Ernâni Motta


O AMAPÁ NÃO MERECE

O Estado do Amapá, talvez, por sua condição de filho caçula de uma família de gananciosos, vive esquecido das vozes que se acham representativas deste país. Tão esquecido que a chamada grande imprensa brasileira só o coloca em suas manchetes quando é para divulgar as desditas de qualquer natureza que por lá acontecem, como se fosse privilégio do povo amapaense, como se não se repetissem em qualquer outro co-irmão.

De qualquer maneira, há horas em que penso que o Amapá ainda é uma criança que precisa de fraldas para não sujar o seu derredor. Mas, ao mesmo tempo, quero dizer que me recuso a acreditar que isto possa ser verdade, pelo menos, só com ele.

O Supremo Tribunal Federal – STF – derrubou, ontem, a liminar que garantia os mandatos do senador João Alberto Capiberibe e de sua mulher, a deputada Janete Góes Capiberibe, ambos do PSB. O casal teve os mandatos cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral, há mais de um ano, mas mantinha-se no Congresso por força de uma liminar concedida pelo ministro Eros Grau, do STF. E isto foi manchete de primeira página, hoje, nos principais jornais do país.

            As principais provas contra Capiberibe e sua mulher foram os depoimentos de duas mulheres que disseram ter recebido R$ 26 para votar no casal e a denúncia de ter sido encontrada a quantia de R$15.495 e uma relação com nomes de eleitores que teriam tido voto comprado. E sobre isto não me cabe fazer qualquer tipo de avaliação, mas à Justiça, o que foi feito. Como disse o advogado do casal, o ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça, Paulo Costa Leite: “Não se pode concordar ou discordar de decisão do STF. Tem que se cumprir”.

            No lugar e Capiberibe, assume Gilvan Borges (PMDB-AP), terceiro colocado nas eleições de 2002, e no da deputada Janete, o nome indicado ainda depende de decisão da Justiça Eleitoral.

            O Amapá sai das manchetes, por ter parlamentares acusados de compra de votos e entra pelo pitoresco. Para refrescar a memória, o senhor Gilvan Borges é aquele que usa sandálias franciscanas com paletó e gravata e declarou, justificando o seu nepotismo, que havia nomeado sua mãe, como assessora, por ter sido ela quem o pariu e a mulher, por ser ela quem dorme com ele.

            A inteligência amapaense, definitivamente, não merece isto.



Escrito por Ernâni Motta às 18h52
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A PRIMAVERA CHEGOU

Ontem, às 19h23m, começou a primavera, a estação do reflorescer, do recomeçar. Por isso, acho que ela tem tudo a ver com o amor, no seu mais vasto sentido. Aquele que deveria ser, diuturnamente, disseminado pelo ser humano, mas que anda tão esquecido.

O amor e a primavera difundem alegria, leveza, serenidade, paixão... E pensando nisso, lembrei de uma crônica que fiz há algum tempo e que, agora, divido com vocês. Ela fala de uma alegria que a gente só sente na adolescência, quando começamos a conhecer a paixão, a alegria, a felicidade. É o Riso dos 18, que deve ser docemente vivido por todos e esperam que todos vocês tenham tido a oportunidade de vivê-lo.

Leiam a crônica abaixo e tenham todos um fim de semana bastante primaveril!



Escrito por Ernâni Motta às 18h50
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O RISO DOS 18

            Hoje, estava lembrando do dia em que ficamos sentados, no meio fio, embaixo de uma velha mangueira, naquela praça que dizíamos ser nossa. As pessoas passavam, umas lançavam olhares com um certo desprezo, talvez, nos censurando ou por inveja, não sei, por termos escolhido aquele lugar para sentar. Outras soltavam um ligeiro sorriso, que eu acreditava ser de aprovação, se não era tanto faz. Outras, ainda, passavam impassíveis, ignorando a nossa felicidade, e, como rindo estávamos, delas nem nos percebíamos.

            Do que falávamos ou do pouco que falávamos não lembro, só sei que nos encantávamos um pelo outro. Encanto que a gente só sente, quando apenas 18 anos se tem, quando nossas crenças são as de que o amanhã será melhor e que um dia seremos felizes. Mal sabíamos, felizes já éramos!

