira e sacanagem são elementos integrantes da atividade humana em sociedade e, quando se mistura poder, dinheiro e sexo, não se poderia esperar outra coisa. Se eu fosse falar em "crise", diria que o problema é a descoberta e divulgação dessas práticas entre os políticos envolvidos. Da mesma forma, na história humana não se começa tudo de novo, ou re-começa - ir às origens é uma atitude religiosa metafísica - os princípios são virtuosos, posteriormente é que se deturpa a bondade original - essa é uma versão secularizada do mito do pecado original.
Não estamos em crise. Nossa democracia vai bem. Precisa de muito trabalho e muito aperfeiçoamento, tanto da legislação, quanto da atuação dos agentes políticos. Mas, como não ter boas perspectivas quando vemos serem presas pessoas que escaparam impunes por décadas? Quando vemos as mazelas dos políticos eleitos serem reveladas publicamente com grande audiência?
O que me preocupa, isso sim, não é a tal "crise", mas o uso da situação pela mídia e os seus efeitos sobre a população. Recentemente a Globo fez uma pesquisa sobre confiança e política, e, pasmem se quiserem, os militares têm mais de 60 da confiança da população... Se esse for o começar de novo...
Abs
Julio
Escrito por Ernâni Motta às 13h17
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Crônica:
ESTÁ TUDO ERRADO, MAS ESTÁ BONITO!
Ate hoje, não conheço ninguém que não goste de música, talvez, seja pelo fato de que ela seja a mais legítima manifestação dos nossos sentimentos. Da mais bem elaborada, com todo eruditismo, a mais rudimentar, há sempre um quê do ser humano numa composição.
Há críticos, repletos de exigências, que se regalam, como se fossem os únicos capazes de saber o que é música, em maldizer este ou aquele estilo. Então, eu pergunto, existe um estilo melhor? Há o mais perfeito? E há nesses críticos uma tendência a misturar o entendimento do que seja a letra ou poesia com o ritmo. É verdade, um completa o outro, mas acho que este pode viver sem aquela.
Poesia é música seria uma assertiva, mas, música não necessariamente é poesia. Ou melhor, a minha reflexão é a de que tal qual a poesia escrita a música é a representação de um sentimento, acontece que a música, em si, dispensa a oralidade. Assim é que se fecharmos os olhos ao ouvirmos uma música, esta nos invade a alma e dispensamos as expressões escritas. De qualquer maneira, com a palavra poetas e músicos.
Existe, eu sei, um conceito formal do que é música, mas, quero me abster dele. Quero pensar somente no quanto a música me toca a alma. A minha e a de qualquer ser. Para isto, quero crer, é que a música manifesta-se de formas diversas, desde uma ária de Beethoven, ao toque dos tambores africanos, passando pelo lamento dos negros do Mississipi e o cântico dos índios brasileiros.
Em todos os tempos, há sempre um inconformismo com o contemporâneo e a expressão de que “hoje, não se faz mais música, como antigamente” é replicada como a mais densa das verdades. Igual a muitos, sou vítima da soberba, da pretensão de que sei alguma coisa mais do que alguém e, também, já repeti tal frase algumas vezes.
E essa coisa de nos acharmos melhor conhecedor de alguma coisa é que faz com que deixemos escapar um precioso sentimento: o respeito. Quando alguém escolhe ouvir uma valsa, independente da idade, pode ser que sua alma esteja enternecida, por alguma razão que só a si interessa. Porém, quando um jovem prefere a música de um de “Dj”, é porque, certamente, seu sentimento é de exaltação à sua juventude. Então, que lhe seja permitido ouvir seu “bate-estaca”, por que não?
A libertação dos preconceitos é que nos impregna da vontade de sermos iguais e nos deixa com a convicção de que uma composição erudita não é mais importante ou mais representativa do sentimento humano, do que qualquer outra música. Dia desses, ouvi do meu filho o seguinte: “eu não gosto da letra de nenhum funk, mas, acho maneira a batida”.
Então, fui ouvir o Ed Motta, porque ainda não estou totalmente liberto dos meus preconceitos contra o funk, mas, um amigo havia afirmado-me que a música dele, do Ed Motta, tem uma batida funkeada. Caramba, e não é que gostei!
