Ernâni Motta


MÚSICA PARA O FINAL DE SEMANA

A música para este final de semana, em que o blog completa quatro anos, é um dos maiores sucessos de todos os tempos para comemorarmos em grande estilo, eu diria. Mas, o blog gosta de provocar uma polêmica, por isso, a música para este final de semana, exatamente, por ser um grande sucesso, criou uma dúvida quanto ao verdadeiro interprete, no clip que estamos mostrando: seria a voz de Frank Sinatra ou a de Perry Como. São vozes semelhantes, talvez, pelo fato de os dois terem origem italiana. A pessoa que colocou o clip, no Youtube, deixou a dúvida no ar, ao colocar o nome dos dois artistas. Particularmente, acho que quem está cantando é Perry Como, mas, cada um tem o livre arbítrio de decidir. O importante é que a música é maravilhosa e tenho certeza, para este dia, uma escolha melhor seria (como foi) muito difícil de encontrar. Senhoras e senhores, a música para este final de semana é “Killing Softly With His Song, com Perry Como (ou seria Frank Sinatra?).

Killing Me Softly With His Song

Perry Como (ou seria Frank Sinatra?)

Composição: Charles Fox/ Norman Gimbel

 

I heard she sang a good song, I heard she had a style.
And so I came to see her and listen for a while.
And there she was this young girl, a stranger to my eyes.

Strumming my pain with her fingers,
singing my life with her words,
killing me softly with her song,
killing me softly with her song,
telling my whole life with her words,
killing me softly with her song

I felt all flushed with fever, embarrassed by the crowd,
I felt she found my letters and read each one out loud.
I prayed that she would finish but she just kept right on.

Strumming my pain with her fingers,
singing my life with her words,
killing me softly with her song,
killing me softly with her song,
telling my whole life with her words,
killing me softly with her song

She sang as if he knew me in all my dark despair
and then she looked right through me as if I wasn't there.
But she was there the stranger, singing clear and strong.

Strumming my pain with her fingers,
singing my life with her words,
killing me softly with her song,
killing me softly with her song,
telling my whole life with her words,
killing me softly with her song

 

 



Escrito por Ernâni Motta às 20h50
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FIM DE SEMANA

Este fim de semana é muito especial para o blog, que completa quarto anos de existência. E, parece que foi ontem que me decidi por colocá-lo no ar.

A proposta inicial era a de atualizá-lo diariamente, mas, como as coisas não acontecem ao sabor da nossa vontade, não deu para concretizar a ideia. Mas, digo-lhes com a maior franqueza que é um prazer desmedido manifestar os meus pensamentos aqui e compartilhar as minhas ideias com vocês.

Não posso negar, entretanto, que já houve dias em que tive vontade abandoná-lo. É que mesmo sendo jornalista, não me acho com dom para ser um escritor. E há horas em que é preciso se ter esse talento. Daí que a falta dele me dá uma dor de cabeça enorme. Por isso, tenho a maior admiração por quem atualiza o seu blog todos os dias. Mas, vou fazendo o que posso.

De qualquer sorte, como sou um bancário aposentado, uso o blog para mostrar a minha indignação com os políticos, me enternecer com os poemas dos meus amigos, me sensibilizar com as músicas, que compartilho com vocês a cada fim de semana, para fazer, enfim, alguma reflexão sobre o cotidiano.

 Aliás, costumo dizer que sou mais bancário aposentado do que jornalista, pois, me acho muito pretensioso ao me declarar como tal. Se bem que o STF disse que agora qualquer um pode ser jornalista... Mas, os meus princípios, ainda assim, continuam a me pautar pela ética e modéstia.

Escrevi, no dia 3 de julho de 2005, que o blog serviria para me aproximar dos meus velhos amigos e dos novos que fossem chegando. E, graças a Deus, os novos são em número maior do que poderia imaginar. Que bom! Mas, sei que alguns dos velhos amigos passam por aqui calados, talvez, por serem tão tímidos quanto eu. O que me conforta e muito, contudo, é saber que eles estiveram aqui.