            Você lembra, dividíamos um pedaço de pão? É, um pedaço que você, quando saía de casa, correu ao armário e apanhou. Não sei bem o por quê, mas aquilo nos fez rir. Interessante como tudo nos provocava uma incontrolável vontade de rir. Acho que é uma vontade que a gente só sente quando 18 anos se tem.

            Lembro de que ao querer dividir comigo aquele pedaço de pão, falei: - Estou com as mãos sujas. Mais um motivo para você rir e carinhosamente perguntar: - E daí, seu bobo? Agora, me questiono, será que a gente só ouve pergunta desse jeito, temperada com aquele riso e com aquela voz da mais pura doçura quando 18 anos se tem?

            Ah! Havia chegado à sua casa levando uma garrafa de vinho, que estava com menos da metade, disso ainda recordo. E sentados na calça dele bebemos, enquanto do pedaço de pão comemos. Lembro, também, que o vinho era para comemorarmos os nossos três meses de namoro, ou seria noivado? Tanto faz, namoro, noivado, tudo não passa de convenções, que o amor aos 18 anos não entende.

            Aqueles três meses foram suficientes para que os nossos corações passassem a bater num único compasso, nos fizessem acreditar que eternamente um do outro seríamos e ter muitos motivos para rir, coisas de quem 18 anos tem.

            Eu escondi o vinho, para que os de sua casa não vissem. E isso nos provocava mais motivo de risos, aquilo era uma espécie de um segredo só nosso, por isso, que aqueles que passavam por nós, e nos viam ali sentados, não entendiam o por quê das nossas risadas. É verdade que ninguém consegue entender por que um pouco de vinho e um pedaço de pão podem fazer um casal tanto rir. A gente só entende quando a gente 18 anos tem.

            E os beijos, os abraços, os carinhos que trocávamos, você lembra? E lembra de que quase não consigo lhe beijar, porque você tinha migalhas de pão, pelo rosto todo? Tentei limpá-las com a mão e aquilo nos fez rir, rir como poucas vezes na vida já rimos. Não seria por que 18 anos nós tínhamos?

            Naquele frenesi, disto acredito que você lembre, deixei o vinho pingar na minha camisa. Tentamos algumas coisas, mas nada ajudou. E entre risos você, então, falou: - Deixe pra lá! Quando chegarmos em casa, eu lavo.

            Aquilo, porém, me criou dois problemas, um era a preocupação em não conseguir tirar a tintura do vinho. Que explicações eu daria à minha mãe? Teria de lhe dizer a verdade, porquanto mentir eu não sabia, só vim a aprender depois que dos 18 passei.

            O outro? O outro era que ficar sem camisa, em sua casa, isto nem pensar! Afinal, enquanto você lavasse, secasse e passasse, quanto tempo isto levaria? O olhar dos seus pais para aquele meu físico que lembrava um tísico seria um tormento. Não, eu não teria tanta coragem assim. Ainda teríamos de lhes contar o que havia acontecido, você para eles não iria mentir. Não, mentir você não sabia. Dezoito anos eram o quanto você tinha...

            O pão acabou, o vinho acabou e aquele nosso riso também acabou. Mas, tantas outras coisas nós começamos. Começamos a querer entender a vida, começamos a dividir nossas vidas, começamos a multiplicar as nossas vidas.

            O que é isto? Um pedaço de pão? Veja, tenho uma garrafa, com um pouco de vinho. E o sorriso dos 18? Eu menti, ele nunca acabou!...

 

Ernâni Motta

Rio, 15/04/2003.



Escrito por Ernâni Motta às 18h49
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PARABÉNS PRA VOCÊ!

            Jornaleiro, eu ia cantar Parabéns pra você, mas, lembrei que teria de pagar direitos autorais, e como estou duro, dançou... Mas, falar pode, então, felicidades para você e que continue perspicaz e sem dar refresco para a turma da caneta, do microfone e da telinha. Ao contrario do que muita gente possa pensar, o que você faz é uma contribuição generosa para o aperfeiçoamento dos nossos coleguinhas.