A música está presente no ser humano desde a mais remota idade e vem ao longo dos séculos modificando-se ao sabor da evolução do Homem, isto é, ela se faz eterna, por essa incrível capacidade de adaptação. É por isso que os críticos se perdem em querer torná-la estanque, quando ela é o refletir do Homem na sua idade, nas suas idiossincrasias, naquilo que o comove, naquilo que ele deseja ser e ter.
Logo, é justo dizer que uma música é bonita, bem elaborada e única para quem a compõe, como se um filho querido fosse.
Há uma história que li, desculpem, mas, não lembro onde, que diz: O maestro Villa-Lobos foi visitar a Mangueira e ao lá chegar viu Cartola e outros mitos em uma roda de samba. Alguém, então, aproxima-se e pergunta: “Que tal mestre, o que o senhor está achando?” Ao que ele teria respondido: “Está tudo errado, mas está bonito!”.
Por: Ernâni Motta
Setembro/2005.
Escrito por Ernâni Motta às 12h57
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Nem tudo está perdido
Alô, alô, temos novidades. O último fim de semana foi de levantar a moral do mais desligado dos brasileiros. Maluf está preso, manchetaram os jornais, no domingo. Confesso que foi com uma certa incredulidade que li, mas, lembrei a Democracia brasileira já algemou Sérgio Naya, o Juiz Nicolau e outros, então, reconheçamos, nem tudo está perdido.
As nossas instituições, mal ou bem, estão funcionando. Para os que continuam a acreditar que o Pelé tinha razão, quando falou que não sabemos votar, digo que está na hora de se começar a reavaliar tal conceito. Pelo menos, acredito, estamos aprendendo.
Escrito por Ernâni Motta às 12h51
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Severino encostado na parede
As denúncias contra o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcante, seriam suficientes para apeá-lo do cargo e do mandato. A entrevista de seu desafeto, Sebastião Buani, foi contundente de tal forma que se poderia dizer, em primeira hora, ter Severino entrado num beco sem saída.
Mas, mesmo nessas horas, acho que o espírito de justiça não deve ser esquecido. Portanto, que se ouça Severino, naquilo que ele acredita serem as suas verdades, que, sinceramente, não as são para mim. Pensamento defendido pelo PT.
Agora, as provas poder-se-ia dizer são um tanto inócuas, a partir do instante em que Buani mostra, como tal, a xerocopia de um documento e diz que o original está em poder do presidente da Câmara. Ora, pois, Severino jamais irá fazer valer contra si qualquer prova.
A oposição, que ficou num alvoroço só, com as denúncias de Buani, teve um momento de sensatez e voltou atrás na decisão de não participar das sessões da Câmara presidida por Severino, ao menos na de votação da cassação de Roberto Jefferson, amanhã, quarta-feira.
Severino Cavalcante, é bom que se lembre, foi ovacionado por aqueles que hoje desejam vê-lo pelas costas. Deputados do PFL, PSDB, PDT deram gritinhos eufóricos, que foram mostrados para o Brasil todo, pela TV Câmara, quando foi publicado o resultado da eleição. E declarações as mais ufanistas foram proferidas, por aqueles parlamentares, na ocasião. Gostaria de lembrar, portanto, o que diz o velho ditado: "quem pariu Mateus, que o acalante".
Escrito por Ernâni Motta às 12h50
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Cai a avaliação de Lula
13/09/2005 – 12:08
Avaliação pessoal de Lula é a pior desde início do governo, diz Sensus.
BRASÍLIA - A aprovação ao desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu 9,9 pontos percentuais em setembro, de acordo com a pesquisa CNT/Sensus. A aprovação saiu de 59,9% em julho para 50,0% neste mês. A desaprovação aumentou de 30,2% em julho de 2005 para 39,4% em setembro. Estes são os piores índices encontrados pela pesquisa desde o começo do governo.
Quando Lula tomou posse, em janeiro de 2003, 83,6% dos entrevistados aprovavam o presidente e apenas 6,8% o desaprovavam.
De acordo com o diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes, a pergunta avalia o desempenho de Lula à frente da máquina pública, seguindo parâmetros de pesquisas americanas. Nos EUA, 50% é o limite técnico para que um governante tenha chances de reeleição. Ou seja, Lula estaria nesse limite, segundo o técnico. "Abaixo de 50% não há chances de reeleição", disse Guedes.
A pesquisa divulgada hoje ouviu 2 mil pessoas em 195 municípios, entre os dias 6 a 8 de setembro de 2005.
(Azelma Rodrigues | Valor Online)
Escrito por Ernâni Motta às 11h38
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