Mas, o desafio continua. E espero que Deus me dê animação suficiente para continuar a dividir com vocês a minha palavra de crença no ser humano, Imagem e Semelhança de Deus, de inconformismo com o paradoxo que o próprio homem cria ao se mostrar ganancioso e intolerante e cheio de alegria com todas as benesses que a vida me proporcionou.

Agora, pode se servir do seu pedaço de bolo e da sua taça de champanhe!

No mais, tim-tim!



Escrito por Ernâni Motta às 20h49
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LULA ENQUADRA O PT

Os jornais, hoje, têm a mesma chamada de capa: Lula enquadra o PT que diz agora apoiar Sarney.

Lula, em reunião com a bancada petista, ontem à noite, lembrou aos seus correligionários que Sarney e o PMDB têm ajudado o seu governo desde a primeira hora. O que fez com que os membros do Partido dos Trabalhadores recuassem da ideia de abandonar o senador maranhense pelo Amapá, à própria sorte.

E Lula tem razão. É sabido, por esse Brasil todo, que sem o apoio do PMDB, ele jamais chegaria à Presidência da República. De nada teria adiantado Lula arrumar a dentadura, passar a usar ternos Armani e se mostrar o novo “Lulinha, paz e amor!”. O eleitor, no Brasil, ainda obedece aos seus “caciques políticos”, inclusive nas grandes cidades, como Rio e São Paulo. Daí que o apoio do PMDB foi de fundamental importância para fazer Lula ganhar a sua quarta tentativa de chegar à Presidência.

Também, vale lembrar que esses 84% da população que se declaram a favor de Lula, hoje, são os mesmos que lhe viraram as costas nas outras tentativas. Sinceramente, hoje, acredito que não foi o PT que ganhou a eleição, mas, sim, o PSDB que não soube ganhar. É só lembrar a arrogância de FHC e seus ministros, que se achavam os donos da República e imbatíveis nas urnas.

Lula, portanto, movido pela gratidão, não pode deixar de declarar o seu apoio a Sarney. E gratidão, convenhamos, é uma virtude. Mas, calma, não vamos achar, por isso, que Lula é um virtuoso. Até porque o cerne da preocupação dele não é bem se mostrar grato a Sarney e sim não perder as rédeas do que ele chama de governabilidade, no pouco mais de um ano que tem de mandato. Lula tem o maior medo de o PMDB deixá-lo à deriva, nos últimos meses de seu mandato e com isso não emplacar a sua ministra nervosinha Dilma Rousseff, como sua sucessora. Afinal, não foi isso o que aconteceu com FHC e Serra?



Escrito por Ernâni Motta às 20h43
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PT A IMAGEM E SEMELHANÇA DO PMDB

O triste, nessa história, para os petistas é terem de concluir que o PT é tal qual o PMDB. Com meia dúzia ditando as regras e fazendo conchavos às caladas da noite. E a hora de abandonar esse barco passou. A hora foi quando Heloísa Helena e outros perceberam quem, realmente, era ou é Lula e ao que ele se submeteu para chegar à Presidência e foram fundar o PSOL.

Ver um Aloísio Mercadante tentar explicar o inexplicável deve ser de doer para os petistas, ver uma Ideli Salvatti tecendo loas a Sarney, que no passado era chamado de ladrão, pelos seguidores do Partido dos Trabalhadores, deve arder-lhes na carne, como um golpe de punhal frio e pontiagudo. Ver Lula dizer que Sarney, por sua história, não pode ser julgado como um homem comum deve ser triste, como a mais cruel das traições. Mas, agora, não tem jeito. Quer dizer, aqueles que ainda tiverem um restinho de dignidade que caiam fora, antes que a vergonha seja ainda maior.

A verdade é que o Partido dos Trabalhadores não era o que apregoava. Custou, mas a mascara caiu e caiu feio.



