Ernâni Motta


CÍRIO DE NAZARÉ

Ó Virgem Mãe amorosa
Fonte de amor e de fé
Dai-nos a benção bondosa
Senhora de Nazaré

 

            Este refrão é cantado entusiasticamente todo segundo domingo de outubro, pelas ruas de Belém e das principais cidades do norte do país, em louvor à padroeira dos paraenses, durante a procissão que se arrasta, durante toda a manhã, que é conhecida internacionalmente como o Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

            O Círio existe há mais de 200 anos, segundo informam os historiadores e o hino “Vós sois o Lírio Mimoso”, cujo estribilho está reproduzido acima, data de 1909, de autoria do maranhense Euclides Farias. Contam que foi feito para Nossa Senhora da Providência e que depois, a pedido do padre Afonso Di Giorgio, o advogado, político e líder católico, da época, Aldebaro Klautau, escreveu a adaptação que atualmente cita o nome: Senhora de Nazaré.

            O Domingo do Círio representa para os devotos da Nossa Senhora o que o Natal significa para os demais cristãos. Por isso, o almoço do dia é servido com que há de melhor na culinária paraense, como o pato no tucupi e a maniçoba.

            Como existem paraenses por todas as grandes capitais brasileiras, têm-se notícias de reproduções do Círio por algumas delas, como Rio de Janeiro e São Paulo.

            Que o Círio de Nossa Senhora de Nazaré ilumine os nossos governantes, para que renunciem a ganância e se disponham a realmente promover a igualdade social, e o povo brasileiro, particularmente o paraense, para que se conscientize da sua condição cidadã e desenvolva o espírito fraterno, ordeiro e cristão.

                                             

                       foto: www.pa.gov.br/hotsite/ciriodenazaré

                      

                         Berlinda com a imagem de Nossa Senhora,

                                 carregada por romeiros durante a procissão



Escrito por Ernâni Motta às 16h19
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E O REFERENDO DO DESARMAMENTO? SIM OU NÃO?

            Como o “não” não me convenceu, fui assistir à propaganda do “sim”, preciso me definir, antes do dia 23. Mas, a argumentação do “sim” pareceu-me pífia, sem convicção. Utilizar-se da imagem de artistas conhecidos, através das novelas da Rede Globo, é uma tremenda forçação de barra.

            Eu preciso de argumentos concretos e consistentes que me cheguem ao coração e isto não senti. Dizer que as armas, que os bandidos usam, foram vendidas legalmente, mas, que depois foram desviadas é corroborar com a alegação de que basta ao governo ter controle seguro sobre as vendas, usado pelos defensores do “não”. E isto está mais do que provado é inócuo.

            Continuo na estaca zero!



Escrito por Ernâni Motta às 16h11
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A POLICIAL QUE DESCONHECE A LEI

            O século XXI avança célere, massacrando os que não percebem ou não querem perceber as transformações, que o progresso nos impõe.

            Duas moças, alunas da USP, da zona leste paulistana, estavam numa mesa, na cantina, com outros colegas, quando uma beijou a outra. Foi, então, que uma policial que serve na Universidade, ao ver a cena, disse às alunas desconhecer que homossexualidade era permitida por lei. E começou a fazer um discurso preconceituoso, alegando que a USP é um lugar de mães de família e gente séria, queixou-se uma das meninas, no Distrito Policial, onde o caso foi parar.

            Quando uma reação preconceituosa, como esta, parte de um homem já é condenável, de uma mulher, policial ainda por cima, fica mais lamentável ainda. Alegar desconhecimento da lei é um evidente pedido de baixa da corporação ou, no mínimo, de um longo período de reciclagem, para que possa aprender os que são direitos básicos de qualquer cidadão.

            Detalhe: o caso aconteceu, na maior capital brasileira e dentro de uma Universidade. Meu Deus, o que não estará acontecendo, pelo interior deste país?

Escrito por Ernâni Motta às 16h10
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É DECORO OU PORRADA?