            Devido a distância, estou impossibilitado de ir para a sua festa. Mas, como sei que o meu amigo Bonfim vai estar lá, por favor, pode dar para ele as doses de whisky que seriam minhas. Aliás, meu camarada, você, hoje, se confessou primo da Rosany e da Vânia Beatriz, ou seja, de tabela, você também é primo do Bonfim. Sendo assim, você agora tem de parar de falar mal dele, sacou? É feio falar mal de parente, principalmente, se o parente é blogueiro... (rsrs).

            Sucesso!



Escrito por Ernâni Motta às 18h47
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BRIGA NA CPI

            Na semana passada, um grupo de deputados “passeou” pelos corredores da Câmara, de braços dados, rindo como se fossem adolescentes, após aprontarem uma das suas na escola, quando foram entregar à Comissão de Ética da Câmara a representação contra o presidente da Casa, deputado Severino Cavalcanti.

            Gesto em si, profundamente, lamentável e pelo que fazia supor, a união de Gabeira com Ronaldo Caiado. E para mim, nessa história, os fins não justificavam os meios, porquanto não acredito que, para a providência a ser tomada, fosse necessário os braços dados de Gabeira com Caiado. Mas, políticos são sempre assim!

            A serenidade e o equilíbrio deveriam ser mais do que virtudes aos políticos, deveriam ser requisitos obrigatórios. Muito provavelmente seríamos poupados da humilhação como a descrita acima e a que o povo brasileiro foi submetido ontem, com a baixaria protagonizada, no plenário da CPI dos Correios, pelos deputados Eduardo Valverde (PT-RO), João Fontes (PDT-SE) e a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL).

            A senadora Heloísa Helena e o deputado João Fontes são conhecidos por seus destampatórios, fruto visível de uma sede de vingança, contra os seus ex-companheiros do PT, o que só depõe contra os dois, pelo menos, no meu entendimento. E quanto ao parlamentar rondoniense, não o conhecia, porém, por seu destempero ontem, fiquei com a sensação de que não é muito diferente dos seus pares.

            Disse a colunista Tereza Cruvinel, de O Globo, referindo-se a senadora Heloísa Helena: “Ninguém merece o que ela ouviu, mas quem diz tudo o que quer, um dia ouve”. A digna representante da Terra dos Marechais, não raras vezes, incorpora o espírito de Maria Bonita e pensa que está no sertão de seu Estado, ao invés de no plenário do Senado. O que, sob hipótese nenhuma, justifica a agressão de Valverde. Entretanto, concordo com a afirmação de Tereza Cruvinel.

            É possível que alguém discorde da minha opinião, mas precisamos nos distanciar dos mitos e nos aproximar dos Homens, para que possamos vê-los em sua essência, com virtudes e defeitos.



Escrito por Ernâni Motta às 14h49
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FILOSOFIA

A filosofia é pop, mas não pode ser burra

 

Filosofia no "Fantástico", do modo que está, é burra. É tudo, menos filosofia. Filosofia em manuais é necessário. Mas em manuais toscos, é o que menos precisamos.

As pessoas procuram a área de filosofia. Sim, procuram. Há a idéia de que o filósofo, de todos os que transitam nas Humanidades, é o que é melhor formado, o que "restou" de uma "época de ouro" no ensino brasileiro. Em parte isso é verdade. Quem procura a filosofia o faz por motivos estritamente ligados ao saber, à curiosidade, então, em geral é alguém que lê, que leva a filosofia a sério. Mas é tolice pensar que só por isso qualquer um que fez o curso de filosofia ou que escreveu algo em filosofia pode fazer divulgação filosófica de modo correto.

A divulgação em filosofia demanda um filósofo mais bem preparado que o filósofo que faz pesquisa no mundo acadêmico. Os grandes filósofos foram os melhores divulgadores da filosofia. Descartes, Sartre e Rorty - todos eles, para não citar um bocado de outros, fizeram textos de suas filosofias para o grande público. Tiveram sucesso nisso.

Uma coisa é dar palestrinhas que criam a "sensação subjetiva", em quem assiste, de que se está aprendendo filosofia ou, pior, se está filosofando, outra coisa é gerar uma forma de exposição clara, didática, mas correta, que realmente coloca quem assiste no rumo da filosofia. Há quem pesquise e escreva sobre filosofia, mas não possui maturidade intelectual para divulgar filosofia de modo eficaz e correto. Há quem divulgue, mas não seja realmente bem ilustrado e profundo para isso.