Escrito por Ernâni Motta às 20h42
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A MÃE DO PAC ESTÁ MAIS PAA MADRASTA

E o Partido dos Trabalhadores quer nos impor uma presidente autoritária, que não mede lugar nem pessoas para destilar as suas grosserias. O Globo diz hoje a candidata de Lula e do PT, Dilma Rousseff, até agora só poupou de seus achincalhes o presidente e o vice, José Alencar e que o presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli, já foi visto em lágrimas, depois de um destempero da ministra.

Escreveu O Globo: Ministros têm episódios de enfrentamento com Dilma, de maior ou menor gravidade, e reagem de maneira diferente. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT-AC) tirava Dilma do sério por causa das exigências ambientais para liberação de obras. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, amigo de Dilma, costuma responder com bom humor às cobranças mais incisivas e aos gritos dela. Recentemente, numa reunião do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, Dilma deixou atônitos os governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) ao dar uma bronca em Bernardo.

Dilma não poupa adjetivos quando o trabalho realizado não lhe satisfaz. Imbecil é uma das palavras mais usadas por ela ao ver ordens não cumpridas.

Deve ser por isso que Lula afirmou que a ministra é a mãe do PAC. Mas, pelo jeito, ela está mais para madrasta.



Escrito por Ernâni Motta às 20h41
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SARNEY OMITE CASA EM RELAÇÃO DE BENS APRESENTADA A JUSTIÇA ELEITORAL

O jornal Estado de S. Paulo publicou hoje a informação de que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deixou de fazer constar em sua relação de bens, apresentada à Justiça Eleitoral, uma casa, onde ora, na Península dos Ministros, um dos lugares mais nobres de Brasília, avaliada em R$ 4 milhões. Sarney, segundo o Estadão, teria comprado o imóvel em 1997 do banqueiro Joseph Safra, através de um contrato de gaveta.

A assessoria do senador maranhense pelo Amapá divulgou uma nota à imprensa, na qual afirma que "por equívoco do contador, em 2006, foi apresentada à Justiça Eleitoral a mesma lista de bens de 1998".

À tarde, porém, a assessoria de Sarney distribuiu uma nova nota à imprensa, corrigindo a anterior. Leia o que diz a nota:

Esta nota corrige equívoco anteriormente divulgado. O erro cometido na declaração de bens do senador José Sarney à Justiça Eleitoral em 2006 não foi, como afirmado, a repetição da lista de bens de 1998, mas a omissão da casa, por esquecimento depois de feita a atualização patrimonial. O fato é que a propriedade está informada à Receita Federal e ao TCU desde 1999, conforme certidão anexa à primeira nota.

Eu fiquei me perguntando, quem aprendeu com quem esse negócio de alegar que não sabia? Será que foi Lula que aprendeu com Sarney ou será que foi Sarney, depois do mensalão, que pegou o gancho do “eu não sabia”, com Lula? E por falar em esquecimento, não esqueçam que Sarney já disse que não sabia que estavam colocando R$ 3,8 mil na conta dele todo mês, como auxílio moradia, mesmo ele tendo essa mansão aí de R$ 4 milhões.



Escrito por Ernâni Motta às 20h39
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PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES:

Pedaços meus...
(Sandra Galante)

Nos meus escritos de ontem deixei pedaços meus,
O tempo se vai e meu coração pede respostas,
Vôo livre no céu da minha imaginação...

Percebo que meus escritos não foram em vão,
Pois pude  assim entrar em teu coração,
Na magia da poesia penetrei na tua alma...

De uma pequena flor, fiz um imenso jardim,
De um simples sonho, criei uma linda ilusão.
Mentindo,sorrindo ou chorando acreditaram em mim...

Se falo mesmo a verdade,poucos sabem...
Casos vou criando, amores vou vivendo,
Transformando minha emoção  em poesia...

O poema acima foi publicado originalmente no portal “Mural dos Escritores”. O link está ao lado, e os responsáveis pelo “Mural” estão à sua espera para ser mais um dos poetas participantes.



Escrito por Ernâni Motta às 20h38
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EXIGÊNCIA DO DIPLOMA DE JORNALISTA

Diploma: Mobilização parlamentar

24/6/2009

O Senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) informou nesta quarta-feira, dia 24, ao Presidente Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, que já colheu cerca de 40 assinaturas de seus pares para apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), dispondo sobre a exigência do diploma de curso superior de Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista. A OAB criticou a decisão do STF.