            Não sabia porque a cada vez que ouvia a expressão “decoro parlamentar” sentia vontade de rir... Ontem, tive a explicação: tramita no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados processos de cassação de alguns parlamentares, denunciados por quebra do “decoro parlamentar” e, aí, ontem, o que vimos, no plenário da Câmara? Porrada! E isto não é quebra do decantado “decoro”? Se não é, o quê que é?

            Aliás, por falar em “porrada”, certa vez o narrador de jogo de futebol, inflamado, transmitia uma partida, do Glicério Marques, quando começou uma confusão na pequena área de um dos contendores. Querendo ser o mais fiel possível, com os ouvintes, perguntou ao repórter de pista: “Sergio Menezes, o que está acontecendo?” E a resposta, em alto e bom som: “É porrada, mesmo, Chicão”.

            Pano rápido.



Escrito por Ernâni Motta às 16h07
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            Ontem, fiz forfait, aí, não atualizei o blog e nem respondi aos comentários dos meus diletos amigos. É que tive de ir à Copacabana a negócios, depois, fui buscar o meu “caidinho”, que deixei na oficina para colocar insul-film. O verão está chegando e, como disse, um dos poucos luxos que tenho é o de ter ar condicionado no carro. Mas, para não aumentar demasiadamente o consumo de gasolina, cujo preço anda pela hora da morte, preciso deixar o calor do lado de fora.

            Não é que não goste do calor, mas, dirigir de camisa social e gravata sob uma canícula de 40 e poucos graus, cozinha o meu miolo todo. Eu, como todo homem, tenho os meus problemas com a sinapse e termino por ficar mais lerdo ainda. O que é sinapse? Disse uma amiga minha, que é mais ou menos o seguinte, é a conversa entre os neurônios. E vamos parar por aqui, antes que eu me atrapalhe mais.

            Agora, é uma covardia, a gente ter de ir a Copacabana de terno e gravata, com aqueles corpos à mostra.

 

           



Escrito por Ernâni Motta às 12h42
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AINDA COPACABANA

            Mas, Copacabana não é só praia, não sei se feliz ou infelizmente. Quando se deixa a Atlântica e chega-se a Nossa Senhora de Copacabana e às demais avenidas encontra-se de tudo. É uma profusão de idosos, com suas cabeleiras brancas, que fico imaginando o quanto de História há ali. Há também os jovens saídos das dezenas de academias, com corpos sarados, verdadeiras tentações a homens e mulheres de lá ou de qualquer lugar. Há o camelô, o pivete, uma fila interminável de ônibus, bancos, restaurantes requintados e humildes, enfim, com todos os sabores para todos os gostos e finanças.

            Copacabana ferve de dia e de noite, com a moça que tenta vender a única coisa que ela não deveria comercializar, que é o próprio corpo. Com o turista escandinavo que brilha à luz do sol ou do refletor, por sua transparência e que é um dos que estão disposto a comprar o corpo da jovem.

            Copacabana tem a maior arrecadação fiscal desta Cidade Maravilhosa, tem clubes e boates, onde dançam literalmente e no sentido figurado homens e mulheres, vindos de qualquer canto do Brasil e do mundo.

            Copacabana é sim a “princesinha do mar”, como disse o Mário Lago. É um colírio para qualquer olhar. É a beleza que nos invade a alma para regurgitarmos no mais solto e alegre dos sorrisos.

 

           

 

Fotos do site: www.copacabana.com 



Escrito por Ernâni Motta às 12h40
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IGREJA E ESTADO

            A Igreja e o Estado, no Brasil, têm um histórico de imiscuição mútua, que termina por nos fazer esquecer de que somos um país laico. Eu acredito que esteja na hora de se começar a deixar claro o que cada um representa para o povo, chega de a Igreja querer definir os rumos do governo e este de se submeter aos interesses daquela.

            A decisão do bispo de Barra (BA), Dom Luiz Flávio Cappio, em fazer greve de fome, como protesto pela decisão do governo de efetuar a transposição do rio São Francisco, é mais uma das intromissões que a Igreja tenta fazer a uma ação governamental. Mesmo que ele não tenha recebido apoio dos seus superiores e seja sabido que outros membros da Igreja discordem da atitude.