Os países que democratizaram o seu ensino de um modo geral são os que conseguiram gerar filósofos capazes de textos de profundidade e, ao mesmo tempo, textos de divulgação ou de "formação". Os Estados Unidos são um exemplo disso, hoje, mais que os europeus.

Os norte-americanos fazem muitos manuais bem feitos. Fazem programas na TV, de filosofia, que são bons e para um grande público. No Brasil os manuais apenas repetem uma velha e cansativa história da filosofia que leva à falsa erudição. E o que se faz na TV sobre filosofia, mesmo nos canais culturais, parece ou um repeteco de aulas bem cansativas e sem qualquer objetivo ou, então, são o "samba do crioulo doido" do Fantástico.

Pessoas repetindo "é melhor ser que ter" ou "o pensar liberta" é o que resulta do Fantástico. Pessoas criando frases como "o neoliberalismo e a globalização condenam todos nós" para colocar em dissertações e teses de uma academia que exige títulos sem conhecimento é o que resulta das aulas das TVs culturais.

Estamos sem jornalistas culturais sérios. Falta no mercado bons professores de filosofia que saibam usar a filosofia, que saibam colocá-la nas mãos das pessoas sem que isso se transforme em bobagem de auto ajuda. No momento que estamos vivendo, que é a época onde os "filósofos brasileiros" recomendados viraram papagaios de pirata - ou de FHC ou de Lula - e não enxergam um palmo na frente do nariz, é fácil que um bando de imbecis venha a dizer que "a questão do ser" é importante - na TV. É marmelada. O Chacrinha filosofava melhor.

As escolas de filosofia deveriam começar a se preocupar com o jornalismo cultural, também na área de filosofia. Todas as faculdades de filosofia deveriam pensar seriamente nisso.

 

Paulo Ghiraldelli Jr. é filósofo e autor de Caminhos da filosofia (Rio de Janeiro: DPA, 2005). Coordenador do GT-Pragmatismo da Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF).

 



Escrito por Ernâni Motta às 10h44
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DO BLOG DO NOBLAT

Em legítima defesa

Lula estabeleceu três condições para ser candidato à reeleição:

* que o PT esteja em má situação - e somente ele poderia salvar o partido;

* que a economia esteja bem;

* que ele consiga montar uma aliança forte para enfrentar seus adversários.

As duas primeiras condições são praticamente certas. Quanto à última, Lula acabará se dando por satisfeito se contar com o apoio do PC do B e de outras pequenas siglas.

Quer dizer: será candidato à reeleição. Na pior das hipóteses, para defender seu governo.

Enviada por: Ricardo Noblat


Escrito por Ernâni Motta às 10h08
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HELOÍSA HELENA LEVA TAPA E CPI É SUSPENSA

Agência Estado

 

O presidente da CPI do Mensalão, senador Amir Lando, suspendeu por alguns minutos a sessão conjunta da CPI do Mensalão e dos Correios, que ouve o empresário Daniel Dantas, do Grupo Opportunity. A sessão já retomada foi suspensa por conta de um bate-boca entre os ex-petistas deputado João Fontes (PDT-SE) e a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), com o deputado petista Eduardo Valverde (RO), que culminou em agressão física de Valverde contra Heloísa Helena, que levou um tapa.

O clima esquentou quando o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) fez declarações duras contra o PT, rebatendo a senadora petista Ideli Salvatti, que queria vincular Dantas ao governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), tendo citado a sociedade da filha do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), com a esposa de Dantas.

Paes chamou a acusação de leviana e se referiu ao PT como partido corrupto, que se utilizou do poder para ascender socialmente. Em resposta a Paes, Valverde tentava pedir a palavra, mas não foi autorizado pelo presidente da CPI. Nesse ínterim, João Fontes mandou Valverde calar a boca e também chamou o PT de "partido de ladrões".

A senadora Heloísa Helena engrossou o coro e em determinado momento se aproximou de Valverde com o dedo em riste. O deputado reagiu com um tapa. A confusão começou e os parlamentares se aproximaram para tentar acalmar a situação.