A PEC de autoria do Senador acrescenta à Constituição o artigo 220A, e estabelece o exercício da profissão de jornalista como privativo de portador de diploma de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei. Ele acrescenta um parágrafo único ao artigo, tornando a exigência do diploma facultativa para o colaborador. A proposta também deixa facultativa a exigência do diploma para os jornalistas provisionados que já tenham obtido registro profissional regular perante o Ministério do Trabalho e Emprego.

Antonio Carlos Valadades pretende requerer à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado uma audiência pública com estudantes, jornalistas, representantes de associações e federações de jornalistas e da OAB para debater a questão. 


Audiência pública

Também nesta quarta-feira, 24, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados (CDEIC) aprovou um requerimento apresentado pelo Deputado Miguel Corrêa (PT-MG) para uma audiência pública sobre a revogação da exigência do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão.

Dando prosseguimento à mobilização, o Deputado Paulo Pimenta (PT-RS) anunciou que está reunindo assinaturas para apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) exigindo a obrigatoriedade do diploma. O parlamentar sublinhou que a sociedade e o Parlamento “já começaram a compreender o prejuízo que a decisão do STF trará a outras profissões, como Antropologia, Ciências Sociais e Educação Física”.

O texto acima foi publicado originalmente no sitio da Associação Brasileira de Imprensa - ABI. Para acessar o sitio do ABI, o link está ao lado



Escrito por Ernâni Motta às 20h13
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SEGURANÇAS DE SARNEY AGRIDEM REPÓRTER DO CQC

Seguranças do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), agrediram, hoje, o repórter Danilo Gentilli, do programa CQC, da Rede Bandeirantes de Televisão, quando tentava entrevistar o senador.

Gentilli perguntou a Sarney como ele se sentia em "não ser tão poderoso quanto se pensava", mas ficou sem resposta do peemedebista e parou no chão com um empurrão dos seguranças, informa a Folha On-line, nesta tarde.

Segundo ainda a Folha On-line, Sarney teria pedido ao primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), que retirasse as credenciais dos repórteres do humorístico, por estes terem desrespeitado a Casa e, particularmente, ele, Sarney, ao chamarem-no de “dinossauro”.

Mas, Marcelo Tas, um dos apresentadores do programa, teria sido informado pelo senador piauiense que Sarney recuara em seu pedido e que as credenciais seriam renovadas.

Chamar Sarney de “dinossauro”, realmente, é uma grande ofensa... aos dinossauros.



Escrito por Ernâni Motta às 19h10
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"INTRIGAS DE ESTADO", QUESTIONA A RELAÇÃO JORNAL ON-LINE E IMPRESSO

Ontem, fui assistir a convite de O Globo ao filme “Intrigas de Estado”, do diretor Kevin Mcdonald, com Russel Crowe e Rachel McAdams, no auditório do próprio jornal, que se seguiu de um debate com os jornalistas José Meirelles Passos e Patrícia Kogut e do escritor João Paulo Cuenca, com a mediação do colunista Arnaldo Bloch, todos de O Globo.

O filme tem como pano de fundo a morte de uma amante de congressista, mas, procura discutir a agilidade do jornalismo on-line e a sobrevivência do jornal impresso. É verdade que o diretor deu um tom romanceado à discussão, entretanto, achei muito pertinente a discussão.

Afinal, o jornalismo on-line, como se pensou durante o debate, com a sua instantaneidade, visa o leitor que tem pressa, que está nos escritórios, no restaurante e, com as novas mídias (telefone celular, lap-top, iphone), em qualquer lugar, enfim. Isto, então, seria a declaração de morte do jornal impresso? Pode ser que sim...

Penso que o jornal impresso pode até adequar-se a uma nova realidade, porém, jamais deixará de existir, ou pelo menos ainda demorará muito para perecer. Acho que já não busca mais no jornal impresso a “nova notícia”, mas o desdobramento, a reflexão sobre a notícia veiculada, no dia anterior, pela TV, pela Internet.