Greve de fome, pelo que sei, é um atentado contra a vida, por mais nobres que sejam os seus propósitos. Depois, muitos já morreram, em conseqüência da seca inclemente que maltrata o sertão nordestino há não se sabe quantos anos. Neste sentido, é bom que se lembre que os códigos canônicos defendem a vida e condenam os atentados contra ela, inclusive, o suicídio. E greve de fome é uma forma de suicídio.

            Chega a noticia de que o bispo teria desistido de seu protesto, após conversar com o ministro Jacques Wagner, enviado pelo presidente para iniciar um diálogo que desse termo à ação do bispo. Mas, ao que informam as agências, o governo teria capitulado quanto à transposição. Se for verdade, é mais uma subserviência do Estado à Igreja.



Escrito por Ernâni Motta às 12h37
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REFERENDO DO DESARMAMENTO

            E o referendo do desarmamento? Sim ou não?

            Comecei a simpatizar com a opção “não”, até que assisti à propaganda pela TV. E entre outros argumentos os defensores do “não” mostraram imagens dos tempos da ditadura, como cerceamento da cidadania, que seria o que o governo estaria querendo fazer agora, se o povo concordar com a proibição da comercialização de armas e munições no país. Aí, toda a minha simpatia sumiu pelo ralo.

Ora, dizer que a ditadura desconhecia a nossa qualidade de cidadão e ter, como um dos dirigentes da Frente Parlamentar que defende o “não”, o deputado Jair Bolsonaro (PFL-RJ) é um atentado à minha inteligência.

Voltei à estaca zero. Vou ouvir os argumentos dos que defendem o “sim” e depois comento.



Escrito por Ernâni Motta às 12h36
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E A ALCINÉA NÃO VEM MAIS

Estou abatido pela tristeza, é que a minha amiga, Alcinéa, não vem mais para a tarde de autógrafos, na ABL, conforme estava programado. Motivos particulares levaram-na a desistir, o que é profundamente lamentável, por tudo que representaria a sua presença no evento.

Alcinéa, recebi o convite e vou lá, sabendo que, nem que seja em pensamentos, você estará presente. Obrigado.



Escrito por Ernâni Motta às 12h34
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DO TUTTY VASQUES, NO SITE NO MÍNIMO:

Mau exemplo

José Alencar está acompanhando de perto a luta do bispo de Barra (BA) contra a transposição do Rio São Francisco. Se tiver final feliz, o vice-presidente pode iniciar greve de fome pela queda dos juros.

 

O pior cego é...

Corre na Internet uma eleição do personagem mais cego da novela das oito. Jatobá está perdendo para Feitosa.

 

Aqui não!

Está chegando ao mercado europeu o Renova Black, um papel higiênico preto. Aqui no Brasil, como se sabe, isso é crime inafiançável.



Escrito por Ernâni Motta às 12h32
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TCHAU ZAZÁ

            Até hoje lembro bem do mercadinho, como chamávamos o açougue, com três boxes naquele prédio bem na esquina da Mãe Luzia com a Eliezer Levy, que não sei se ainda continuam com os mesmos nomes, espero que sim. É que o homem vive com uma vontade infindável de renovação, que não duvido nada se alguém já não teve a idéia de trocar os respectivos, para homenagear seu novos ídolos. Quanto ao mercadinho, sei que não existe mais.

            Ao final da tarde, depois da instrução de educação física que tínhamos na praça, em frente ao Grupo Escolar Azevedo Costa, ficávamos sentados na calçada do mercadinho ouvindo as conversas dos mais velhos. Há uma que não esqueço, era a troça que faziam com o açougueiro titular, seu João de Paula.

