Ernâni Motta


A MÚSICA PARA ESTA SEMANA

Não, essa não é a música para final de semana. Essa música é para não esquecermos que o dia 31 de março é um marco negativo na incessante busca do brasileiro pelo Direito à liberdade. Por isso, o comentário sobre a música é a transcrição do texto publicado no livro “A Canção no Tempo”, volume 2, de Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello:

“Ao mesmo tempo e quem se classificava em terceiro lugar no FIC, com “Carolina”, Chico Buarque repetia a colocação no III Festival da TV Record com “Roda Viva”. Não seria, porém como música de festival e sim como tema de uma peça homônima que “Roda Viva” entraria para a história. Escrita por Chico e m 25 dias e montada por José Celso Martinez Corrêa, essa peça estrearia no Teatro Princesa Isabel, no Rio, em 15.01.68. Criticando a situação do artista, triturado pela mídia – o personagem principal, o Ben Silver, é um ídolo inventado e imposto ao público pela publicidade –, o espetáculo teve uma encenação chocante, agressiva e provocadora, pela maneira livre e audaciosa como José Celso tratou o texto, com a aprovação total do autor. (...) Acontece que apresentada no agitado ano de 1968, quando a radicalização da ditadura caminhava para a edição do AI-5, Roda Viva gerou uma intensa reação de grupos de direita ligados ao regime, que culminou com a agressão aos atores e a destruição dos cenários no Teatro Galpão, em Porto Alegre, em 17.7.68.”

Como se pode perceber a inteligência da direita, naqueles tempos, não permitia que seus burocratas entendessem a mensagem do autor, o que se repetiria em outros casos, que depois eu conto. Senhoras e senhores, a música para este dia é “Roda Viva”, com Chico Buarque e o MPB 4.

 

Roda Viva

Chico Buarque & MPB4

 

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

 

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração



Escrito por Ernâni Motta às 22h57
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




LEMBRAR PARA NÃO REPETIR

Dizem que o golpe militar, que ficou conhecido com a Revolução de 64, teria acontecido, de fato, no dia 1º de abril, mas, como este é o dia da mentira, os militares teriam tomado o dia 31 de março como o verdadeiro dia que irrompeu o levante. Evidentemente, os protagonistas não haverão de concordar com essa informação, porém, pelo sim pelo não, resolvi publicar o blog agora, à noite, para mostrar que o meu entendimento é que o dia 31 é uma mentira, mas, sem me afastar das manifestações pela passagem do cinquentenário do infausto acontecimento.

O blog, hoje, refere-se unicamente ao golpe de 1964, sem rancor, sem mágoas, sem qualquer sentimento de revanchismo, palavra, aliás, ouvida pela primeira vez das bocas do coronel Jarbas Passarinho, ministro por duas oportunidades dos governos militares. A extinta TV Tupi tinha um programa, na noite do domingo, no qual políticos, em especial, eram entrevistados e, quando se iniciaram as discussões sobre a lei da anistia, o coronel Passarinho foi um dos entrevistados pelo programa e, a certa altura, fez uso do termo “revanchismo”.

Mas, o golpe militar, no dia 31 de março de 1964 (ou seria do dia 1º de abril de 1964?), levou o Brasil a um longo e tenebroso inverno de águas turvas, no qual o frio do medo tomou conta de todo o povo. E terminou por afogar almas que, audaciosamente, mostraram-se contrárias aos seus “dogmas”. O país ficou dividido entre os a favor e os contrários ao regime, numa luta fratricida de triste memória. Muitos morreram ou foram mortos, sob a desastrada alegação de que se estava defendendo o país da instalação de um governo comunista.

É preciso deixar bem claro que não coube unicamente aos militares a decisão de derrubar o governo João Goulart. Parte da sociedade civil apoiou o golpe. Políticos, como os governadores Carlos Lacerda, da Guanabara, Ademar de Barros, de São Paulo, e Magalhães Pinto, de Minas Gerais, o presidente do Congresso Nacional, senador Auro de Moura Andrade e outros participaram da deposição do Goulart. Parte da Igreja também esteve ao lado dos golpistas, empresários e cidadãos da classe média.