E num país, como o Brasil, onde a exclusão digital é gigantesca, o jornal de papel ainda por muitos anos será esse que, como se dizia nos anos 1960, se espremer sai sangue. Eu mesmo vejo diariamente, durante a minha caminhada matinal, um grande número de pessoas, pescoços pra cima, lendo, no mínimo, as manchetes desses jornais. Aqui, no Rio, posso contar de quatro a cinco desses jornais, enquanto os jornalões não passam de dois.

O filme deixa evidente também a velha máxima, que tanto ouvi de meus professores, na faculdade: “o jornalista não pode se envolver com a notícia”. E o jornalista que investiga a morte da amante do congressista é amante da mulher dele e foi seu colega de faculdade.

Por isso, eu recomendo aos alunos de Comunicação, aos meus colegas jornalistas e qualquer pessoa interessada em conhecer os meandros de um jornal a que assistam ao filme. Vale à pena, acreditem.



Escrito por Ernâni Motta às 19h09
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SERVIR À COMUNIDADE, O QUE É ISSO?

A opção que alguém possa ter por ser um político de ofício, acho perfeitamente natural e saudável, ainda que veja o cargo de vereador como passível de discussão, quanto a sua necessidade, notadamente, nas cidades pequenas. E mais, que para exercê-lo a pessoa tenha de ser remunerada.

Por que nas cidades de pequeno porte não se poderia criar um conselho consultivo, ao qual o prefeito recorresse para as decisões mais complexas? Será que há, verdadeiramente, a necessidade de se criar uma Câmara de Vereadores, cujos serviços, seguramente, são de pouca monta e de quase nenhum interesse mais significativo para a coletividade? Sinceramente, tenho a sensação que não. De qualquer sorte, creio que valeria a pena um debate mais amplo sobre o assunto.

A vereança, ao que me parece, é a alfabetização para o exercício de cargos mais significativos, a se considerar que as decisões políticas a partir de uma Assembleia Legislativa estadual agregam complexidades maiores. Assim, a carreira política de um cidadão, que optasse por ser um político profissional, iniciaria com o cargo de vereador e teria o seu ápice com o de presidente da República. Evidentemente, que alguém poderia queimar uma ou outra etapa, desde que para isso se mostrasse diferente, para melhor, de seus pares.

Ocupar-se da política, como profissão, exigiria do candidato ao seu exercício que agisse como em qualquer outra, antes de tudo tecnicamente capacitado, com denodo, probidade, ética e um espírito despojado de vaidades, o que não significa que se esquecesse de suas ambições. Muito pelo contrário, diante de um revés, o político profissional iria rever seus conceitos e métodos, escutar a coletividade, atualizar-se com o seu tempo.

Mas, eu sei que isso é uma bela de uma utopia e assim jamais será, quer no Brasil, quer em qualquer lugar do mundo. Ainda que, em algum país desse planeta, haja políticos mais comprometidos com a causa pública.

O que de fato ocorre, para nossa infelicidade, é que os políticos são dotados de espíritos beligerantes, têm a ganância como fonte e não medem esforços para alcançarem os seus objetivos, mesmo que tenham de recorrer a métodos escusos. E assim usam do mandato que o povo lhes concede para se locupletarem, enriquecerem e beneficiarem parentes e os áulicos de plantão.

Servir à comunidade e ao povo que os elegeu é o primeiro propósito que eles esquecem para terem como objetivo único morrer nalgum cargo, a qualquer custo, a qualquer preço. Pois, esquecidos fazem-se também de que a renovação, como em qualquer profissão, é necessária e, de igual modo, saudável.



Escrito por Ernâni Motta às 19h07
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SARNEY, A METAMORFOSE AMBULANTE

O presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP), desde sua eleição, tem sido perseguido implacavelmente por seus adversários e pela imprensa, com denúncias que, ao que tudo indica, estão longe de chegar ao fim.