            Contavam que ele tinha o maior orgulho dos três filhos: Jão, Zazá e Bolo, assim chamado por sua compleição física, ou melhor, João, Mozart e Manoel. Diziam que a qualquer oportunidade seu João de Paula gostava enaltecer as proezas dos rebentos. Contava ele: “O Jão é quem sabe melhor assobiar em todo o Laguinho e acho mesmo que em toda Macapá. Ele imita um sabiá com a maior perfeição e assobia uma valsa que precisa ver... O Zazá é o melhor dançarino que tem por aqui tudinho! Não é qualquer dama que sabe dançar com ele. Nessa hora, seu João de Paula era interrompido e todos gritavam ao mesmo tempo: “E o Bolo?”. Havia um instante de hesitação... Então, ele completava: “O Bolo, o Bolo é bom de porrada”.

            Pois é, lembrei dessa história, porque não consigo falar ou escrever sobre a morte, sem que sinta um aperto no peito, então, tento compensar lembrando de instantes alegres. Este fim de semana, recebi a informação de o Mozart, o grande dançarino, um dos orgulhos do seu João de Paula, faleceu, vítima de uma acidente rodoviário.

            Agora, só quem vai ter o privilégio de vê-lo dançar são os anjos, lá no Céu. Nós, por aqui, vamos ficar com a saudade dos tempos em que ele passava todo uniformizado, rumo à sede dos Escoteiros do Laguinho para se juntar aos seus companheiros e ir desfilar, no dia 13 de setembro, na Avenida Fab.

            A notícia chegou por aqui, aí, a Emilinha Borba que cantou tantos sucessos para a alegria de mais de uma geração, resolveu ir cantar lá no Céu. Acho que ela não quis que o Zazá ficasse sem música para dançar.

            Que o Mozart e a Emilinha sejam recebidos com uma grande festa, na casa do Papai do Céu.



Escrito por Ernâni Motta às 16h10
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HOSPITAL DE QUEIMADOS TERÁ OBRAS RETOMADAS

            São tantas notícias ruins que ao se saber de uma boa, fica até difícil de acreditar. Mas, está no Globo de hoje: “Obra de Hospital de Queimados será retomada”.

            Depois de terem sido abandonadas por mais de dez anos, as obras do Hospital Geral de Queimados serão retomadas em 2006. Ontem, o secretário nacional de Atenção à Saúde, José Gomes Temporão, e o prefeito Carlos Rogério dos Santos vistoriaram o esqueleto da unidade que começou a ser construída em 1990 pelo governo estadual – os trabalhos, no entanto, foram paralisados um ano depois. O Ministério da Saúde prevê um investimento de R$ 40 milhões no hospital, que deverá atender a cerca de 267 mil pessoas que vivem em Queimados e municípios vizinhos.

            Queimados é município da baixada fluminense, com alto índice de pobreza. Como a promessa é para 2006, aguardemos, para que vejamos se será cumprida.



Escrito por Ernâni Motta às 16h01
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AINDA O GLOBO: "QUILOS A MENOS VALEM DINHEIRO"

            José Meirelles Passos (correspondente).

           

            A iniciativa partiu das próprias empresas de seguros de saúde nos Estados Unidos, onde a obesidade se transformou no inimigo público número um dos empregadores em geral. Em seguida, foi imitada por hospitais e clínicas. Agora está sendo implantada em outras áreas: companhias em geral estão oferecendo compensações financeiras aos empregados que se preocupam em cuidar da própria saúde.

            - O resultado tem sido muito bom: para cada dólar investido tivemos uma economia de US$ 2,76 no custo dos serviços que prestamos – disse Harry Griffin, porta-voz de uma das empresas envolvida no projeto.

            Vamos torcer para que a moda chegue por aqui!



Escrito por Ernâni Motta às 16h00
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CÉSAR MAIA DE VOLTA À GLOBOSFERA

            Escrevi que o prefeito César Maia havia abandonado o blog que criou, sob a alegação de falta de tempo. Pois é, mas, o nosso alcaide não abandonou de toda a idéia. No fim deste mês, ele começa a escrever em um novo, o “Rio 40 graus”. Mas, declarou: “Este blog não será meu, no sentido de que não o coordenarei. Serei apenas um colaborador”.