Hoje, quando algumas pessoas tentam dizer que não houve ditadura, faz-se necessário lembrar que os generais presidentes governaram armados de uma constituição que lhes atribuía o direito de fazer uso dos miseráveis atos institucionais. E Costa e Silva, o segundo general presidente, junto ao seu gabinete formado por civis e militares, foi o que promulgou o mais nefasto dos atos, o Ato Institucional nº 5, o inesquecível AI-5. O Congresso foi fechado, ministros do STF foram compulsoriamente aposentados, a imprensa foi amordaçada, enfim, todas as garantias à liberdade foram ceifadas, por ordem de Costa e Silva e seus ministros. Então, é preciso deixar bem claro, houve ditadura, sim!

Essas lembranças, contudo, não podem estar tisnadas pelo rancor, por mágoas e pelo ódio. Elas devem tão somente servir para que nos mantenhamos alertas e prontos a evitar que o Brasil volte a ter um governo arbitrário e disposto a nos cercear o fundamental Direito à cidadania e às liberdades!



Escrito por Ernâni Motta às 22h56
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




TERRORISMO DE DIREITA OU ESQUERDA?

Quando se fala em ações terroristas no país, a primeira lembrança que se tem é o do atentado à bomba, no Rio Centro, no Rio de Janeiro, onde se realizava um show, com diversos artistas, no dia 30 de abril de 1981, em comemoração à passagem do Dia do Trabalho. O sargento Guilherme Pereira do Rosário e o capitão Wilson Dias Machado deveriam fazer explodir uma bomba, nas proximidades do local do show, o que, entretanto, foi precipitado com a explosão do artefato antes da hora, dentro carro, onde os dois militares estavam. A primeira indicação das forças armadas foi a de que se tratava de um atentado terrorista perpetrado por agentes da esquerda, o que não tinha a menor sustentação, a se considerar que os portadores da bomba eram o sargento que terminou morto e o capitão que ficou gravemente ferido.

Mas, muitos outros atos terroristas aconteceram no Brasil, sem que se tenha chegado a alguma conclusão se foram perpetrados pela esquerda ou por agentes do governo. Vou me ater a dois para a reflexão de vocês:

No dia 21 de julho de 1975, os recifenses foram tomados pelo boato de que a barragem de Tapacurá havia se rompido e que dentro de poucas horas, a capital pernambucana estaria toda submersa. A barragem foi construída, pelo governo militar, entre os anos de 1969 e 1973, com o fim de evitar as constantes enchentes na cidade e para resolver o problema da falta d’água na cidade. O que não passou de propaganda enganosa, porquanto no ano de 1975, Recife foi alagada em 80%, conforme o jornal Diário de Pernambuco, na qual morreram mais de uma centena de pessoas. A população, como era de se esperar, entrou em pânico, com as pessoas buscando abrigo nos edifícios mais altos, abandonando carros nas ruas... Contou-me uma colega do Banco do Brasil que ela entrou em um táxi e o motorista lhe disse que não estava mais pegando nenhum passageiro, porque estava voltando para casa. Ela, então, perguntou ao pobre homem onde ele morava e lhe respondeu que no Alto José do Pinho. Então, a minha colega, totalmente desorientada, disse ao motorista: “Vou para lá também”. Claro que essa história, anos depois, ela contava em meio a risos. O boato, entretanto, nunca se soube de onde e como surgiu! Foi, com toda certeza, um ato terrorista, cuja origem até hoje não se descobriu.

 

 

Entre os anos 1975 e 1976, Macapá, de repente, se viu tomada pelo boato de que homens armados com fio elétrico surgiu em meio às mulheres e as enforcavam, sem que se soubesse as razões. Não havia local certo, nem horário determinado, do nada surgiam as gritarias e a notícia de que mais uma mulher havia sido engasgada por um meliante. Todavia, ninguém via a mulher nem o facínora e o acontecimento ganhou a alcunha de “engasga-engasga”, com a polícia se mostrando incompetente e impotente para prender o malfeitor que se punha a engasgar as pobres coitadas. Mas, alguém havia de ser culpado, foi, então, que prenderam um migrante japonês de uns 20 e poucos anos, chamado Hirotaka José. O José, ele ganhou quando foi batizado na Igreja católica, em homenagem a Dom José Maritano, então bispo prelado da capital amapaense e quem o salvaria das mãos pesadas da polícia. Conheci o Hirotaka, porque ele morava há poucas quadras da minha casa, e me lembro de que ele falava pessimamente o Português, portanto, era improvável a sua participação naquela tramoia. O “engasga-engasga”, assim como surgiu, desapareceu sem que descobrisse quem, de fato, era ou eram os seus autores.