Os adversários, ou melhor, os inimigos, Sarney os adquiriu ao longo de uma trajetória, cujos limites jamais existiram. Sua história é narrada através de adesismos, perseguições, oportunismos e sabe Deus mais o quê.

Sarney, jamais claudicou diante da possibilidade de mudar de “lado político”, desde que, como diz a escumalha, “fosse para se dar bem”. Assim, ele rompeu com os generais da ditadura que haviam lhe presenteado com o governo do estado do Maranhão para compor com Tancredo Neves, a candidatura à Presidência da República, via o fatídico Colégio Eleitoral, criação da carcomida ditadura. A sorte, então, foi-lhe pródiga e, com a morte de Tancredo, foi alçado à Presidência, até porque os generais, fartos que estavam do poder, resolveram se recolher à caserna. Com o fim de seu desastrado governo, chegou-se a anunciar a sua morte política, haja vista, que durante a campanha Collor, o caçador de marajás, mostrou-se seu ferrenho adversário e ao assumir o governo não lhe deu chances de voltar à ribalta. Veio então o governo FHC, e eis que ele, como a Phoenix, ressurge das cinzas e consegue emplacar um de seus filhos no ministério tucano. Lula apresenta-se como “a última coca-cola do deserto”, num país esfacelado e à beira de um colapso econômico-financeiro, e novamente Sarney não titubeia e adere ao governo petista. Aliás, para que se faça Justiça, é de todo conveniente dizer que Zé Dirceu, o mentor-mor do governo Lula, é quem admite e decide que Sarney seria a viga-mestra do governo do Partido dos Trabalhadores. A que ponto chega, portanto, o PT, última esperança do povo brasileiro.

À presidência do Senado, Sarney queria chegar, pela terceira vez, sem nenhum concorrente. O seu desejo era o de ser aclamado para, sem oposição, continuar a sua fieira de apadrinhamento, compadrio e o velho “se dar bem”. Recorreu a Lula, em sua sanha para tirar os adversários de seu caminho, mas o Partido dos Trabalhadores, tão ganancioso quanto, houve por bem não obedecer às ordens do Planalto e lançou Tião Vianna como candidato. Evidentemente que Sarney recorreria aos seus velhos “compadres” do DEMO, ex-PFL, ex-PDS, ex-Arena para conseguir o seu objetivo.

Acontece que na política brasileira o atropelado de ontem é o atropelador de hoje, o que, ao que parece, Sarney esqueceu. Daí que não demorou a que os cadáveres putrefatos, por ele deixado nos porões do Senado, começassem a aparecer. E se o senador maranhense pelo Amapá não abandonar logo o barco, ainda muito demorará a pararem de ser desencavados. E, a exemplo do que fez Roberto Jefferson com Zé Dirceu, não duvido nada que um de seus velhos camaradas diga do plenário do Senado: - Zé Sarney sai daí, sai logo daí!

Há duas frases, contudo, as quais Sarney está coberto de razão: a primeira é quando ele disse: “A crise não minha, a crise é do Senado”. É verdade, sabendo-se que político nesse país dispõe-se a tudo para chegar aos mais altos cargos, ninguém duvide de que todos têm culpa no cartório, em relação à podridão que assola os subterrâneos do Senado. A segunda, é quando ele afirma que por sua história, não merece ser julgado como qualquer um. Também é verdade. Esse “qualquer um” a que Sarney se referiu é um homem que acorda às quatro horas da manhã, toma um trem lotado, trabalha o dia todo, sem a certeza de que, ao final do mês, receberá o seu suado salário e tem uma penca de problemas para resolver, como, por exemplo, conseguir uma vaga na escola pública para os filhos, fazer das tripas coração para juntar uns trocados a fim de dar uma arrumada no barraco, encarar uma fila quilométrica na porta dos hospitais públicos para uma simples consulta para si ou para a família, se submeter aos caprichos de um chefe mau caráter para não perder o emprego e por aí vai... Não, Sarney não pode ser julgado como esse desgraçado, a quem ele sequer se aproximou algum dia. Não, Sarney não pode ser julgado, como “qualquer um”, ele, num país mais sério, seria julgado por um tribunal isento e imparcial e condenado a perecer nos fundos de uma masmorra.