Escrito por Ernâni Motta às 17h26
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REFERENDO SOBRE DESARMAMENTO

            Na segunda-feira, 19/09, fui assistir ao debate “Referendo sobre o desarmamento: exercício de cidadania”, no Instituto dos Advogados Brasileiros, cujos palestrantes foram o sociólogo Rubem César Fernandes, coordenador do Movimento Viva Rio, e o Dr Francisco Pizzolante, advogado e professor de Direito da Universidade Cândido Mendes.

            Sinceramente, depois de mais de duas de debate, saí com mais dúvidas do que quando entrei. Procurei ouvir atentamente os dois palestrantes, nas suas razões e pontos e vistas, naquilo pudessem parecer contradições e, sobretudo, nas contestações que as partes fizeram, com relação aos argumentos de seus antagonistas.

            Mas, devo reconhecer que há uma informação que precisa ser esclarecida à população, o referendo será para se dizer SIM ou NÃO à FABRICAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE ARMAS DE FOGO NO PAÍS, e não o recolhimento ou desarmamento puro e simples das pessoas, como se pode entender no primeiro momento.

            E foi a partir desse esclarecimento que minhas dúvidas se acentuaram, o meu entendimento a opção pelo SIM levará ao encerramento das indústrias e das lojas que vendem armas de fogo, o que geraria uma onda de desemprego pelo Brasil adentro. Enquanto que pelo NÃO, sem um controle paralelo, só contribuiria para aumentar a saída legal e a entrada ilegal de armas no país.

            A minha primeira conclusão é a de que se faz necessário DEIXAR A POPULAÇÃO EFETIVAMENTE ESCLARECIDA sobre o que, realmente, irá votar e decidir. Ainda voltarei ao assunto, com mais informações sobre o Referendo.



Escrito por Ernâni Motta às 16h48
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BANCO MUNDIAL: AMPLIAR O ACESSO DOS POBRES...

            O Banco Mundial (Bird) concluiu que enquanto não forem implantadas políticas para reduzir as desigualdades, e não houver uma melhor distribuição de renda no Brasil e nos países e desenvolvimento em geral, será impossível reduzir a pobreza.

            E acrescenta que a base fundamental para o combate à pobreza é a equidade e não apenas o simples crescimento econômico, como defendia até aqui a maioria dos especialistas do setor e do próprio Bird.

            O objetivo não seria o de alcançar a igual de renda, mas sim “ampliar o acesso dos pobres à assistência de saúde, à educação, ao emprego, ao capital e aos direitos de propriedade da terra”.

            Ao que me consta foi com este mesmo discurso que Luiz Inácio Lula da Silva conquistou 53 milhões de votos, que o levaram a presidência da República. Será que foi Lula que se adiantou ou o Bird que se atrasou na palavra? Seja lá o que for, o que interessa é que se passe do palavrório à ação.

Escrito por Ernâni Motta às 16h46
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PARA QUEM NÃO SABE

A Polícia Federal, na semana passada, desarticulou uma quadrilha de tráfico internacional de drogas e apreendeu duas toneladas de cocaína, em um frigorífico, na Penha, bairro da Zona Norte, do Rio de Janeiro, que seria exportada dentro de bucho de boi para Portugal.

            A Operação Caravelas, título dado pela PF à ação, prendeu sete pessoas, entre elas o empresário José Antonio de Palinhos Jorge Pereira, que segunda a própria PF, é proprietário da rede de restaurantes Satyricon, freqüentado por gente de classe alta da cidade.

            No sábado, agentes da Polícia Federal apreenderam num prédio de alto luxo em Ipanema, na Zona Sul da cidade, um Porsche blindado de propriedade de José de Palinhos. No carro havia uma mala com US$ 490 mil (calculado em R 1,10 milhão).

            Essa dinheirama, que deveria ter sido depositada em um banco, ficou custodiada na própria sede da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, de onde foi roubada, neste fim de semana.



Escrito por Ernâni Motta às 17h21
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QUE VERGONHA!

“POLICIA FEDERAL INVESTIGA ASSALTO NA POLÍCIA FEDERAL”



Escrito por Ernâni Motta às 16h14
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EM FRENTE, MIGUELÃO!