Escrito por Ernâni Motta às 15h58
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DO BLOG DO NOBLAT, HOJE, 04/10

Ironia da História

O artigo de Ibsen Pinheiro, publicado aqui ontem, foi transcrito pelo site do PT (http://www.pt.org.br/). Ibsen escreveu que o deputado José Dirceu pode acabar sendo punido sem provas.

O site esqueceu de registrar de onde tirou o artigo. É praxe fazê-lo. Como aqui se faz com tudo que originalmente é publicado em outro veículo.

Em tempo: ontem à noite, o deputado José Dirceu telefonou para Ibsen agradecendo o artigo.

O mundo gira e a Lusitana roda...

Foi Valdomiro Diniz que forneceu à imprensa na época informações que ajudaram a cassar o mandato de Ibsen, então deputado federal.

Valdomiro trabalhava para o PT quando funcionava a CPI que apurou mutretas na confecção do Orçamento Enviada por: Ricardo Noblat



Escrito por Ernâni Motta às 09h58
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HOTEL AVENIDA, VOCÊ AINDA VAI ENCONTRAR UM

Acho que toda cidade tem um hotel chamado Avenida e, geralmente, são humildes, feitos para hospedar gente que não dispõe de grandes recursos, como sempre foi o meu caso, sem falsas modéstias.

Lembro que quando cheguei ao Recife, sem conhecer absolutamente nada, o motorista do táxi perguntou-me: "você já tem hotel reservado?" E explicou-se: "Não, eu pergunto, porque se você não tiver, posso lhe indicar um baratinho, confortável e de atendimento de primeira". Antes que falasse qualquer coisa, ele continuou: "É o Hotel Avenida. Os cabras lá, você vai ver, estão sempre alegres, não são como esses de hotéis grã-finos, que estão sempre de cara amarrada".

Não me restava mais nada a não ser concordar e dizer a ele: “Tudo bem, vamos para o Hotel Avenida”.

Para quem viveu por o tempo todo sob a proteção da mamãe, com comidinha pronta na hora e todos os salamaleques que, eu acho só as mães do Amapá têm, era uma experiência um tanto amarga, mas, ao mesmo tempo, desafiadora.

E para, de certo modo piorar as coisas, minha mulher estava no Rio de Janeiro, com a família dela, pois, estava grávida da nossa primeira filha. Mas, a urbanidade do atendente e dos três ou quatro funcionários do hotel, durante o dia, supria as minhas necessidades de afeto ou sei lá de quê. O problema, porém, foi quando a noite desceu, meu Deus! Os pensamentos voaram, o silêncio, paradoxalmente, falou tão alto...

Foi aí que conclui, não tenho o vigor que tanto esperava para sozinho enfrentar a vida. Mas, àquela altura, não havia retorno. E o Hotel Avenida era a minha nova moradia, sem a comidinha pronta da mamãe, sem o chamego da minha mulher e numa cidade em que a única coisa que conhecia e muito mal era o aeroporto.

Mas, o Hotel Avenida tinha alguma coisa que me transmitia segurança, simpatia e vontade de permanecer, definitivamente, naquela cidade que havia escolhido para viver. Não, o Hotel Avenida não queria me deixar voltar. Fiquei lá por duas semanas, até alugar um apartamento, mas foram dias que me convenceram que o Recife era ou é uma cidade aprazível e onde, por certo, iria redefinir a minha vida. Com efeito, assim aconteceu. Enfim, o Hotel Avenida foi decisivo para que eu me determinasse a tornar o Recife a minha nova cidade.

Antes, entretanto, havia pernoitado no Hotel Avenida, em Belém, porquanto o avião que me levaria à Veneza Brasileira tinha horário incompatível com o que me trouxe de Macapá para a Capital Paraense.

O tempo corre, avança e faz com que o que é a nossa escolha, hoje, seja apenas uma lembrança amanhã. Assim foi com a minha decisão de fazer do Recife a cidade que havia escolhido para criar meus filhos, envelhecer e quem sabe morrer.