O presidente do Senado se tivesse a perspicácia dos sábios, quando encerrou o seu mandato de presidente da República, teria se recolhido a uma aposentadoria confortável, onde se poria a escrever os seus livros e dirigir o seu clã. Teria dado oportunidade a que a Política brasileira estivesse sendo oxigenada, pela participação dos mais jovens que, indiscutivelmente, têm muito a contribuir para com este país.

Porém, Sarney tem a sede de um adicto e jamais consegue imaginar-se distante do Poder, nem que para isso tenha de passar pelas diatribes, a que vem passando. Pouco lhe importa se o tempo consome-lhe as forças físicas e mentais, pouco lhe importa se se vê abandonado pelos velhos camaradas, pouco lhe importa se ver achincalhado em praça pública, a qualquer hora do dia ou da noite. O que lhe importa é estar ou ser o Poder.

Que tristeza!

Sarney, em foto de Dida Sampaio/Ag Estado, semblante de um homem derrotado



Escrito por Ernâni Motta às 19h03
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AINDA SOBRE MACAPÁ, QUE QUASE ESQUECI

Ao fazer o check-in, na hora do embarque de volta, para o Rio, fui surpreendido pela funcionária da companhia aérea, com a exigência de um protetor plástico, nas embalagens de isopor que eu trazia. Disse-me ela, com um ar professoral: - Se algo quebrar o isopor, o que estiver dentro vai molhar as bagagens dos demais passageiros, senhor. Por isso, a companhia exige a proteção plástica feita pela empresa tal.

Informado, pela dita funcionária, onde ficava o balcão da tal empresa, dirigi-me até lá para as providências solicitadas, ocorreu, porém, que lá não havia ninguém. Voltei a ela e expliquei-lhe que o que se passava. E tive como resposta: - Então, o senhor não vai poder levar os isopor. (sic)

Uma pessoa ao lado sugeriu-me conseguir uma sacola plástica, numa das lojas do aeroporto. Disse à funcionária que iria tentar, mas que, caso não conseguisse, desejaria falar com algum superior dela. A resposta foi ainda mais pernóstica: - Já fiz isso! Evidentemente que minha paciência esbarrou ao zero, e retruquei-lhe: - Ainda assim, eu vou querer falar com o seu superior. E fui à cata da tal sacola plástica, o que não consegui, até porque estávamos a pouco mais da meia-noite e àquela hora todas as lojas estavam fechadas.

Quando voltei, minha esposa havia questionado um senhor, que lhe pareceu em condições de resolver o impasse, e ele retrucou afirmando que não havia necessidade da tal embalagem plástica. Pediu à minha esposa que o acompanhasse até o guichê da companhia aérea, onde autorizou que as embalagens fossem despachadas, sem a tal proteção plástica.

Dias depois, meu irmão, que viajou por outra companhia, trouxe mais duas embalagens de isopor, sem a exigência do bendito invólucro plástico.

Então, sobraram-me as perguntas: se algum objeto fosse capaz de perfurar o isopor, tal proteção plástica, que a funcionária da companhia aérea me exigiu, seria capaz de realmente proteger as embalagens? Como ela, a funcionária da companhia aérea, sabia que o conteúdo das embalagens, em caso destas serem rompidas, poderia molhar a bagagem dos demais passageiros, pois, se o que eu trazia estava devidamente congelado? Sou um privilegiado, neste país, se considerar que há uma avalanche de pessoas que jamais pôde viajar de avião, enquanto eu conheço várias cidades brasileiras e seus respectivos aeroportos. Mas, o fato interessante nisso, é que nunca me fizeram a exigência de colocar proteção plástica nas minhas bagagens... Será que a TAM, a companhia aérea, tem interesses, em relação à empresa que faz as embalagens plásticas? Se tiver, não se trata, então, de uma venda casada? E a ANAC sabe disso?



Escrito por Ernâni Motta às 19h00
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