Escrito por Ernâni Motta às 22h55
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A INTELIGÊNCIA E A DITADURA

No comentário sobre a música postada hoje, disse que havia mais histórias sobre a inteligência dos burocratas da ditadura. Há três ou quatro anos, li uma crônica do poeta Ferreira Gullar, na qual ele narra o episódio da invasão de sua casa por agentes da polícia em busca de algo que ligasse diretamente a ações comunistas. Reviraram a casa toda, sem nenhum sucesso, e já se preparavam para ir embora, quando um deles encontrou um caderno, cuja capa tinha inscrito na capa: “Anotações sobre o cubismo”. Foi o achado que eles queriam, ali estava a prova de que Ferreira Gullar era ligado a Cuba e ao comunismo.

Risível e lamentável, mas eram essas pessoas que decidiam o destino da verdadeira inteligência brasileira. É ou não é para se rezar para que nunca mais tenhamos energúmenos, como esses, dirigindo a Nação.



Escrito por Ernâni Motta às 22h53
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES:

Nada melhor para hoje do que a própria letra da canção de Geraldo Vandré, de quem tomei emprestado o nome para a seção de poesia do blog.

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores

Geraldo Vandré

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

 

 



Escrito por Ernâni Motta às 22h52
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Latin, Música, Esportes
MSN -
Histórico
Outros sites
  A B I
  A Gazeta - Macapá
  Alcinéa Cavalcante
  Alcy Araujo
  Alecrim Dourado [Denise Castro]
  Além do Release
  André Wernner
  Arte Vital - Antonio Siqueira
  Blog do Coração [Carlinha]
  Blog da Renatinha
  Boca Diurna [Marcos Santos]
  BOL - E-mail grátis
  Bonfim Salgado
  Caneta Sem Fronteira
  Castro
  Ceci
  Chico Terra
  Cinthia Carolina
  Cliver Campos
  Cotidiano de uma Grande Família [Zany Vasconcelos]
  Daniel de Andrade
  Diário do Amapá
  Diniz Sena
  Emendas e Sonetos
  Erika
  Fernando Canto
  Flor de Lis [Lislene]
  Interagindo [Bete]
  Ivan Carlo
  Josias de Souza
  Labirintos da Alma [Ianê Mello]
  Lilian Maial
  Lilian Maial [Poetrix]
  Lino Resende
  Lou Vilela [Nudez Poética]
  Luz de Luma
  Marcia do Valle
  Marizete Assis
  Meire
  Neste Instante [Kiara Guedes]
  O Contador de História
  Paulo Ghiraldelli Jr
  Pavulagem da Ro [Roseane]
  Pepê Mattos
  Portal G1
  Portal R7
  Rádio Difusora de Macapá
  Rádio Educadora - Rodrigo Cunha
  Raul Mareco
  REBRA
  Recanto das Palavras [Jorge Alberto]
  Renivaldo Costa [Pauta que pariu]
  Repiquete no Meio do Mundo [Alcilene Cavalcante]
  Reticências
  Ricardo Noblat
  Ruy Guarani
  Tempo in-verso [Elza Fraga]
  UOL - O melhor conteúdo
  "Você Nem Imagina 2"
  Veneide
  "30&Alguns" [Veridiana Serpa]
  Palavra de Maria [Yvette Maria Moura]
  Nova Poesia Brasileira
  Veredas [Jac Rizzo]
  Histórias de Amor
  Ana Elisa Poesias
  Beth Zhalouth
  Fina Sintonia-2 [João Lázaro]
  Otelice Soares
  Raissa Stèphanie [Muito Além das Histórias de Amor]
  Ecológika
  Rosany Costa
  Hanna
  Jornal Extra Amapá
  Alessandra Lameira
  PETRORIANA [GISELLE FIGUEIREDO]
  Pragmatismo Político
Votação
  Dê uma nota para meu blog