         Sempre tive comigo que inteligência e preguiça são irmãs, quase siamesas. Quando a primeira resolve instalar-se em alguém a outra vem junto, porém, quando é a segunda que toma a atitude, a primeira não, necessariamente, lhe garante reciprocidade. Por isso, que disse quase siamesas.

            Os inteligentes, por certo, discordarão dessa minha conclusão, mas, os preguiçosos, como eu, haverão de concordar na primeira hora. Afinal, os preguiçosos são solidários! Eu mesmo na medida em que posso, procuro entender as justificativas dos meus companheiros de sina e tento ajudar a clareá-las ao máximo possível.

            Hoje, li no “Cotidiano de Uma Grande Família”: “Depois de quase 20 anos afastado dos bancos escolares, o senhor meu marido Miguel Mendes, o popular Miguelão, aos 53 anos, resolveu voltar a estudar, é o mais velho novo universitário do curso de Direito”. Isto não só me enche de alegrias, como corrobora com as minhas afirmações acima.

            Miguelão sempre foi sagaz, de raciocínio rápido, espontâneo, enfim, um cara inteligente, mas, não muito afeito aos estudos. Isto é, um inteligente preguiçoso! Vamos deixar, contudo, bem claro o seguinte: preguiçoso, no bom sentido. Portanto, saber que o Miguelão resolveu encarar (é verdade, meio que empurrado pela mulher) uma faculdade enche-me da certeza de que ele será, seguramente, muito mais do que um aluno aplicado, será um profissional digno do ofício escolhido.



Escrito por Ernâni Motta às 16h12
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O CASTIGO VEM A CAVALO

            Em 1980, morava em Recife, quando um deputado estadual pernambucano, resolveu entrar com um processo de expulsão do Brasil, contra o Padre Vitor Miracapillo, por este ter se recusado a celebrar uma missa pela passagem do Dia da Independência.

            Houve, como sempre nesses casos, os a favor e os do contra. Lembro que as mais diversas entidades manifestaram-se contra o ato arbitrário, mas, vivíamos, ainda, sob a chibata da ditadura e de nada adiantaram os apelos.

Hoje, o Padre Vitor, por certo, deve estar orando pelos fiéis que deixou no agreste pernambucano e seu algoz prepara-se para renunciar ao mandato de deputado federal.

            Como se diz lá, em Pernambuco, seu Severino, o castigo vem a cavalo.



Escrito por Ernâni Motta às 16h09
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VAMOS COMEÇAR A SEMANA COM POESIA

Hoje, publico para vocês o poema de Carlos Drummond de Andrade, chamado “A Mão Suja”. Acho que tem tudo a ver com o momento político que o País vive, inclusive, com as eleições do PT, ocorridas ontem.

 

A MÃO SUJA

 

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Minha mão está suja.

Preciso cortá-la.

Não adianta lavar.

A água está podre.

Nem ensaboar.

O sabão é ruim.

A mão está suja,

suja há muitos anos.

 

A princípio oculta

no bolso da calça,

quem o saberia?

Gente me chamava

na ponta gesto.

Eu seguia, duro.

A mão escondida

no corpo espalhava

seu escuro rastro.

 

E vi que era igual

usá-la ou guardá-la.

O nojo era um só.

 

Ai, quantas noites

no fundo da casa

lavei essa mão,

poli-a, escovei-a.

Cristal ou diamante,

por maior contraste,

quisera torná-la,

ou mesmo, por fim,

uma simples mão branca,

mão limpa de homem,

que se pode pegar

e levar à boca

ou prender à nossa

num desses momentos

em que dois se confessam

sem dizer palavra...

A mão incurável

abre dedos sujos.



Escrito por Ernâni Motta às 12h01
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Encerrando

E era um sujo vil,

não sujo de terra,

sujo de carvão,

casca e ferida,

suor na camisa

de quem trabalhou.

era um triste sujo

feito de doença

e de mortal desgosto

na pele enfarada.

 

Não era sujo preto

- o preto tão puro

numa coisa branca.

Era sujo pardo,

pardo, tardo, cardo.

 

Inútil reter

a ignóbil mão suja

posta sobre a mesa,

Depressa, cortá-la,

fazê-la em pedaços

e jogá-la ao mar!