Como ele, o tempo, é implacável e nos faz mudar as opções, as escolhas, as determinações. Então, alguns anos depois a minha nova opção de vida era a Cidade Maravilhosa, com todas as suas mazelas, mas, principalmente, por todas as suas belezas. Aliás, preciso deixar claro que meus amores não são excludentes e por isso Macapá, Recife e o Rio de Janeiro são cidades, cada uma com suas particularidades, que têm o seu canto reservado no meu coração.

            A vida beneficiou-me com algumas oportunidades, que considero verdadeiros privilégios. Um deles foi conseguir ser aprovado no concurso e no curso de formação para instrutores no banco, em que trabalhava. Isto me deu a graça de conhecer algumas das principais cidades do meu país.

E, sem demagogia, foi aí que descobri o quanto ele é bonito, por sua diversidade de gente, de costumes, de origens, de sotaques, de cores. Só para dar uma idéia, fui ministrar um curso em Fortaleza-CE e, ao chegar de volta ao Rio, estava escalado para três dias depois me apresentar em Londrina-PR. Os meus ouvidos ainda estavam recheados de “ó xente” e já estava sendo obrigado a me adaptar aos “erres” que carregavam o jeito de falar dos paranaenses e circunvizinhos.

Mais do que lembranças, hoje, guardo verdadeiros aprendizados, que, seguramente, não conseguiria de outra forma. A minha convicção hoje, por conta disso, é a de que, como disse o Caetano: “navegar é preciso!” É o que nos torna mais humanos, mais tolerantes, mais condescendentes com nós mesmos.

E nessas andanças, cheguei a Belo Horizonte e adivinhem em que hotel fui me hospedar? Exatamente, no Hotel Avenida.

 

Ernâni Motta

30/09/2005.



Escrito por Ernâni Motta às 17h38
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FIM DE SEMANA SEM ABALOS E COM TIM-TIM PARA O FERRO

            Alô, alô! Fim de semana sem nenhuma grande revelação de parte das chamadas grandes revistas fica sem graça. Vocês não acreditam, mas, vez em quando, tenho uns surtos de pseudo-inteligência e me ponho a querer exercitar o pensamento. E se me falta um motivo mais vigoroso...

            O Globo diz que César Maia acusa, em entrevista, os vereadores pela favelização da cidade. “Ficar na favela é um direito estabelecido no auge do populismo no Rio”, afirma o prefeito, na entrevista. E diz o jornal: “embora tenha maioria na Câmara, o prefeito disse que não apresenta projeto de emenda à Constituição municipal por não ter garantia de que vai conseguir os dois terços de votos necessários para a mudança”. Enquanto isto, a população que paga IPTU e outros impostos vai ficando cada vez mais enclausurada.

            A Folha de S. Paulo traz como manchete principal: “Direção do PT sabia de caixa 2, diz ex-secretário”. Aí, fui ler a matéria e ao contrário do que esperava nenhuma novidade. Segundo o jornal paulista, Silvio Pereira, o ex-secretário, teria afirmado que todos os 21 membros da Executiva Nacional conheciam o esquema, mas, livra a cada de Zé Dirceu e Lula. Como diziam os Cassetas, parodiando FHC: “Assim, não dá! Assim, não dá!”...

            A Veja, em sua sanha denuncista, está chata, porque ser visível o seu esgotamento, com fontes que tenham revelações que possam abalar as estruturas, sobretudo, a política. Sem comentário!

            A Internet informa que César Maia não é mais blogueiro. Não sei se é caso de se lamentar ou não. Ultimamente, tinha percebido César, como prefeito, um excelente blogueiro.

            De qualquer maneira, foram muitos os sobressaltos nos últimos meses, que acho que merecemos um pouco de pasmaceira, desde que não seja tanta a ponto de nos acostumar mal.

            Portanto, vou abrir uma gelada e fazer tim-tim!, em homenagem ao Ferro que fez aniversário ontem, pai das minhas amigas Rosany e Vânia Beatriz e sogro do meu amigo Miguelão, lá, em Macapá.

            Que a semana, então, seja profícua (gostaram do profícua?... rs) e de agradáveis surpresas para todos.



Escrito por Ernâni Motta às 12h28
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