Com o tempo, a esperança

e seus maquinismos,

outra mão virá

pura – transparente –

colar-se a meu braço.



Escrito por Ernâni Motta às 12h00
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Crônica

            A crônica que postei, ontem, que você lê abaixo, com o título Um Up Grade Merecido e Um Chaveiro Perdido, fiz para homenagear minhas colegas de faculdade, no Dia da Mulher, ano passado. Mas, ela, agora, homenageia também a Vânia Beatriz, uma nova amiga que ganhei depois de criar este blog. Querem saber o por quê? Visitem o blog dela, acessando pelo link Por Onde Andou Meu Coração, ao lado.



Escrito por Ernâni Motta às 11h51
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UM UP GRADE MERECIDO E UM CHAVEIRO PERDIDO

 

Nos conhecemos quando já estávamos no segundo ou terceiro período da faculdade, nem lembro ao certo. E, quando digo nos conhecemos, na verdade, quero dizer começamos a sedimentar nossa amizade, isto é, iniciamos a descoberta de nossas semelhanças e afinidades. Sim, porque, antes disso, é claro, já trocávamos um oi aqui, um olá ali.

            Com o passar dos períodos, fomos trocando confidências, realizando os trabalhos em dupla, quebrando o galho um do outro e – cá pra nós, que professor nenhum nos ouça – até passando um cola pra cá outra pra lá. Mas, foi muito mais que isso, foi uma descoberta paulatina de sentimentos e interesses comuns. Enfim, descobrimos que seríamos amigos para todo o sempre.

            O tempo de faculdade, porém, como tudo tem seu fim. Chega a hora da tão sonhada colação de grau. São fotografias, valsa, muita comemoração... É o glamour que serve de hiato entre os sonhos da faculdade e a realidade da busca de uma chance no famigerado “mercado de trabalho”. Que noite memorável! Parentes, amigos, professores... Todo mundo a nos desejar sucesso na carreira, como se aquelas palavras fossem um corre-mão para nos apoiarmos, na difícil escada que teríamos de galgar.

            A primeira batalha é pelo tal do estágio. Sim, porque não adianta chegar com diploma debaixo do braço, sem estágio. “Você fez estagio onde?”, “Você já tem alguma experiência?”, “Por enquanto, só temos vagas para estagiário” são frases que se ouve, ao tentar encontrar o primeiro emprego.

            Vencida a etapa dos estágios, aos poucos fomos encontrando as nossas oportunidades. Um numa editoria de esportes, outro numa de economia, outro mais, ainda, na de cultura e por aí afora. Houve quem preferisse rádio, alguns, os mais desinibidos (ou mais exibidos?), resolveram encarar uma briga mais acirrada e tentaram a TV. Agora, o cerne da coisa, mesmo, é que nos dispersamos e fomos viver nossas experiências, cada um ao seu modo.

            Um dia, não sei quanto tempo depois, estou saindo de uma agência dos Correios e ei-la, ali, à minha frente, trajando um             elegante tailleur, cabelos arrumados, uns discretos brincos e um fino cordão de ouro, tudo isto sobre um par de escarpin. Um contraste imenso de como a conheci: calça jeans, camiseta com frases de protestos e sandálias. Não contive a indiscrição: “O que houve? Abandonou o estilo punk, por quê?”, indaguei-lhe.

            Ela riu e falou-me: “Não vai me dar um bom-dia, antes?” Deu-me um beijo e continuou: “Pois é, troquei a editoria de Polícia pela de Política, estou indo para uma entrevista com um deputado”. O meu sarcasmo foi maior e não resisti: “Mas, cuidado, no Brasil de hoje, Polícia e Política estão andando de mãos dadas”. Ela deu de ombros, e eu me senti um velho ranzinza.

“Quando nos encontramos para um chopinho? Acho que temos muito que conversar...”, disse-me, estampando aquele conhecido sorriso. “Por mim, agora”, retruquei-lhe sem perda de tempo. Ela espetou o indicador no meu peito e sentenciou: “Amanhã, às cinco da tarde, escolha o lugar e me telefone”. Dei-lhe um beijo, no rosto e respondi: “Vou ligar, tchau”.

            No fundo, eu sabia que ela merecia aquele up-grade, e que outros ainda iria fazer por merecer. Não é por sermos amigos, mas a danada é inteligente, de umas sacadas mais rápidas do que um raio, firme em suas decisões, super interessada no que faz, alegre, dona de uma empatia fantástica e de uma alma generosa aos extremos.

            Ao deixar o táxi, a vi estacionando, chegávamos precisamente na mesma hora. Um abraço apertado, um ligeiro carinho nas costas e nos perguntamos ao mesmo tempo: “Então, como você está?”. Ela fala pelos cotovelos e eu lotado de coisas para lhe contar... Não sei se dá para você imaginar como rolou o nosso papo, entremeado de muito chope e torresmo.

            Lembramos da dureza que foi a faculdade, nos indagamos pelos demais colegas, falamos dos nossos amores, das nossas famílias, discutimos um pouco sobre política, lamentamos a insegurança e nos divertimos muito lembrando os velhos tempos. Só não falamos dos nossos trabalhos, mas, também, para quê?



Escrito por Ernâni Motta às 12h00
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CONCLUSÃO

            Depois de boas risadas, é hora de ir embora. Conta paga, um último gole no chope e faço-lhe companhia até o carro. É agora que começa uma tormenta para minha amiga. A chave do carro. Onde ela colocou a chave? Batia-se pelo corpo todo, como que se toda a sua roupa fosse um imenso bolso. Revirou a bolsa uma, duas, três vezes, e nada!... Resolveu voltar ao bar, quem sabe esqueceu a bendita chave em cima da mesa. Também, lá não estava. Olhou sobre as cadeiras, vasculhou o chão em volta, nem sinal... Perguntei ao garçom se ele havia encontrado algum chaveiro e tive um não como resposta. Voltamos para o carro, ela voltou a apalpar-se e nenhum tilintar sequer... Abriu novamente a bolsa e começou a passar os objetos de um lado para outro e nada da tal chave...

            Por fim, num gesto de desespero, entornou tudo o que tinha na bolsa, sobre o capô do carro e começou a vasculhar aquele amontoado de trecos... Nesse instante, a minha solidariedade esgotou-se e comecei a rir. O quadro era patético! Sei que deveria ajudar ao invés de rir, porém, sinceramente, não conseguia me controlar. Ela debruçada sobre o capô, revirava aquela quinquilharia desordenadamente, proferia palavrões e, ao mesmo tempo, me xingava.

            A garganta já estava seca, pedindo outro chope. Foi, então que vi preso na alça da bolsa um molho de chaves. A gargalhada foi maior ainda e só consegui apontar para ela... Numa ligeira pausa para retomar o fôlego, perguntei-lhe: “O que é isto aí, preso na alça da bolsa?”. Ela olhou – meio envergonhada, meio irada – fez um sinal obsceno e decretou: - A culpa é sua.

Começou a jogar de qualquer jeito aquela tralha de volta para dentro da bolsa, deu um suspiro e convidou-me: “Vamos tomar um em pé, porque senão eu vou enfartar”.

 

Ernâni Motta

Rio de Janeiro, 20/07/2004.



Escrito por Ernâni Motta às 11h59
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Funcionários do BB na PMM

            Li, na coluna do Leonai Garcia, no Diário do Amapá, hoje: “O prefeito João Henrique (licenciado do PT) deve tomar providencias contras os bancários do Banco do Brasil, lotados na PMM”. Como é que é? Que mal pergunte, que funcionários do Banco do Brasil fazem lotados na PMM. Trabalhei no BB, por 26 anos, e naqueles tempos, bons tempos, não nos era permitido outra função remunerada, exceção feita, somente, ao exercício do magistério.

            Se for o que entendi, há funcionários do Banco do Brasil trabalhando na Prefeitura de Macapá e, o pior, com privilégios. Com a palavra a Superintendência do Banco, em Macapá.



Escrito por Ernâni Motta às 11h54
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Coincidência?

            A Rede Bandeirantes está anunciando, para hoje, uma edição especial do programa Canal Livre, com entrevista do ex-deputado Roberto Jefferson, logo após a apresentação do filme: “Condenação Brutal”.

            Será que há alguma a ver?



Escrito por Ernâni Motta às 11h53
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